30 de dezembro de 2008

29 de dezembro de 2008

O Livro do Sal

Acabei de ler Uma Real Leitora! Maravilhoso! Delicado, sensível. Leiam. Agora começo o Livro do Sal - ganhei de Natal da Kiki. Mal abri e já estou gostando. É sobre cinco anos na vida de Gertrude Stein, Alice B. Toklas e do cozinheiro vietnamita. Ia deixá-lo para ler nas férias, daqui a três semanas, mas enquanto isso, vou devagarinho abrindo as páginas. Depois conto mais...

26 de dezembro de 2008

Livro sobre a Veuve Clicquot

Acaba de sair nos Estados Unidos uma biografia sobre a viúva Clicquot e a história do champanhe Veuve Clicquot. O livro foi resenhado na edição do The New York Times de hoje. Esse tipo de livro é bem interessante porque não traz somente a história de um ou outro produto, mas informa sobre um dado momento histórico, tal como os já editados em português pela Jorge Zahar: Vinho e Guerra, O Vinho mais Caro do Mundo, Champanhe, História do Mundo em 6 Copos. Segue a resenha abaixo, enquanto aguardamos a edição em português.
A Kick From Champagne Reviewed by JANE and MICHAEL STERN Published: December 25, 2008
“The Widow Clicquot,” Tilar J. Mazzeo’s sweeping oenobiography of Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin, is the story of a woman who was a smashing success long before anyone conceptualized the glass ceiling. Her destiny was formed in the wake of the French Revolution when, Mazzeo suggests, “modern society — with its emphasis on commerce and the freedom of the individual — was invented.” Barbe-Nicole, daughter of a successful textile maker turned Jacobin, is portrayed as someone whose way of doing business helped define the next century.
Fate cursed or blessed her with the mantle of early widowhood. Her husband, a winemaker from whom she learned the craft, died when she was 27, leaving her a single mother — the veuve (widow) Clicquot. Officially, the cause of François Clicquot’s death was typhoid, which was then commonly treated by feeding the patient Champagne, believed to strengthen the body against what was known as malignant fever. “To think that a bottle of his own sparkling wine might have saved François!” Mazzeo writes, going on to speculate that it is also possible he killed himself because business wasn’t good.
Already savvy about winemaking, Barbe­-Nicole plunged into a new life. Despite contemporary mores and the Napoleonic Code, which emphasized a woman’s role at home, she was not alone. She saw the success of such wine merchants as the widow Germon, the widow Robert and the widow Blanc, and understood that widows were the “only women granted the social freedom to run their own affairs.” With the gate open, she was off and running with spectacular results.
What a prescient entrepreneur she was, with a business outlook that sounds more 21st century than 19th. Toward the end of her life, in the 1860s, she wrote to a great-grandchild: “The world is in perpetual motion, and we must invent the things of tomorrow. One must go before others, be determined and exacting, and let your intelligence direct your life. Act with audacity.”
Her audacity was unleashed at the right time. Napoleon’s abdication in 1814 was cause for toasts among both the British and Russians. “Champagne,” Mazzeo writes, “was on its way to becoming another word for mass-culture celebration.” While the war’s naval blockade still paralyzed commercial shipping, Mme. Clicquot conspired to sneak a boat around the armada, delivering 10,000 bottles of high-proof, cork-popping 1811 cuvée Veuve Clicquot to Königsberg, where it sold for the equivalent of $100 per bottle. When the powerhouse 1811 reached St. Petersburg, Czar Alexander declared he would drink nothing else. Within two years the widow Clicquot was “at the helm of an internationally renowned commercial empire — and she was one of the first women in modern history to do it.” People said she had conquered Russia with Champagne; soon, London clubgoers simply asked for a bottle of “the Widow.”
As much about Champagne itself as about the woman who helped elevate it to celebrity status, “The Widow Clicquot” reveals that the wine’s history is as filled with faux folklore as a glass of it is with tiny bubbles. For one thing, Dom Pierre Pérignon did not invent it. The oft-told fable is that Dom Pérignon, the cellar master at the Hautvillers abbey, took a first sip and cried out to his fellow monks: “Come quickly! I am drinking the stars!” A charming tale, but bogus. Mazzeo says that for a decade after 1660, when Dom Pérignon gained fame as a master blender, he steadfastly worked at ways to prevent wine from developing bubbles. “In the 17th century,” she reports, “winemakers were anything but delighted by the voluntary sparkle that developed in their casks come spring.” Champagne did not even originate in France. While Dom Pérignon was struggling to stamp out bubbles, British oenophiles already were drinking sparkling wine made from Champagne grapes. Why? Customers rich enough to buy whole barrels realized they had to do something to keep their prize from turning to vinegar. They put still wine from Champagne into sturdy British bottles, sometimes with a little brandy to act as a preservative. At some point, somebody realized that sugar bottled with the wine would start a secondary fermentation, creating Champagne. Bubbly was not invented; it was discovered by accident.
At its beginning, Champagne scarcely resembled the dry, fine-fizzed champers we know today. Whereas a modern demi sec might contain 20 grams of sugar per bottle, the Champagne of Mme. Clicquot’s time held 10 or 15 times that much and was served as icy as a Slurpee. Nor did the original stuff have elegant little bubbles to tickle your nose. Veuve Clicquot customers complained about bubbles so big and gassy that they left the wine topped with a beery foam. Madame Clicquot disparagingly called the unwelcome froth “toad’s eyes,” and was determined to make better bubbles. Although she was head of the company, her devotion to the craft of wine making never wavered; she worked with her cellar master to devise a riddling rack to facilitate remuage, the process by which sediment is drawn from the liquid to the bottle’s neck. Her obsession with creating a beverage as clear as a flawless diamond may well have been her most important achievement. Without it, Mazzeo writes, “Champagne could never have become the world’s most famous wine.”
Jane and Michael Stern are the authors of “Roadfood.”

Árvore de Natal de Livros

Não tenho a fonte original da criação desta árvore de Natal. Tirei-a do blog Palavras Partilhadas, de Paula Silva. Achei a idéia fantástica ! E vocês ?

24 de dezembro de 2008

Mais um dia especial na Livraria Timbre

Este é o time da Livraria Timbre, que mais uma vez ofereceu um Natal de livros. Tive a oportunidade de participar deste momento especial, no qual a sensibilidade - com pessoas e livros - e a objetividade resultam num serviço de excelência. Na Timbre, todos os dias são especiais, mas no dia 24 é quando o atendimento é colocado a toda prova.
Na primeira foto: Sabrina, João, Janaína, Ana e Marcos.
Na segunda foto: Rosana e Kiki.
Na terceira e quarta fotos: a alegria de Janaína e João.
A vocês todos da Livraria Timbre o meu muito obrigada!

23 de dezembro de 2008

Estou Lendo...

A Kiki, da Livraria Timbre, me indicou Uma Real Leitora para ler, que já comecei a devorar. É um dos livros que recomendamos para presente de Natal. O livro fala sobre uma leitora, a Rainha, e a redescoberta da literatura. O guia no mundo dessa leitora é o personagem Norman, um rapaz que trabalha na cozinha do castelo e que é promovido a amanuense. Interessante palavra: amanuense - sempre encontrei esta palavra mas nunca soube o seu significado, que é pessoa que toma ditados, copia manuscritos, ou seja, um assistente literário (definição do próprio Alan Bennett). Numa das passagens do livro, a Rainha fala de como através da literatura passa a conhecer as pessoas. E é verdade, pois mesmo que seja ficção, através dos livros conhecemos pessoas de verdade, pois sobre quem escrevem os escritores ?E a partir do gosto por esse mundo, a Rainha passa a fazer a campanha da leitura, recomenda livros até para o seu motorista. Não vou me alongar, aliás, estou me segurando para não contar sobre a história. Descubram mais lendo Uma Real Leitora.
Sobre o Autor: Alan Bennett tornou-se um dos mais respeitados dramaturgos britânicos com Beyond the Fringe, nos anos 1960. Talking Heads, série para TV, é considerada um clássico dos tempos modernos, assim como muitas de suas obras para o palco como Forty Years On, The Lady in the Van, A Question of Attibution e As loucuras do rei George ( que o autor adaptou para o cinema, em uma produção indicada ao Oscar). Na Broadway, Fazendo história recebeu diversos prêmios, entre eles seis estatuetas do Tony (incluindo a de melhor peça).

