6 de outubro de 2008

“O lugar que eu mais gosto neste mundo é a cozinha."

Algumas coisas só podem ser escritas pelos japoneses...Kitchen é um desses livros que fala de assuntos os mais diversificados, contemporâneos e extravagantes: cozinha, família, maternidade, amor, tragédia, transexualidade, sim... Banana Yoshimoto primeiro me chamou a atenção pelo seu nome : Banana. Dizem que ela usa esse pseudônimo exótico (adoro essa palavra) em provocação ao pai, que é um renomado crítico e poeta. Ela afirma que adotou bijinsho pela beleza da flor vermelha da banana (lembrando que Basho quer dizer bananeira). Depois pelo título do livro: Kitchen. Ela é um pouco mais velha do que eu - tenho uma certa fixação por escritoras quase da minha idade e que escrevem aquilo que eu desejaria escrever. Assumo, talvez seja uma ponta de inveja branca, mas quem não se permitirá senti-la nesta vida ? Pelo menos, podemos assumir a inveja construtiva... Além do mais, Banana trabalhou como garçonete e escreveu seus livros justamente nos períodos de folga. Interessante, parece até a história de Rin, que escreveu seus romances de celular também nos momentos de folga, entre uma aula e outra, na escola de enfermagem – falaremos dela no artigo Keitai Shosetsu- Romance de Celular – Parte III. Enquanto escrevo aqui, coloco para tocar o CD Koi, que além de ser o modo como se chama carpa japonesa, é palavra que também designa amor. São músicas japonesas com um leve toque de bossa nova. Fica bem legal, nada chato. Deu vontade de comer um Philadélphia Roll ou um Salmon Skin agora...já para a cozinha. Nesta edição de “Kitchen”, você encontra também as novelas Lua Cheia, Moonlight Shadow, um posfácio e um pequeno glossário. A novela Kitchen é bem surpreendente, mas gostei mesmo foi de Moonlight Shadow - vencedor da edição de 1986 do Prêmio Izumi Kyoka- pois é um conto com um tom de literatura fantástica. Os japoneses, assim como os latino-americanos, têm tradição de contos fantásticos também. No meio do conto, tive a impressão de ter entrado numa história de Haruki Murakami. Sabe quando os escritores pregam no leitor aquela pegadinha, algo do tipo, adivinhe de qual livro vem isso, e aquilo outro. Acho interessante esse jogo. Às vezes é um jogo do leitor, que constrói uma outra história também...pode ser, não estamos imunes a isso, pois afinal, como disse Mario Quintana, “A imaginação é a memória que enlouqueceu”. Fantástico ! Entre na cozinha e boa leitura. Kitchen Banana Yoshimoto Tradução: Julieta Leite Editora Nova Fronteira 1995

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