24 de janeiro de 2006

Ar fresco e uma delícia para os olhos

Ganhei de Natal este maravilhoso livro que me faz lembrar que a vida ao ar livre é realmente fabulosa, e que não devemos nos acostumar com a concretude do ordinário cotidiano da cidade. Passar por cada página é viajar pelo mundo, visitando diferentes culturas, abrindo novas janelas: Grécia, Turquia, Quênia, Marrocos, Indonésia, Estados Unidos. Uma delícia para os olhos irriquietos que necessitam conhecer cores, gente, vegetação, hábitos e paisagens naturais.
Varandas, quartos, pátios, salas de jantar, casas de banho, rios -- você vai se entusiasmar, se alegrar com este passeio. Imagine-se a beira de um riacho, grama verde, ar fresco, uma mesa com tábuas de madeira rústica, cadeiras confortáveis de lona, cerâmicas aonde são servidos antipasti deliciosos, com rico perfume de azeite virgem, um bom vinho rosé gelado e a tarde caindo diante dos seus olhos, bem diante dos seus olhos...
Outro ponto deste tipo de publicação, o de design de interior, é a observação dos objetos, expressão cultural de cada região fotografada. Você poderá extrair mil idéias para a sua casa, seja no campo ou na cidade. Os arquitetos e decoradores adoram! O Sig Bergamin também vai adorar (aliás, outra dica: Adoro! , do próprio Sig).
Ficha Técnica
The Way We live - Alfresco
Ano: 2005
Autor: Stafford Cliff e Gilles de Chabaneix
Editora: Thames & Hudson
Páginas: 256

21 de janeiro de 2006

Terremoto, insônia e quebra-cabeça

Sleep...Uma mulher que não dorme e passa a aproveitar plenamente a vida durante à noite, deixando para o dia as tarefas ordinárias da sua vida de dona de casa. Outra mulher que num passeio de roda-gigante avista a janela do seu apartamento e se vê envolvida numa ação de amor desmedida – ela desmaia e acorda com os cabelos completamente brancos.
Depois de passar pela leitura de qualquer um dos textos de Haruki Murakami, sinto-me chacoalhada. Suas histórias contém um fantástico absolutamente real, pois trata-se da invasão e exposição da psique humana escondida pela armadura do cotidiano ocidental. Um terremoto em escalada avassaladora tira-nos do eixo. Indico o romance Minha Querida Sputinik, uma espécie de reescrita do filme A Aventura, de Antonioni, e os contos do livro The Elephant Vanishes. A literatura japonesa é realmente excepcional, seu tempo é diferente, sua estética minimalista e cheia de significações, com ingredientes inusitados.
Ficha Técnica
Minha querida Sputiniki
Ano: 2003
Autor: Haruki Murakami
Tradução: Ana Luiza Dantas Borges
Editora: Objetiva
The elephant vanishes
Ano: 1994
Autor: Hauki Muakami
Tradução para o inglês de alguns originais em japonês: Jay Rubin e Alfred Birnbaum
Editora: Vintage
Páginas: 327

20 de janeiro de 2006

Um romance sofisticado.

As orelhas e a contracapa de O Historiador não ajudam muito na hora do leitor optar por este livro, mas garanto, vale a pena. O romance tem Drácula de pano de fundo,mas não se trata de um livro sobre vampiros. O texto de Elizabeth Kostova é sofisticado e elegante, sem esbarrar no pecado de ser hermético ou pernóstico. Não posso deixar de mencionar a tradução de Maria Luiza Newlands, que garante um texto agradável, cuja leitura flui, diferente de muitas traduções que vemos pos aí... Tudo começa quando a filha de um diplomata entra na biblioteca do pai e depara-se com um livro estranho, de páginas em branco, com apenas a gravura de um dragão no centro. Dá-se início a uma caçada por manuscritos antigos espalhados pelas bibliotecas do mundo,Holanda, Turquia, Hungria, Bulgária. Mas essa história não fica apenas nos dias de hoje, a narrativa apresenta pelo menos três tempos distintos, chegando até o século XIII. Nesse caminho,leitor, somos prazeirosamente invadidos com informações da História do Mundo, de diferentes culturas. O romance foi traduzido para 28 línguas e seus direitos já foram vendidos para Hollywood. Confira a entrevista publicada pelo O Globo, em 14 de novembro de 2005, Segundo Caderno. Não desgrudei os olhos do livro, cujas 541 foram devoradas por mim em menos de uma semana. O livro é tão instigante que me deu vontade de fazer o Doutorado. Ficha Técnica O Historiador
Ano: 2005
Autor: Elizabeth Kostova Tradução: Maria Luiza Newlands Editora: Suma de Letras Páginas: 541