22 de dezembro de 2008

Simplesmente Sophia

Estou dialogando com os blogs Palavras Partilhadas e Esquina do Desacato, que neste semana publicaram palavras sobre Fernando Pessoa e algumas poesias. Como vos disse anteriormente, prefiro simplesmente diálogos a monólogos. Portanto, trago para dialogar com Fernando Pessoa minha querida Sophia de Mello Breyner Andresen.
Desejo compartilhar convosco o belo Poesia ou a bela poesia.
Poesia Sophia de Mello Breyner Andresen
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.

Danusia Barbara e Danuza Leão - 1001 Vinhos & Moby Dick

Encontro bárbaro de Danuza Leão e Danusia Barbara na Livraria Timbre ! Não percam !
Já publiquei um post sobre o livro da Danusa. Sobre o Guia Danusia Barbara de Restaurantes do Rio, nem preciso falar. É referência.
Agora, uma edição brasileira primorosa, lançada e elogiada recentemente, é Moby Dick, pela Cosac & Naify. Capa maravilhosa, informações para leitura, fortuna crítica, tradução - não foi à toa que Cora Rónai elogiou.
1001 vinhos para beber antes de morrer - dicas maravilhosas para uma vida longa!
Então? Não perca!

20 de dezembro de 2008

Mais Dicas de Natal da Livraria Timbre

Confesso que adoro fotografar prateleiras e vitrines de livrarias - preciso dizer qual em particular?
Bom, nesta reta final para a escolha de livros para presente de Natal, destaco:
Le Corbusier - Le Grand
Maravilhoso ! Quem ganhar não vai esquecer. Belo livro de arte e projetos.
À Mesa com Burle Marx
Projetos paisagísticos acompanhados de receitas deliciosas. Particularidade: a edição tem capas em cores diferentes: azul, vermelho, laranja, amarelo.
Isabel Allende e John Le Carré
Estão disponíveis os títulos mais recentes. Confira!
Uma Real Leitora
Livro despretensioso, com uma capa simples, mas que é uma leitura gostosa sobre uma biblioteca itinerante descoberta pela Rainha.
São tantas as dicas... Para o Papai Noel não será suplício algum escolher o presente lá ! Você sabe onde...

14 de dezembro de 2008

Outras Dicas de Natal da Livraria Timbre

Uma boa livraria deve ser viva. O que isso significa? Que precisa ter novidades, novas cores e formas que captem o olhar atendo do leitor, do cliente. Livrarias onde os livros não "respiram", tornam-se depósitos tristes e sem energia. A cada dia que entro na Timbre, novos livros surgem nas prateleiras, como se fosse um balé, onde um dá lugar ao outro para uma dança de pares. Esse balé facilita a busca do leitor por títulos novos ou por outros não tão recentes. É preciso estar atento às matérias que saem no jornal, ter os livros mencionados à mão. Seguir os livros adaptados ao cinema. Seguir a tendência de seus leitores. Oferecer autores de qualidade, às vezes não conhecidos do público, pois há poucos meios de divulgação do mercado editorial, comparado ao número de lançamentos. Há uma imagem romântica que persegue todo livreiro : a de que vive nas livraria somente para ler. Se não fosse o árduo e delicioso trabalho dos livreiros em escolher títulos, arrumar prateleiras e vitrines, preparar a casa para a festa de encontro dos livros com os leitores, com certeza, as pessoas não retornariam.
Bom, digo isso tudo para justificar que, além dos livros sugeridos no post anterior, surgem outras pérolas nas vitrines e prateleiras da Timbre.
Para os infantes, há o livro O Que É Que Tem o Meu Cabelo?, que tem como personagem um leão, de juba desgrenhada, que vem com espaços para as crianças colocarem seu rosto e ficar com jubas divertidas. Eu me identifiquei completamente com o leão! Não coloquei a imagem, mas outro livro que chegou e pelo qual me apaixonei foi 365 Pinguins. Ambos os livros muito bonitinhos e fofos!
Junto com a Agenda Carioca, temos agora o Guia de Restaurantes da Danusia Barbara e o Addresses, sempre úteis.
Na parte de Design de Interiores, a coleção The Way We Live In the City, By the Sea e With Colours. Se quiser conhecer mais sobre a coleção, leia meu post mais antigo sobre The Way We Live Alfresco.
E outro novo é New Art City, sobre o mundo das artes em Nova Iorque.
Na vitrine, há O Homem que Roubou Portugal, ná area de Jornalismo e que foi muito procurado no final de semana.
Como a livraria é viva, ao longo da semana vou apresentando outras novidades. Em tempo, já vou abrir o próximo livro da fila de leituras.
Surpresa até o próximo post O Que Estou Lendo Agora.

9 de dezembro de 2008

Dicas de Natal da Livraria Timbre

Não sei se a imagem ficará legível, mas insisti em colocá-la no blog para anunciar que estarei na Livraria Timbre no período de Natal, para reencontrar as pessoas e os livros. As dicas da Timbre são impecáveis. Há livros para todos os gostos: arte, romances, jornalismo, design. Para aqueles que gostam de dar e receber livros, será um prazer atendê-los neste lugar encantado. Meu horário será o da noite, a partir das 18 horas.
Meus amigos, leitores, apareçam !
Cliquem na imagem e espiem o que há de melhor para presentear.
Livraria Timbre
Shopping da Gávea
2º Piso
Rio de Janeiro
Tel. 2274-1146

8 de dezembro de 2008

Fazendo as Malas - Danuza Leão

Para começar, dá vontade de fazer as malas mesmo. A escrita de Danuza é gostosa e envolvente, ninguém pode negar. É uma escrita também cheia de vigor e vida. Sevilha, Lisboa, Paris e Roma. Faça as malas, já! É uma das dicas de presente de Natal da Livraria Timbre. E toda essa viagem causada por uma insônia! O interessante do livro é que as dicas são de quem vive no lugar, não aqueles mesmos roteiros que os guias de turismo indicam. Aliás, interessante esse negócio de escritores indicarem caminhos e peculiaridades das cidades, tal como fez Hemingway, (Paris é uma Festa), Gertrude Stein, Goethe, Edmund White, Fernando Pessoa, Jose de Saramago e tantos outros - perdoem-me a ignorância e o esquecimento de quem mais escreve sobre lugares do mundo.
Um dos trechos que mais gostei, justifico pela minha predileção e encanto pela forma como falam os portugueses:
"No Brasil, brinca-se muito com a maneira como falam os portugueses; porém, se refletirmos, veremos que eles fazem um uso da língua mais lógico que nós. Sua lógica é mais literal, digamos. Em Portugal, um brasileiro perguntou ao porteiro do hotel onde era o metrô, e ele respondeu: "Ora, abaixo". Se tivesse perguntado pela estação do metrô, a resposta não estaria certa, mas o metrô, é claro que está abaixo."

