28 de outubro de 2008

Livraria Timbre no Solar dos Abacaxis

Tive o grande prazer de representar a Livraria Timbre, do Shopping da Gávea (RJ), no evento Arte em Laranjeiras e Cosme Velho, que aconteceu dias 18 e 19 de outubro, no Solar dos Abacaxis. O evento, organizado por Isabel Vidal e Leila Victor, trouxe movimento e cultura para os bairros. A construção, que pertence à Família Carneiro de Mendonça, abriu no final de semana para uma grande exposição coletiva de artistas plásticos, designers, fotógrafos, ceramistas, entre eles Augusto Oiticica, Beto Felício, Dulce Marine, Patricia Hubbard, Sandra Signoretti, Silvia Levy. Há muito tempo o Solar não era aberto ao público, que prestigiou o evento e se encantou com a construção de 1843, realizada pelo arquiteto José Maria Jacinto Rabello, discípulo de Grandjean de Montigny, para o Comendador Manuel Borges da Costa. A casa é um dos poucos exemplares de chalé neoclássico de estilo híbrido. Alguns anos depois foi vendida e em 1944 retorna às mãos da família do Comendador por meio de sua bisneta, Anna Amelia, e de seu marido, Marcos Carneiro de Mendonça. O casal decide, então, restaurá-la conforme as plantas originais, aproveitando para construir garagem, varanda e terraço. Montamos a Timbre na copa. A inspiração da curadora Marina Mercanti para o ambiente foi o poema de Fernando Pessoa, Eros e Psiquê, com um fio de hera descendo do teto com apliques de lágrimas de cristal. Foram trazidos os romances mais vendidos, livros de arte, cinema, gastronomia (já que estávamos perto da cozinha, e que cozinha!). Um ambiente harmonizado e propício para a leitura. Não há como dissociar arte, café e livraria.
Para ver mais fotos e história sobre o Solar, acesse http://www.bairrodaslaranjeiras.com.br/.
Para encontrar os melhores livros e uma equipe muito especial, não deixe de visitar a Livraria Timbre, Shopping da Gávea, 2º Piso.
Abaixo, o poema que inspirou o ambiente da livraria, e que fala sobre a passagem do tempo:
Conta a lenda que dormiaUma Princesa encantada/
A quem só despertaria/Um Infante, que viria/De além do muro da estrada. / Ele tinha que, tentado,/Vencer o mal e o bem,/Antes que, já libertado,/Deixasse o caminho errado/Por o que à Princesa vem./ A Princesa Adormecida,/Se espera, dormindo espera,/Sonha em morte a sua vida,/E orna-lhe a fronte esquecida,/Verde, uma grinalda de hera. / Longe o Infante, esforçado,/Sem saber que intuito tem,/Rompe o caminho fadado,/Ele dela é ignorado,/Ela para ele é ninguém. / Mas cada um cumpre o Destino/Ela dormindo encantada,/Ele buscando-a sem tino/Pelo processo divino/Que faz existir a estrada. / E, se bem que seja obscuro /pela estrada fora,/E falso, ele vem seguro,/E vencendo estrada e muro,/Chega onde em sono ela mora,/ E, inda tonto do que houvera,/À cabeça, em maresia,/Ergue a mão, e encontra hera,/E vê que ele mesmo era/A Princesa que dormia.

Agradeço especialmente o carinhoso convite de Christiana Machado, que com tanto amor e esmero compartilha, há 25 anos, livros de qualidade com o público carioca.

Um comentário:

ataulfocomrainha disse...

Olá Nélida,

Agradeço a visita carinhosa à nossa esquina virtual. Seja bem-vinda, sente-se com a gente para papear mais um pouco. Vim conhecer seu canto e tomei um susto! Dei de cara com Fernando Pessoa passeando pela Casa dos Abacaxis, entre livros e timbres!!!! Essa é uma de suas poesias que mais amo. Quem sabe não sentamos qualquer dia para um café com letras...
Beijo Guilhermina
PS. obrigada também pela indicação. Agora vou passear com seus outros indicados. Bj