10 de outubro de 2008

Keitai Shosetsu : Romances de Celular – PARTE III

Sempre tive uma queda pelos japoneses, eles estão sempre tão à frente, são visionários, nas artes, na arquitetura, na literatura, claro na tecnologia, apesar de todo ritual da tradição. Será que o Brasil tem capacidade de implementar aqui uma coisa dessas – romances de celular ? Acho que só daqui a uns cinco anos...será ?Quem sabe a gente tenta antecipar isso. Que tal, vamos formar um grupo ? Vamos encontrar a forma, a técnica e montar esse negócio ? Mas a pesquisa não terminou por aqui, não. Outro fato que me chama a atenção, e esse pertence à minha área de formação, é em relação à forma do romance de celular. Lembra lá na caixa de texto acima o seguinte fragmento: “elas (as histórias curtas) chegam à telinha sem passar pelo escrutínio de editores. Mas isso pode mudar aos poucos, com a criação de concurso (...)estimular uma melhoria na qualidade das obras.” Então, vamos começar a pensar. Se é um novo meio para veicular o texto, é claro que terá uma outra forma, mais curta, mais breve, menos descritiva. E isso significa perder qualidade ? Necessariamente, não. Aonde esses editores querem chegar ? Quando o romance, como o conhecemos hoje, iniciou carreira no século XIX, também tinha uma forma diferente...para a estética da época. Imagina, antigamente se escrevia em versos, lembra da Ilíada, da Odisséia...só dois exemplos para começar. Isso porque como não havia registro escrito, só memorizando, o registro era oral, para isso seria mais fácil em versos. Com a chegada da imprensa, a forma mudou. E agora, com as novas ferramentas da web, muda de novo. Tudo vai se transformando. Um não é melhor nem pior do que o outro, são apenas diferentes registros. O mais interessante e importante é que quem ganha é o leitor...pois milhares de jovens, que antes não tinham o hábito de ler, agora já o fazem, tanto na forma virtual, como na forma impressa. Lembrem: cinco em dez livros mais vendidos no Japão são primeiro lidos na tela. Koichiro Tomioka, professor de Literatura Japonesa da Universidade Kanto Gakuin, diz que o romance de celular é um novo meio, uma nova forma de reconhecimento para escritores. Alguém sensato, não ? Vamos para a parte IV comentar mais profundamente...

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