4 de dezembro de 2008

A Matemática da Formiga

Com muita felicidade soube que Daniela Beccaccia Versiani, minha amiga de PUC, lançou a 2ª edição de Matemática da Formiga (adoro esse título!). Um dos livros que está na minha lista de releitura, pois, como se não bastasse ler as novidades, ainda somos desejantes de reler obras que nos marcam e que carregam nossa alma dentro, nossas pegadas.
Vou dar voz à Daniela, colocando aqui alguns fragmentos do livro:
"Eu desejo em meu corpo a Via Láctea, um mar de estrelas espalhadas, lindas. Eu desejo profundamente a bondade de Deus. Ainda que eu saiba que sou apenas cultura concentrada em um corpo..."
"Quantas coisas se perdem, diluídas no tempo e no entanto, às vezes, naquela minúscula fração de segundos, também o tempo sofre as flexões, os diminutivos, os aumentativos, comprimindo-se ou distendendo-se com a necessidade dos vivo, de onde se conclui que a gramática já dava conta da teoria da relatividade muito antes de Einstein nascer."
Apesar de ter sido treinada para escrever sobre livros de forma mais técnica, prefiro recomendar livros com a paixão de leitora.
Abaixo, segue uma breve resenha de Cláudia Fonseca, publicada no Almanaque Virtual:
Cada vida humana segue um rumo diferente, e a sociedade caminha por um curso ilógico ou repleto de toda inexplicável lógica. A humanidade busca sua integração em um espaço cada vez mais fechado, que teoricamente possibilita a inclusão de todos, mas acaba excluindo muitos sem justificativa palpável. Esse cotidiano coletivo é regido por situações corriqueiras, mas que podem encantar, surpreender ou chocar por sua simplicidade, dramaticidade ou crueldade. No romance A matemática da Formiga, de Daniela Beccaccia Versiani, essa comum relação tão coerente, mas tão abstrata, é revelada em uma série de situações que seguem cálculos simples, quem sabe incompreensíveis, mas que estão lá e nunca falham. A obra que chega à segunda edição apresenta situações comuns, vividas por pessoas comuns. Nenhum fato surpreendente, nenhum grande acontecimento ou reviravolta. São apenas casos que ocorreriam com você, com seu vizinho, ou com seu amigo. Mas vão além de uma simples narrativa quando possibilitam uma análise sobre a condição humana ao expor questões religiosas, políticas e filosóficas a partir desses simples acontecimentos, vivenciados por personagens que têm relações em comum, mas nunca se encontram. Uma mulher se rende à agressão do marido pois precisa de alguém que cuide ela. Uma mãe não deixa que sua menina brinque com a filha da empregada. Um homem teme a morte por nunca ter pecado e, consequentemente, não ter motivos para sentir culpa, se arrepender e ser perdoado por Deus. Um jovem trabalhador negro é agredido por policiais que atribuem à sua cor a participação em uma gangue local. Um taxista é morto por discutir com um de seus passageiros. Realidades diferentes, interligadas de algum modo à mulher que narra sua vida insípida, e tem uma companheira distante e desconhecida, mas que serve como consolo para suas reflexões e desabafos. A linguagem poética utilizada por Daniela cria diferentes possibilidades de interpretação na narrativa de um simples sonho, uma ida ao supermercado, um banho demorado, um lençol lavado. Uma mulher tem muitos nomes, mas é uma só, em toda a sua vida. Todos os homens têm um nome só, mas parecem ser sempre os mesmos, nada muda, tudo continua igual. E cada um segue seu destino, tão comum e tão complexo, sem imaginar no vôo da borboleta do outro lado do continente, desconhecendo a matemática da formiga, tão desconexa, mas sempre presente.

3 de dezembro de 2008

Palavras Partilhadas - Prêmio Dardos

Hoje, tive a feliz notícia que o blog Palavras Partilhadas recebeu o Prêmio Dardos, que homenageia os blogs que transmitiem valores culturais, éticos, literários, pessoais, que demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os bloguistas, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web (palavras de Paula Silva).
Quem recebe o Prêmio Dardos e o aceita deve seguir algumas regras:1. Exibir a distinta imagem;2. Linkar o blogue pelo qual recebeu o prémio;3. Escolher 15 outros blogues a quem entregar o Prémio Dardos.
O blog Palavras Partilhadas indicou, em toda web, na sua lista de 15 blogs o Lector In Fabula. Desejo compartilhar com os leitores a felicidade deste reconhecimento colateral. Solicito aos leitores que participem com seus comentários e opiniões, para que se seja construída uma rede sem fronteiras neste mundo da arte que é a literatura.
E agradeço, particularmente, à Paula Silva e ao Palavras Partilhadas pela indicação.
Em homenagem às Terras Portuguesas, termino com palavras de Lídia Jorge:
"O Mundo é uma extensa narrativa, mas quem lhe tece a intriga, grande ou pequena, somos nós."

29 de novembro de 2008

Há Livros para Crianças que Falam para Nós, Adultos

Um velho hábito que tenho é, numa livraria, nunca ignorar as prateleiras infantis. Devo dizer que em boas livrarias há sempre excelentes prateleiras para infantes. É como se, numa alegre subversão, nós, adultos, pudéssemos reencontrar a face que carregamos escondida por toda vida. Mas ela está sempre lá, espreitando a chance de reaparecer. E isso me dá alegria...a infância. Há um livro chamado A Árvore Generosa, um clássico de Shel Silverstein, publicado em 1964 e editado pela maravilhosa editora Cosac Naify. Para mim o livro é uma declaração de amor às árvores e à vida. Em páginas ilustradas pelo autor, acompanhamos a transformação de nosso ser da fase infantil à fase adulta, com todas as suas nuances e peculiaridades. E a árvore permanece lá, em toda a sua essência, majestosa. A própria essência da vida, regada de valores e ética. Keila Vieira, do blog Talhos e Retalhos, colocou no Twitter hoje que "seguem-me idéias sobre o quanto os livros guardam a presença de seus leitores... ". Concordo que cada livro que escolhemos como companheiro em nossa estante, mesa, criado-mudo guarda a nossa presença, nossos segredos, nossas angústias, nossas alegrias e sentimentos. Não li A Árvore Generosa quando estava na infância, mas não perdi a chance de lê-lo na fase adulta. Para quem não leu, procure na livraria. Se já leu, garanta para a próxima geração o conhecimento deste texto. Se tiver dificuldade de encontrar, e estiver no Rio de Janeiro, procure na Livraria Timbre ou na Livraria Malasartes.

A Ratoeira do Escritor Espanhol Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón é do tipo de escritor que envolve o leitor através de palavras e enredos mágicos de suspense, emoção e diálogos fortes. Quando li A Sombra do Vento, quase desisti, confesso. Me senti um rato na ratoeira quando, perto do momento de fechar o livro e partir para outra leitura, o estalo do aço vindo ao meu encontro, desvendou armadilhas da trama e o ritmo de minha leitura não cessou até chegar à última página. Tenham coragem de lê-lo, pois a recompensa final é uma leitura desafiadora e apaixonante do mais íntimo sentimento do ser humano. Uma leitura para quem ama livros. Uma leitura que levá-nos para Barcelona. Uma leitura de personagens vigorosos. O Cemitério dos Livros Esquecidos, para mim, é um local que possui vida própria e torna-se também um personagem...que retorna.
O Jogo do Anjo é um livro inquietante! Acabo de lê-lo e simplesmente desejo abrir a primeira página de novo. O suspense está mais presente do que em A Sombra do Vento. A cada página, acontecimentos mágicos e irreais embassam a imaginação, levando-nos para um caminho que se bifurca. É um livro mais sombrio, com toques de ilusionismo. Impossível não montar um filme e imaginar cada página lida como uma cena...com toques de escuridão que nos despistam de uma leitura simplesmente linear. Se pudesse descrever a atmosfera da leitura, diria que entrei no labirinto do Cemitério dos Livros Esquecidos ou nas escadas da Casa da Torre - outro local que vira personagem.
O Jogo do Anjo, com certeza, deveria virar filme.
Deixaria o Código Da Vinci no chão.
Vamos aguardar e ver o que acontecerá com este livro.
Sobre a encomenda de um livro, diz o personagem Andreas Corelli a David Martín:
"O que quero é que encontre um modo inteligente e sedutor de responder às perguntas que todos fazemos e que o faça a partir de sua própria leitura da alma humana, colocando sua arte e seu ofício em prática. Quero que me traga uma narrativa que desperte a alma."

