4 de dezembro de 2008

A Matemática da Formiga

Com muita felicidade soube que Daniela Beccaccia Versiani, minha amiga de PUC, lançou a 2ª edição de Matemática da Formiga (adoro esse título!). Um dos livros que está na minha lista de releitura, pois, como se não bastasse ler as novidades, ainda somos desejantes de reler obras que nos marcam e que carregam nossa alma dentro, nossas pegadas.
Vou dar voz à Daniela, colocando aqui alguns fragmentos do livro:
"Eu desejo em meu corpo a Via Láctea, um mar de estrelas espalhadas, lindas. Eu desejo profundamente a bondade de Deus. Ainda que eu saiba que sou apenas cultura concentrada em um corpo..."
"Quantas coisas se perdem, diluídas no tempo e no entanto, às vezes, naquela minúscula fração de segundos, também o tempo sofre as flexões, os diminutivos, os aumentativos, comprimindo-se ou distendendo-se com a necessidade dos vivo, de onde se conclui que a gramática já dava conta da teoria da relatividade muito antes de Einstein nascer."
Apesar de ter sido treinada para escrever sobre livros de forma mais técnica, prefiro recomendar livros com a paixão de leitora.
Abaixo, segue uma breve resenha de Cláudia Fonseca, publicada no Almanaque Virtual:
Cada vida humana segue um rumo diferente, e a sociedade caminha por um curso ilógico ou repleto de toda inexplicável lógica. A humanidade busca sua integração em um espaço cada vez mais fechado, que teoricamente possibilita a inclusão de todos, mas acaba excluindo muitos sem justificativa palpável. Esse cotidiano coletivo é regido por situações corriqueiras, mas que podem encantar, surpreender ou chocar por sua simplicidade, dramaticidade ou crueldade. No romance A matemática da Formiga, de Daniela Beccaccia Versiani, essa comum relação tão coerente, mas tão abstrata, é revelada em uma série de situações que seguem cálculos simples, quem sabe incompreensíveis, mas que estão lá e nunca falham. A obra que chega à segunda edição apresenta situações comuns, vividas por pessoas comuns. Nenhum fato surpreendente, nenhum grande acontecimento ou reviravolta. São apenas casos que ocorreriam com você, com seu vizinho, ou com seu amigo. Mas vão além de uma simples narrativa quando possibilitam uma análise sobre a condição humana ao expor questões religiosas, políticas e filosóficas a partir desses simples acontecimentos, vivenciados por personagens que têm relações em comum, mas nunca se encontram. Uma mulher se rende à agressão do marido pois precisa de alguém que cuide ela. Uma mãe não deixa que sua menina brinque com a filha da empregada. Um homem teme a morte por nunca ter pecado e, consequentemente, não ter motivos para sentir culpa, se arrepender e ser perdoado por Deus. Um jovem trabalhador negro é agredido por policiais que atribuem à sua cor a participação em uma gangue local. Um taxista é morto por discutir com um de seus passageiros. Realidades diferentes, interligadas de algum modo à mulher que narra sua vida insípida, e tem uma companheira distante e desconhecida, mas que serve como consolo para suas reflexões e desabafos. A linguagem poética utilizada por Daniela cria diferentes possibilidades de interpretação na narrativa de um simples sonho, uma ida ao supermercado, um banho demorado, um lençol lavado. Uma mulher tem muitos nomes, mas é uma só, em toda a sua vida. Todos os homens têm um nome só, mas parecem ser sempre os mesmos, nada muda, tudo continua igual. E cada um segue seu destino, tão comum e tão complexo, sem imaginar no vôo da borboleta do outro lado do continente, desconhecendo a matemática da formiga, tão desconexa, mas sempre presente.

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