31 de janeiro de 2009

Clube da Luluzinha indica seu 2º livro de 2009

A Queda que as Mulheres têm para os Tolos - e outros textos (Editora Crisálida) é meu segundo livro de 2009. Furou a fila por causa do meu trabalho no teatro... estou em processo de montagem de um espetáculo infantil que ilustra a infância de Machado de Assis e, para entrar na atmosfera do autor, nada melhor do que lê-lo.
É um livro, talvez difícil de encontrar em bibliotecas e livrarias, pertence mais ao mundo acadêmico, mas... com um pouco de sorte pode haver um perto de você! Recomendo-o para quem quer perder o trauma da reforma ortográfica. Sendo um resultado de pesquisa e fonte de estudos, o livro é fiel a primeira publicação dos textos selecionados e mantém a grafia original da época de Machado (como explica seu organizador, Oséias Silas Ferraz).
trecho de A Queda...
"O tolo está ácima dessas miserias. Não o assusta um futuro prenhe de qualquer inquietação afflictiva. Sempre acobertado pela bandeira da inconstancia, desfaz-so de uma amante sem luta, nem remorso; utilisa uma traição para voar a novas aventuras. Para elle nada ha de terrivel em uma separação, porque nunca suppõe que se possa collocar a vida n'uma vida alheia, e que fazendo-se um habito dessa communidade de existencia, faz-se pouco novamente soffrer, quando ella tiver de quebra-se." (p.27-28)
Além de A queda que as mulheres têm para os tolos (impresso em livro em 1861), texto curto traduzido do francês e primeiro livro publicado por Machado, temos nesta compilação outras pérolas: O ideal do crítico (1865) onde aponta as qualidades requeridas para a tarefa da crítica literária; Litteratura brazileira: instincto de nacionalidade (1873); Elogio da vaidade (1878), jogo de paradoxos ao melhor estilo machadiano; Theoria do medalhão (publicado em Papéis Avulsos, de 1882). fechando o volume com chave de ouro, o poema A Carolina (1906, escrito após a morte de sua mulher, fato que o deixou inconsolável).
trecho de Ideal do Crítico:
"O critico actualmente acceito não prima pela sciencia litteraria; creio até que uma das condições para desempenhar tão curioso papel, é despreoccupar-se de todas as questões que entendem com o dominio da imaginação. Outra, entretanto, deve ser a marcha do critico; longe de resumir em duas linhas - cujas phrases já o typografo as tem feitas - o julgamento de uma obra, cumpre-lhemeditar profundamente sobre ella, procurar-lhe o sentido intimo, applicar-lhe as leis politicas, vem emfim até que ponto a imaginação e a verdade conferenciam para aquella producção. D'este modo as conclusões do critico servem tanto á obra concluida, como á obra em embryão. critica é analyses, - a critica que não analysa é a mais commoda, mas não póde pretender a ser fecunda." (p.36)
(Texto de Zandali na íntegra)

2 comentários:

Silvestre Gavinha disse...

Nossa, não conhecia este do Machado. Engraçado que ontem, conversando com uma amiga que é revisora de textos e está fazendo seu novo site, ela me mostrou e contava estar lendo uma compilação de textos Machadianos.
Não li mais demoradamente o livro, apenas conversamos sobre ele.
Acho que nenhum destes estava lá.
Muito interessante e ótima dica que vou passar para ela.
Nélida, vou repetir. Isso aqui é uma delícia e fica cada vez mais difícil sair do teu blog. Hehe
Marie

Nelida Capela disse...

Que bom, significa que estou fazendo uma coisa legal! Fico muito feliz!