22 de novembro de 2008

A Nova Velha Biblioteca de Alexandria - Questões Brasileiras

(Fotos do interior da Biblioteca do Congresso Americano e da nova Biblioteca de Alexandria)
Ainda na época de universitária, durante a minha graduação, e isso faz um tempinho, ouvi o Diretor do Departamento Nacional do Livro, àquela época, durante uma conferência no RDC da PUC-Rio, dizer que com o desenvolvimento das novas mídias digitais o livro impresso iria sucumbir. Confesso, fiquei chocada, estarrecida. Logo o Diretor do DNL dizer publicamente uma coisas dessas? Como? Tempos depois, não muitos, estagiei na Fundação Biblioteca Nacional. Encontrei o mesmo diretor, com o mesmo discurso. Posso confessar uma coisa? Nunca acreditei e não acredito nessa profecia!
Estamos num momento da história em que podemos contar com uma quantidade enorme, infindável de ferramentas que, numa primeira impressão, parece deslocar o lugar do livro impresso, o papel, aquele que a gente gosta de segurar com as mãos e sentir o cheiro, para a sombra e escuridão. Mas, tenho percebido, por um outro lado, que essas mídias são meios para que os jovens, principalmente, sejam seduzidos pela palavra e pelo texto. Muitos, em seguida, se transformam em leitores e frequentadores de bibliotecas e livrarias.
Keila Vieira, do blog Talhos e Retalhos comentou: "O único medo que tenho da digitalização é o aumento da possibilidade de perda de todo esse conteúdo. Pois, ao lado desse pensamento, muitas vezes, segue-se a idéia de desuso do material impresso que pode ser simplesmente jogado no lixo enquanto a possibilidade de perda de material digital é muito maior. O que acontece em muitas bibliotecas mundiais. Acho que devemos ficar atentos sobre as medidas de conservação que caminham juntas".
Eu acho que devemos ter a atenção sobre o arquivo impresso. Eu, aliás, tenho certeza que muitos organizadores de bibliotecas e acervos virtuais estão preocupados com isso. Vou citar dois exemplos rápidos:
1) tenho uma amiga, minha querida Teresa Cristina Montero, especialista em Clarice Lispector, que fez parte do seu doutorado no Canadá, pois lá ela encontrou um acervo de Clarice que no Brasil não há. Pasmem!
2) a Biblioteca do Congresso Americano, a maior biblioteca do mundo, possui acervo físico de mais de 130 milhões de itens diferentes em 480 idiomas, envia seus funcionários aos países para comprar tais volumes e aprimorar acervo - trabalhei numa livraria, não qualquer livraria posso dizer, que recebia esses visitantes especiais. E sempre foi um prazer recebê-los, pois sabia que o acervo de cultura brasileira estava assegurado para a humanidade.
Na minha opinião, esses exemplos demonstram que não há integralmente a política do descarte do livro impresso. Na Europa eu realmente não sei como funciona. Mas, eu durmo mais tranquila.
Uma outra questão que sempre me vem a mente é "Que jovem leitor é esse?"
Conheço muitos jovens que não passam por esse conflito livro físico e livro virtual, pois já foram educados para a leitura, que já tem o hábito. É sempre uma surpresa boa. Outro dia, eu estava na praia de Ipanema e o sobrinho de uma amiga comentava o livro que estava lendo. Foi uma maravilha ouvi-lo falar sobre as impressões de leitura. Isso é maravilhoso de ouvir. Ele teve acesso. Ele foi educado. Na família, com certeza, há indivíduos que tiveram a atenção e preocupação em um dia estender-lhe uma brochura, um livro. Mas se o jovem não tiver algum incentivo, como vai descobrir o prazer de ler? Vai depender das novas mídias.
Por outro lado, nas minhas viagens de mobilização social pelo Brasil, percebi que as realidades são várias. Há jovens que, infelizmente, não sabem ler; que infelizmente não tem o que comer; que infelizmente não possuem família ou alguém que possa lhes estender a mão e dar um livro ou ensinar-lhes a ler.
Há projetos implementados no nordeste do Brasil, onde um telecentro chega antes do telefone público. Locais onde não há papel, onde não há água, onde não há comida. Mas a internet chega como uma janela de possibilidades para o mundo. Essa janela incentiva o indivíduo a melhor as condições de vida da sua comunidade. A internet traz informação, conhecimento e saber. E muitos jovens desses locais lêem e pesquisam na tela de um computador. É uma forma de desenvolver a cidadania, de promover a leitura do mundo.
Mas, com a experiência dos anos, tenho aprendido e visto que há pessoas que gostam de ler e outras que não gostam de ler. Há pessoas que comem carne e outras não. Há pessoas que gostam de azul e não de amarelo.
A nova velha Biblioteca de Alexandria está aí. Sempre estará.
Os velhos novos leitores,editores e livreiros também.
As crises acontecerão.
O importante é manter o equilíbrio e quando puder não deixe de estender ou contar uma história para quem estiver ao seu lado. Esse livro, essa história circulará e a história não morrerá. Felizmente.
PS 1: Acredita-se que a Biblioteca de Alexandria tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papirus.
PS2: Não deixem de ler o romance O Historiador, de Elizabeth Kostova. Abstraiam a informação história de "vampiro". É um dos livros mais apaixonantes que já li sobre o acervo mundial de livros.
Boa leitura para todos, sempre!

Livros e Internet II

Internet e livros se unem em site sobre literatura Folha Online
Acostumados com a leitura dinâmica oferecida pela internet, um grande número de jovens não têm paciência para se dedicar aos livros. Para mudar um pouco a imagem de que a web é inimiga da literatura foi criado recentemente no Brasil um site que apresenta ao internauta escritores e suas obras por meio de minidocumentários em formato de clipe.
Trata-se do LivroClip, um site abastecido com 148 vídeos com tempo médio de cinco minutos cada. Neles, a vida de autores --como Alvares de Azevedo-- e suas obras são mostradas em forma de animação e acompanhada por trilhas sonoras de artistas populares, especialmente de rock.
Munidos apenas da animação e da trilha, o site transforma o enredo das obras literárias em uma espécie de trailler de cinema ou conta a vida de um autor transportando a realidade dele para o presente.
Um dos melhores exemplos é o vídeo "Álvares de Azevedo, o Poeta Rock N' Roll". Ao som de uma música da rockeira Pitty, os autores afirmam que existe a suspeita de que o autor de "Lira dos Vinte Anos" frequentava reuniões macabras.
Por meio de seus poemas, também é dito que ele gostava de "sexo e drogas". Ao questionar se ele também gostava de rock n' roll, aparece o verso "Os meus cantos de saudades são amores que chorei".
Na mesma página de cada clipe há um resumo sobre o autor, outro sobre sua obra e um link para baixar os livros que estão disponíveis na web.
Uma das últimas animações postadas conta a história da escritora Hilda Hilst ao som da cantora teen Malu Magalhães. "Unir a popularidade da Mallu Magalhães com a fabulosa história de Hilda Hilst é um forma de aproximar a escritora dos jovens", afirma Luiz Chinan, diretor do LivroClip. Realizada com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de SP, o LivroClip participou da última Bienal do Livro de São Paulo e foi selecionado pelo Ministério da Educação para integrar o Banco Mundial de Recursos Multimídia, que está em desenvolvimento com cinco universidades brasileiras.

20 de novembro de 2008

Uma Parede de Livros do Designer Holandês Jan Van Hoof

Em andanças pela internet, me deparei com esta polêmica parede de livros. Algumas pessoas criticaram Jan Van Hoof, dizendo que seria melhor usar o tempo lendo do que fazendo a tal parede. Isso lá na Holanda. Se fosse aqui no nosso país, óbvio, todos nós diríamos para doar as coleções para as bibliotecas públicas das cidades do interior, para as bibliotecas itinerantes e tantas outras iniciativas, como aquela no Distrito Federal, onde um açougueiro instalou uma biblioteca, se não me engano, no ponto de ônibus. Mas arte é arte e o gosto é individual. Eu, particularmente, não vejo mal algum em utilizar livros como elemento numa obra. Me incomoda mais artistas que deixam cães morrendo ao longo de exposições para exibir o seu resultado final : a crueldade disfarçada de protesto...hipocrisia humana.
Segue, abaixo, o trecho da matéria sobre a exposição do designer holandês.
Dutch designer Jan Van Hoof exhibited a wall made of cut-up books at the Design Academy Eindhoven graduation show as part of Dutch Design Week earlier this month.
The following is from Jan Van Hoof: With the project storyboard I have tried to give a new dimension to the recycling of books. Everyone has a lot of books and the collection of books is always growing, when there is no space left on the bookshelf, you have to try to get rid of a part of your collection. At first these books get a nice place in a box on the attic, but at some time the books become garbage. Books like this tell us a lot of stories, the story in the book, the story of the book itself as a product what you own with a history and the story as a collection of books. Usually these books are made to new paper and all of this is lost, but with my project storyboard I tried to give the books, with all the stories in it, a new life as a new material. I tear off the covers of the books, cut them in 3 pieces of the same height and glue this pieces together to blocks of 30 cm high and 75 cm wide. These blocks can be used to build a wall like a room divider or as some kind of “wallpaper” and have a sound- suppressing effect.
(by Matylda Krzykowski - dezeen design magazine)

Computadores atraem jovens de volta às bibliotecas

Foi no início do ano que saiu publicada essa informação, mas acredito que ainda está em tempo de divulgar. Saiu no blog Tecneira - Tecnologia, Web e suas Repercussões na Blogosfera- , de Rafael Barifouse, na Revista Época Negócios, em 03/01/08.
Deu na Reuters: norte-americanos com idade entre 18 e 30 anos são os maiores usuários de bibliotecas no país. Em grande parte, isso se dá por conta dos computadores disponíveis para uso público nesses lugares, segundo uma pesquisa divulgada pelo instituto Pew Internet & American Life Project. Essa faixa etária é conhecida como “Geração Y” e é marcada pelo seu entusiasmo pela tecnologia. “Essas constatações viram de cabeça para baixo nossas idéias sobre bibliotecas”, disse Leigh Estabrook, co-autora de um relatório sobre os resultados da pesquisa. “O uso da Internet parece criar uma fome de informações, e são os jovens adeptos da informação que têm maior probabilidade de visitar uma biblioteca.” Além disso, mais de dois terços dos visitantes, seja qual for a sua idade, disseram usar computadores em suas visitas às bibliotecas.
Isso vai de encontro com uma entrevista com Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, publicada na semana passada no jornal O Globo. Nela, Sodré dizia que a conceito de biblioteca como depósito de livros estava morto. Ele usava este argumento para justificar a instalação de computadores em todas a biliotecas abertas no país pela sua instituição nos último ano e pela digitalização de parte do acervo para ser acessado pela rede.

