21 de março de 2006

Comedores do Sol - Poesia em terra árida

Acabo de ler este livro, praticamente devorei-o. A imagem do sol tem tudo a ver com aridez e esperança de vida. O sol nos oprime, com seu calor irredutível, mas nos traz a vida, mais um dia de desafios, mais um dia que devemos terminar de forma diferente.

A saga dos Scorta começa no final dos 1800, numa cidade do interior da Itália, Montepuccino. A História desta família começa com um crime, uma maldição para o fruto de uma união involuntária. A maldição segue por mais uma geração, quando então surge a oportunidade de redenção, a possibilidade de mudar o passado e transformar o presente e o futuro. Fiquei muito tocada.

O jovem autor já é premiado e merece, pois escreve com uma precisão fascinante. As imagens criadas são pura poesia. Apesar de poucas páginas, a história é muito rica, um tipo de escrita típica dos autores italianos, como Alberto Moravia, por exemplo. Adoro Moravia que conta belas histórias em poucas páginas, precisão, sabe.

Mas não me deixe enganar você! O autor é francês, mas, mas de descendência italiana. Está na veia o modo de contar histórias.

Há uma bela cena do banquete, marcante para os personagens. Marcante para o leitor. É a passagem em que a família será reunida uma única vez na vida. É um belo almoço surpresa, servido em frente ao mar, com todos os pratos recheados de frutos, peixes, azeite, vinho, gula e felicidade.

Ficha Técnica

Título: O Sol dos Scorta

Ano: 2005

Autor: Lauren Gaudé

Tradução: Maria Helena Rouanet

Páginas: 240

Editora: Nova Fronteira

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