19 de novembro de 2008

Lançamento do Novo Livro de Fernanda de Carmargo-Moro na Livraria Timbre

Atenção, atenção! Novo livro de Fernanda de Camargo-Moro, com lançamento marcado para a próxima terça-feira, 25 de novembro, a partir das 19 horas, na Livraria Timbre, Shopping da Gávea, Loja 221, 2º Piso. Telefone (21) 2274-1146.
Não Percam!
MAR DAS PÉROLAS
Berço de uma das civiliações mais antigas do planeta, os Emirados Árabes estão em constante mudança, vivenciando um poderoso reascimento. Banhada pelo Golfo Pérsico, esta região guarda uma belíssima história geológica, que evoluiu contando mil e umas histórias, abrigando um conjunto de estados que hoje refletem uma imagem moderna de tecnologia avançada, poderosa economia, riqueza em fontes de petróleo, grande influência financeira no mundo ocidental e arquitetura arrojada. Porém , os Emirados não são apenas isso. Essa sociedade cosmopolita, de estilo de vida internacional, tem raízes profundas nas tradições pré-islâmicas e islâmicas da Arábia. E é este contraste entre passado e futuro que a arqueóloga Fernanda de Camargo-Moro nos apresenta neste novo e brilhante trabalho. (texto de divulgação da editora Record)

16 de novembro de 2008

A Fila de Livros que Criamos

Hoje em dia, felizmente, a oferta de livros está alta. Encontro amigos que fazem as suas filas no criado-mudo, na mesa da sala de estar, na cozinha, na mesa do escritório. Outros fazem a lista na cabeça, para saber exatamente o que adquirir no momento em que entram na livraria. Eu mesma vivo um dilema, com tantos títulos interessantes - "mas poderia ser este, antes daquele que me espera em casa".
Tenho agora um desafio delicioso :
A Viagem do Elefante - José Saramago
O Jogo do Anjo - Carlos Ruiz Zafon (mesmo autor da Sombra do Vento)
O Japão por Jun - Jun Sakamoto
O Tigre Branco - Aravind Adiga
Dewey - Um Gato entre Livros - Vicki Myron
O Ladrão de Tumbas - Antonio Cabanas
O Arroz de Palma - Francisco Azevedo
A Feiticeira de Florença - Salman Rushdie
New Art City - Jed Perl
As Nuvens - Juan José Saer A Sociedade Individualizada - Zygmunt Bauman
O Homem que Roubou Portugal - Murray Teigh Bloom
Crônica da Estação das Chuvas - Nagai Kafu
Contos da Palma da Mão - Yasunari Kawabata
Entre Outros...
Então, faça a sua lista e vá para a livraria!

6 de novembro de 2008

Coisas interessantes acontecem no mundo dos livros ? Sim !

Scribd, KindleBooks, Plugme e outras Ferramentas para Leitura
Antes de terminar a série sobre Keitai Shosetsu, descubro ferramentas interessantes que estão disponíveis, mas nem todo mundo conhece. Ontem, procurando textos de Fritjof Capra, cheguei ao Scribd, uma rede onde você pode publicar seus textos e baixar outros. Você se cadastra e monta sua página, com textos favoritos. Achei a proposta ótima. Vamos publicar nossos textos?
Outro gadget que eu conheci, justamente no ano de lançamento, foi o KindleBook, leitor de e-books que permite o download de obras via celular. Leia matéria abaixo:
Amazon já vende Kindle, leitor de e-books Segunda-feira, 19 de novembro de 2007 - 15h32
NOVA YORK - A Amazon estreou as vendas de um leitor de e-books que permite o download de obras via celular. O dispositivo é a mais recente tentativa de atrair consumidores para aparelhos portáteis de leitura. O "kindle" custa 399 dólares e permite que o usuários faça download de livros, jornais e blogs com conexão pela tecnologia celular de alta velocidade EVDO. O aparelho pode armazenar cerca de 200 livros baixados do site da Amazon ao custo aproximado de 10 dólares por um lançamento. O dispositivo pesa cerca de 300 gramas e o download de um livro inteiro leva menos de um minuto, afirmou a Amazon. A tela do equipamento não é iluminada por trás. Como um livro, o "kindle" usa tecnologia de tinta eletrônica para simular o papel. Um leitor de ebooks da Sony tem tecnologia semelhante, mas não tem acesso sem fio a conteúdos. A Amazon também vai oferecer assinaturas de jornais, revistas e blogs compatíveis com o aparelho via cobrança de uma taxa mensal dos usuários. Assinaturas de jornais como The New York Times ou The Wall Street Journal variam de 5,99 a 14,99 dólares. Por Kenneth Li, da Reuters
Livros para Ouvir
Agora temos no Brasil uma nova iniciativa com os ÁudioBooks, publicados pela PlugMe, empresa do grupo Ediouro. Os títulos para a primeira leva são variados: As Memórias do Livro, Ano do Pensamento Mágico, Quando Nietzsche Chorou, Perdas e Ganhos, Marley e Eu. A PlugMe tem também um blog, visitei e gostei. Passe lá também! No blog deles encontrei uma notícia sobre o ConnectBook da Nokia - com o Connect Book, grandes clássicos da literatura e best sellers da atualidade disponibilizados de graça em formato áudio para downloads pela internet ou na própria Nokia Store. Você baixa para o seu celular e escuta na hora que preferir: no trânsito, caminhando pela rua, no metrô, na sala de espera ou onde mais você quiser.

Caso você conheça alguma outra ferramenta interessante, compartilhe seu conhecimento conosco. Envie um comentário para ser publicado.

28 de outubro de 2008

Livraria Timbre no Solar dos Abacaxis

Tive o grande prazer de representar a Livraria Timbre, do Shopping da Gávea (RJ), no evento Arte em Laranjeiras e Cosme Velho, que aconteceu dias 18 e 19 de outubro, no Solar dos Abacaxis. O evento, organizado por Isabel Vidal e Leila Victor, trouxe movimento e cultura para os bairros. A construção, que pertence à Família Carneiro de Mendonça, abriu no final de semana para uma grande exposição coletiva de artistas plásticos, designers, fotógrafos, ceramistas, entre eles Augusto Oiticica, Beto Felício, Dulce Marine, Patricia Hubbard, Sandra Signoretti, Silvia Levy. Há muito tempo o Solar não era aberto ao público, que prestigiou o evento e se encantou com a construção de 1843, realizada pelo arquiteto José Maria Jacinto Rabello, discípulo de Grandjean de Montigny, para o Comendador Manuel Borges da Costa. A casa é um dos poucos exemplares de chalé neoclássico de estilo híbrido. Alguns anos depois foi vendida e em 1944 retorna às mãos da família do Comendador por meio de sua bisneta, Anna Amelia, e de seu marido, Marcos Carneiro de Mendonça. O casal decide, então, restaurá-la conforme as plantas originais, aproveitando para construir garagem, varanda e terraço. Montamos a Timbre na copa. A inspiração da curadora Marina Mercanti para o ambiente foi o poema de Fernando Pessoa, Eros e Psiquê, com um fio de hera descendo do teto com apliques de lágrimas de cristal. Foram trazidos os romances mais vendidos, livros de arte, cinema, gastronomia (já que estávamos perto da cozinha, e que cozinha!). Um ambiente harmonizado e propício para a leitura. Não há como dissociar arte, café e livraria.
Para ver mais fotos e história sobre o Solar, acesse http://www.bairrodaslaranjeiras.com.br/.
Para encontrar os melhores livros e uma equipe muito especial, não deixe de visitar a Livraria Timbre, Shopping da Gávea, 2º Piso.
Abaixo, o poema que inspirou o ambiente da livraria, e que fala sobre a passagem do tempo:
Conta a lenda que dormiaUma Princesa encantada/
A quem só despertaria/Um Infante, que viria/De além do muro da estrada. / Ele tinha que, tentado,/Vencer o mal e o bem,/Antes que, já libertado,/Deixasse o caminho errado/Por o que à Princesa vem./ A Princesa Adormecida,/Se espera, dormindo espera,/Sonha em morte a sua vida,/E orna-lhe a fronte esquecida,/Verde, uma grinalda de hera. / Longe o Infante, esforçado,/Sem saber que intuito tem,/Rompe o caminho fadado,/Ele dela é ignorado,/Ela para ele é ninguém. / Mas cada um cumpre o Destino/Ela dormindo encantada,/Ele buscando-a sem tino/Pelo processo divino/Que faz existir a estrada. / E, se bem que seja obscuro /pela estrada fora,/E falso, ele vem seguro,/E vencendo estrada e muro,/Chega onde em sono ela mora,/ E, inda tonto do que houvera,/À cabeça, em maresia,/Ergue a mão, e encontra hera,/E vê que ele mesmo era/A Princesa que dormia.

Agradeço especialmente o carinhoso convite de Christiana Machado, que com tanto amor e esmero compartilha, há 25 anos, livros de qualidade com o público carioca.

10 de outubro de 2008

Keitai Shosetsu : Romances de Celular – PARTE III

Sempre tive uma queda pelos japoneses, eles estão sempre tão à frente, são visionários, nas artes, na arquitetura, na literatura, claro na tecnologia, apesar de todo ritual da tradição. Será que o Brasil tem capacidade de implementar aqui uma coisa dessas – romances de celular ? Acho que só daqui a uns cinco anos...será ?Quem sabe a gente tenta antecipar isso. Que tal, vamos formar um grupo ? Vamos encontrar a forma, a técnica e montar esse negócio ? Mas a pesquisa não terminou por aqui, não. Outro fato que me chama a atenção, e esse pertence à minha área de formação, é em relação à forma do romance de celular. Lembra lá na caixa de texto acima o seguinte fragmento: “elas (as histórias curtas) chegam à telinha sem passar pelo escrutínio de editores. Mas isso pode mudar aos poucos, com a criação de concurso (...)estimular uma melhoria na qualidade das obras.” Então, vamos começar a pensar. Se é um novo meio para veicular o texto, é claro que terá uma outra forma, mais curta, mais breve, menos descritiva. E isso significa perder qualidade ? Necessariamente, não. Aonde esses editores querem chegar ? Quando o romance, como o conhecemos hoje, iniciou carreira no século XIX, também tinha uma forma diferente...para a estética da época. Imagina, antigamente se escrevia em versos, lembra da Ilíada, da Odisséia...só dois exemplos para começar. Isso porque como não havia registro escrito, só memorizando, o registro era oral, para isso seria mais fácil em versos. Com a chegada da imprensa, a forma mudou. E agora, com as novas ferramentas da web, muda de novo. Tudo vai se transformando. Um não é melhor nem pior do que o outro, são apenas diferentes registros. O mais interessante e importante é que quem ganha é o leitor...pois milhares de jovens, que antes não tinham o hábito de ler, agora já o fazem, tanto na forma virtual, como na forma impressa. Lembrem: cinco em dez livros mais vendidos no Japão são primeiro lidos na tela. Koichiro Tomioka, professor de Literatura Japonesa da Universidade Kanto Gakuin, diz que o romance de celular é um novo meio, uma nova forma de reconhecimento para escritores. Alguém sensato, não ? Vamos para a parte IV comentar mais profundamente...

Keitai Shosetsu : Romances de Celular – PARTE II

Continuando nossa viagem pela nova forma narrativa, temos mais alguns fatos e informações. Esse mesmo assunto saiu publicado na BBC, no The Telegraph, no World Business Live, no The Sydney Morning Herald, no The Japan Times e no blog da editora brasileira Contexto. Falando em blog, só uma informação, saiu no site comunique-se – portal da comunicação a pesquisa realizada pela LVBA Comunicação, com 604 jornalistas brasileiros, de diferentes editorias, cujo resultado é 46,2% dos entrevistados consideram blogs mantidos por não jornalistas boas fontes de informação. 40,4% não confiam nos blogs e 13% nunca consultam blogs. Interessante, e se você soubesse que também vale Orkut, Hi5, FaceBook, Flickr...É a expansão do ser humano pela net. Voltando ao keitai shosetsu...
Vamos dissecar um pouco mais essa história para entender como funciona de fato esse negócio de romance de celular. Tudo começa com o conceito do E-Book, que é um livro em formato digital que pode ser lido em mídias eletrônicas tais como computadores, PDA ou celulares. Para tê-lo no celular é imprescindível velocidade, uma tela plana e larga, com excelente definição e acesso ilimitado de download para 3G. É como se fosse o serviço de TV por celular ou outros serviços oferecidos pelas diferentes operadoras de celular, preciso mencionar?. Bom, a Claro tem vários canais (History Channel, Sport Channel, etc) Detalhe, já repararam a quantidade de informações e cursos sobre a TV na internet.Pelo jeito a TV vai “pegar” no celular antes do livro. Voltando ao nosso e-book pelo celular, é aberto então um serviço de download de livros a partir de um site. Foi o caso de Yoshi, que publicou o Keitai Shosetsu chamado Deep Love. Yoshi colocou um site no ar e começou a distribuir seu livro para celular. Os leitores pagam uma taxa mensal e têm acesso a um ilimitado número de títulos, alguns exclusivamente publicados na net, outros já impressos e disponibilizados. Há quinze dias, podemos ver a campanha da TIM que dá acesso ao Orkut pelo telefone. Portanto, é o mesmo processo, só que com livros ao invés de redes sociais. Acho que então compreendemos a tecnologia.

6 de outubro de 2008

Sobre a Escrita no Celular - Comentário de uma Leitora Especial

Acabo de receber da Ana Beatriz um comentário sobre Keitai Shosetsu Parte I.
Gostaria de compartilhar com vocês.
Oi Nélida. Que bom que gente como você ainda tem tempo de ler (e refletir sobre o que lê).
Com o tempo cada vez mais escasso, não dá nem tempo de ler o que, em outros tempos, chamaria minha atenção.
Ontem, depois de alguns meses, consegui ir a uma livraria. Compramos quatro livros: dois para o meu marido, um para a Clara e outro para a Giulia. Nenhum para mim: como estou com quatro livros me esperando, além de inúmeros artigos espalhados na minha mesa aguardando leitura, resolvi tentar concentrar minha atenção neles antes que eles desistam de mim!
O que mais me chamou a atenção foi o número de frequentadores da livraria (de todas as faixas etárias, diga-se de passagem) em um domingo chuvoso: estava lotada.
A proliferação de títulos e editoras é impressionante. É preciso ter público leitor para que todos livreiros e editoras sobrevivam. Isso quer dizer que tudo que se publica é de qualidade? Claro que não, mas as pessoas estão lendo, e isso importa.
Portanto, não posso entrar aqui no mérito da qualidade dos chamados romances de celular. Não conheço, não posso julgar. Mas se funcionam como uma forma de estimular a leitura, ótimo.
O que a nossa geração, e as anteriores, tem dificudade de entender é que o paradigma da leitura mudou. Eu, particularmente, tive e tenho dificuldade de trabalhar o texto na tela do computador por motivo simples (além da falta que me faz segurar o livro, a revista, o papel e tê-los como objetos concretos e dotados de uma certa permanência): a tela rola de baixo para cima e o olho humano está acostumado ao movimento inverso, de cima para baixo, quando diante do texto em papel. Acrescente-se a isso a presbiopia, uma praga para quem já passou dos 40 (antes até, para quem vive forçando a vista diante da tela do computador) e o tamanho reduzido das teclas do celular quando se contempla a possibilidade de interagir com o texto "vivo", e pronto: teremos excelentes motivos para cair de pau nos romances de celular.
É preciso encarar esses fenômenos exatamente como são - frutos do seu tempo e hora. Diálogos e parágrafos curtos são típicos do momento que vivemos - o tempo das respostas imediatas - ainda que o leitmotif dos romances seja o mesmo.
Qualquer um que já tenha visto um adolescente teclar uma mensagem de texto no celular sabe ao que me refiro. Enquanto eu cato milho no teclado do celular, minha filha já enviou e respondeu pelo menos três mensagens. Posso dizer com isso que temo que o fenômeno vá prejudicar a qualidade da linguagem como a conhecemos hoje? Claro que sim. Mas a linguagem evolui com seu tempo. É torcer para não perder o trem da evolução.
Beijo, Ana Beatriz

“O lugar que eu mais gosto neste mundo é a cozinha."

Algumas coisas só podem ser escritas pelos japoneses...Kitchen é um desses livros que fala de assuntos os mais diversificados, contemporâneos e extravagantes: cozinha, família, maternidade, amor, tragédia, transexualidade, sim... Banana Yoshimoto primeiro me chamou a atenção pelo seu nome : Banana. Dizem que ela usa esse pseudônimo exótico (adoro essa palavra) em provocação ao pai, que é um renomado crítico e poeta. Ela afirma que adotou bijinsho pela beleza da flor vermelha da banana (lembrando que Basho quer dizer bananeira). Depois pelo título do livro: Kitchen. Ela é um pouco mais velha do que eu - tenho uma certa fixação por escritoras quase da minha idade e que escrevem aquilo que eu desejaria escrever. Assumo, talvez seja uma ponta de inveja branca, mas quem não se permitirá senti-la nesta vida ? Pelo menos, podemos assumir a inveja construtiva... Além do mais, Banana trabalhou como garçonete e escreveu seus livros justamente nos períodos de folga. Interessante, parece até a história de Rin, que escreveu seus romances de celular também nos momentos de folga, entre uma aula e outra, na escola de enfermagem – falaremos dela no artigo Keitai Shosetsu- Romance de Celular – Parte III. Enquanto escrevo aqui, coloco para tocar o CD Koi, que além de ser o modo como se chama carpa japonesa, é palavra que também designa amor. São músicas japonesas com um leve toque de bossa nova. Fica bem legal, nada chato. Deu vontade de comer um Philadélphia Roll ou um Salmon Skin agora...já para a cozinha. Nesta edição de “Kitchen”, você encontra também as novelas Lua Cheia, Moonlight Shadow, um posfácio e um pequeno glossário. A novela Kitchen é bem surpreendente, mas gostei mesmo foi de Moonlight Shadow - vencedor da edição de 1986 do Prêmio Izumi Kyoka- pois é um conto com um tom de literatura fantástica. Os japoneses, assim como os latino-americanos, têm tradição de contos fantásticos também. No meio do conto, tive a impressão de ter entrado numa história de Haruki Murakami. Sabe quando os escritores pregam no leitor aquela pegadinha, algo do tipo, adivinhe de qual livro vem isso, e aquilo outro. Acho interessante esse jogo. Às vezes é um jogo do leitor, que constrói uma outra história também...pode ser, não estamos imunes a isso, pois afinal, como disse Mario Quintana, “A imaginação é a memória que enlouqueceu”. Fantástico ! Entre na cozinha e boa leitura. Kitchen Banana Yoshimoto Tradução: Julieta Leite Editora Nova Fronteira 1995

Keitai Shosetsu - Romance de Celular - Parte I

Só agora pude retomar algumas leituras e pesquisas que faço, e finalmente escrever e fazer a difusão das idéias. A primeira delas diz respeito ao que li na seção Negócios&Cia, do jornal O Globo, do dia 29 de janeiro de 2008. Faz um tempinho, mas não tem problema. A questão não ficou obsoleta, pois no Brasil a idéia nem chegou ainda. Vamos a ela então... “Os Romances de celular ganharam escala no Japão: responderam por metade dos best sellers em 2007. São livros escritos a partir de teclados de celular e publicados aos poucos em sites especializados. Muitos ganham versão impressa...” Como achei a informação interessante, fui à pesquisa para me interar mais sobre o assunto. Nietzsche dizia que o verdadeiro pesquisador vai até o fundo do poço e traz em suas mãos a lama... Tinha saído já no OGLOBOonline Tecnologia, em 14 de dezembro de 2007, com o destaque para Tendência, com o título “De cada dez obras de ficção mais vendidas no Japão, cinco começaram no celular”:
“Tóquio – Os autores das histórias, quase todos novatos, podem chegar à consagração mesmo fora da telinha. De cada dez obras de ficção mais vendidas no primeiro semestre de 2007 no Japão, cinco começaram como “romances de celular”, com tiragens médias que chegam a 400 mil exemplares, informa a imprensa japonesa. Chamados keitai shosetsu, em japonês os “romances de celular” são narrativas curtas que muitas vezes contam com interação do leitor e são influenciadas pelos mangas, as histórias em quadrinhos de muito sucesso no país. Seus autores, quase sempre adolescentes e jovens na faixa dos 20, escrevem para um público que vive grudado na telinha dos celulares. Várias das histórias foram transformadas em livros impressos. Um exemplo é Koizora (“Céu-Amor” em tradução livre), a saga de um rapaz com câncer que rompe com a namorada para poupá-la de seu sofrimento. Publicada em livro, a obra vendeu mais de 1,3 milhão de exemplares e está para ser transformada em filme. Os leitores das histórias de celular são, na maioria, alunas do ensino médio e mulheres na faixa dos 20, que no Japão costumam se comunicar com mensagens de celular lidas na telinha no trajeto para escola ou trabalho, ou em casa. Embora muitos leitores baixem as histórias no celular em capítulos, cada vez mais os romances são lidos na própria internet, em geral gratuitamente.O site de romances de celular Maho i-Land, que iniciou a febre há sete anos, hoje tem 6 milhões de membros e oferece aos visitantes 1 milhão de títulos”.
Dentro do território da literatura, a academia em geral recebe as tendências com uma “pedreira na mão”, então saiu o seguinte:
Autores tradicionais questionam qualidade dos romances
Como têm muitos diálogos e parágrafos brevíssimos para se acomodar ao tamanho da tela do celular, as histórias curtas não são vistas com bons olhos por autores tradicionais, que reclamam de falta de ambientação dos enredos, da precária descrição das cenas ou do fraco desenvolvimento de personagens. Além disso, elas chegam à telinha sem passar pelo escrutínio de editores. Mas isso pode mudar aos poucos, com a criação de concurso para premiar os autores do novo gênero. O “Prêmio para Romances de Celular do Japão” foi lançado no ano passado pelo jornal Mainichi, um dos maiores do país, em colaboração com a Starts, uma editora de pequeno porte de Tóquio. O Objetivo é a descoberta de novos talentos e estimular uma melhoria na qualidade das obras. Na edição de 2007, cerca de 2 mil títulos concorreram ao prêmio, no valor de 2 milhões de ienes (quase R$32 mil reais). Antes da reunião dos jurados para decisão do vencedor, a comissão recebe votos que os próprios leitores enviam, claro, pelo celular.

16 de setembro de 2008

Mais um Momento de José Saramago

Admiro a literatura portuguesa, pois, com todo seu pensamento e língua cartesiana, traz tanta poesia à realidade. A língua encanta...e somos encatados por Inês Pedrosa, José de Saramago, Almada Negreiros, Miguel Sousa Tavares, Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Eça de Queiroz e outros tantos que estou a esquecer...
Neste momento, estréia Saramago no cinema de grande circuito, com a adaptação de Ensaio sobre a Cegueira. E temos a grata oportunidade de tê-lo também em blog. Abaixo, então, a notícia que acabo de encontrar nas minhas buscas pela net. Aproveitem.
Saiu na ÉpocaNegócios OnLine
Escritor José Saramago estréia blog na internet por katia militello
O escritor português José Saramago estreou um blog no site da fundação que leva seu nome. No primeiro post do blog, intitulado O Caderno de Saramago, o escritor diz que colocará no ar "comentários, reflexões, simples opiniões sobre isto e aquilo, enfim, o que vier a talhe de foice". Os leitores já podem ler um texto sobre Lisboa que Saramago afirma ter encontrado entre "papéis que já perderam a frescura da novidade". O Prêmio Nobel de Literatura conta que trata-se de uma "carta de amor à cidade" e que se emocionou quando a releu. "Decidi partilhá-la com os meus leitores e amigos tornando-a outra vez pública, agora na página infinita de internet, e com ela inaugurar o meu espaço pessoal neste blog", escreve Saramago. Acompanha o texto um slide show com fotos antigas e atuais de Lisboa que valem o clique. No post desta terça-feira (16/9), o autor português comenta o pedido de desculpas da Igreja Anglicana a Charles Darwin por não compreender sua teoria evolucionista. "Nada tenho contra os pedidos de perdão que ocorrem quase todos os dias por uma razão ou outra, a não ser pôr em dúvida a sua utilidade", escreve Saramago. O Caderno de Saramago está disponível na Fundação José Saramago, no endereço www.josesaramago.org/Entrada_Fundacao.aspx.

15 de setembro de 2008

Mojo Books - Uma Nova Proposta de Editora

Estava lendo a ResultsOn, uma revista que é distribuída gratuitamente na Mica Cards. Eles sempre trazem negócios interessantes, com dicas em tecnologia, leituras de mundo, leituras...
Como nunca fico satisfeita com pouca informação, mesmo tendo pouco tempo para digerí-las, me desafio a estar catando novidades e fazer algo com elas. Divulgar já é fazer algo com elas. Participar já fica por conta...mas até que tenho conseguido concluir minhas idéias e fazer algo de concreto.
Bom, o que achei nesta edição específica da ResultsOn, na seção Novos Negócios, na matéria Radar de Oportunidades foi uma tal de Mojo Books - isso me lembrou Austin Powers. O Mojo, lembram?
Então, essa editora, 100% digital, tem como proposta publicar em novos formatos e modelos tipo creative commons. A proposta para publicar livros é interessante: pegar um disco favorito e transformá-lo em literatura.
Você se inspira e escreve.
Não é legal?
Então, se anima a escrever?

O Design Voador de Santiago Calatrava

O design faz parte da vida. Nossos olhos caçam a beleza do mundo, para criar nosso mosaico interior, particular. No quebra-cabeça de minha memória está Santiago Calatrava, designer espanhol. Encontrei nas páginas da The New Yorker desta semana um conjunto de obras em slide. Vale a pena!
Acima, a Puente de la Mujer, em Puerto Madero, Bs. As., Argentina. Se o leitor está de viagem marcada para a cidade, desfrute de atravessar a ponte.

13 de setembro de 2008

Machado de Assis no The New York Times

After a Century, a Literary Reputation Finally Blooms
By LARRY ROHTER Published: September 12, 2008
When the novelist Joaquim Maria Machado de Assis died 100 years ago this month, his passing went little noticed outside his native Brazil. But in recent years he has been transformed from a fringe figure in the English-speaking world into a literary favorite and trendsetter, promoted by much more acclaimed writers and by critics as an unjustly neglected genius.
Susan Sontag, an early and ardent admirer, once called him “the greatest writer ever produced in Latin America,” surpassing even Borges. In his 2002 book “Genius,” the critic Harold Bloom went even further, saying that Machado was “the supreme black literary artist to date.” Comparisons to Flaubert and Henry James, Beckett and Kafka abound, and John Barth and Donald Barthelme have claimed him as an influence.
All of that makes for a change of fortune that Machado, with his exquisite sense of the improbable, would surely have appreciated. After all, his most celebrated novel, “The Posthumous Memoirs of Brás Cubas,” purports to be the autobiography of a decadent aristocrat reflecting on his life’s disappointments and failures from beyond the grave.
In recognition of this belated vogue, “Machado 21: A Centennial Celebration” is being held Monday through Friday in New York City and New Haven, slightly ahead of the actual Sept. 29 date of his death. The commemorations include round tables and seminars discussing the author’s life and work; readings; screenings of films based on his work; an exhibition of art inspired by his writings; and a performance of some of his poems set to music.
Mr. Bloom describes Machado as “a kind of miracle.” Born in Rio de Janeiro in 1839, Machado was the grandson of slaves, his father a housepainter and his mother a white immigrant washerwoman from the Azores. Enormously cultured and erudite, he was largely self-taught, working as a typesetter’s apprentice and journalist before becoming a novelist, poet and playwright.
Eventually Machado took a post in the Ministry of Agriculture, married a Portuguese woman of noble descent and settled into a middle-class life that allowed him to build a parallel career as a translator of Shakespeare, Hugo and other literary lions. But around 40, when he was already suffering from epilepsy, his health worsened, and he nearly lost his sight, a crisis that seemed to provoke a radical change in his style, attitude and focus.
Over the next quarter century Machado produced the five somewhat interlinked novels that made his reputation. Though foreign critics tend to regard the exuberantly nihilistic “Posthumous Memoirs of Brás Cubas,” published in 1881, as his masterpiece, many Brazilians prefer the more melancholy “Dom Casmurro” (1899), which focuses on the corrosive effect of sexual jealousy.
“As an English friend of mine said to me, he’s the best,” Roberto Schwarz, one of Brazil’s foremost experts on Machado, said in a telephone interview from São Paulo. “What you see in the five novels and his short stories from that period is a writer without illusions, courageous and cynical, who is highly civilized but at the same time implacable in exposing the hypocrisy of modern man accommodating himself to conditions that are intolerable.”
From the time of silent movies, Machado’s work has been a favorite source for Brazilian filmmakers. The director Nelson Pereira dos Santos recently organized screenings of film adaptations of Machado’s work at the Brazilian Academy of Letters in Rio de Janeiro, which Machado helped found in 1897, and counts 25 such movies, 11 of which still have usable prints.
“When you first read Machado in school, you quickly realize that he is the master of our language, our Shakespeare, a real wizard with words,” Mr. Pereira dos Santos, who is 80, said. “And he is so up to date and psychologically astute. Even with the huge changes Brazilian society has experienced in my lifetime, Machado’s ability to grasp the essence of social relations and behavior, many of which are archaic but persist into the 21st century, makes him extremely relevant.”
This week’s commemorations include the screening of two films at Lincoln Center as part of the Latinbeat festival, both of them directed by Mr. Pereira dos Santos. “Azyllo Muito Louco” is based on the short story “The Alienist,” while “Missa do Galo” is an adaptation of another tale, “Midnight Mass.”
But Mr. Pereira dos Santos argues that few Machado works have translated well to the screen. The reason, he maintains, is that part of the writer’s subtlety inevitably gets lost or attenuated. “It’s a real challenge, because of the ambiguity and irony of the language,” Mr. Pereira dos Santos said. “And unless you use a narrator, it’s hard to convey that ambiguity through action. So I’ve never had the courage to film any of the novels, simply because other directors have found that to be such a difficult task.”
Many of the writers who admire Machado see his work as a precursor to some of the most significant literary trends of the last century. Allen Ginsberg described him as “another Kafka” while on a visit to Chile in 1961, and just last month Philip Roth drew parallels between Machado and Beckett.
“He is a great ironist, a tragic comedian,” Mr. Roth said in an interview with the Brazilian newspaper Folha de S. Paulo. “In his books, in their most comic moments, he underlines the suffering by making us laugh. Like Beckett, he is ironic about suffering.”
Others find parallels to Swift and Laurence Sterne. “He’s funny as hell, with an enormous debt to Sterne,” Mr. Bloom said of Machado in a phone interview. “In fact, he is so hilarious at times that when I go and re-read ‘Tristram Shandy,’ I can swear that Sterne has read Machado.”
Critics have wondered why it took so long for the English-speaking world to appreciate Machado. Mr. Bloom said he believed some early translations were “inadequate.” New versions appeared only in the 1990s, including several by Gregory Rabassa, who has also translated Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa and Julio Cortázar from the Spanish.
Translating Machado “was a lot of fun,” Mr. Rabassa said. “His Portuguese is fluent and fluid and classical, probably the best Portuguese prose ever done. But he had a sensibility that was ahead of his time, and maybe even ahead of our time; skeptical and not an idealist by any means.” Sontag, who wrote the introduction to Mr. Rabassa’s translation of “Brás Cubas,” argued that other handicaps also slowed Machado’s acceptance — including his writing from the “periphery” of Western culture in a language unjustly considered “minor.”
For the most part, Brazilians have been delighted to see Machado’s prestige rising, though they too question why it took so long. And a few dissenters complain that the Machado now celebrated in the English-speaking world is a misrepresentation.
Enthusiasts in the United States and Britain “are making Machado appear less and less like Machado,” the critic and author Antônio Gonçalves Filho argued last month at a symposium in São Paulo. “Actually, they are making the writer white, like Michael Jackson. All of a sudden, he’s become ‘universal.’ ”
Mr. Schwarz brushes off those concerns. “It is always good for a writer to be recognized,” he said. “Machado is being given the esteem he deserves because of his huge capacity to universalize local problems. Brazilians and foreigners may see him from different angles, but Machado himself, he doesn’t take one side or the other, and pokes fun at both.”