20 de janeiro de 2009

Isso é Coisa de Lilly indica...Cem Anos de Solidão

Lilly, do blog Isso é Coisa de Lilly, acaba de reler Cem Anos de Solidão. Fiquei encantada com sua leitura e até confesso que esse é um dos livros que não consegui ler em toda a minha vida, assim como Paixão Segundo GH (apesar de ter lido quase toda a obra de Clarice Lispector). Talvez porque não tenha me entregue de coração na leitura . Acho que agora chegou a hora de eu ultrapassar o umbral do castelo mágico de Gabriel Garcia Marquez e finalmente ler Cem Anos de Solidão. Obrigada, Lilly, por nos encantar com essa leitura. (A edição está disponível pela Editora Record).
(Texto de Lilly na íntegra)
Acabei de reler Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez.
É um dos meus livros preferidos e li em várias fases da minha vida, e quantas vezes eu leia sempre vou achar que é um livro mutante, pois tenho a impressão de encontrar algo diferente inserido ali, ou, um parágrafo que eu jurava ter lido em um capitulo e que agora encontro em outro. Loucura? Não, uma explicação que eu tenho é que Marquez escreve de uma forma que nossa imaginação continua tecendo em torno daquela descrição...então imaginamos a mais. Vamos ao romance: Fala da estória da família Buendia, começando pelos patriarcas Jose Arcádio Buendia e sua esposa Úrsula Iguaran, fundadores da fictícia cidade de Macondo. Tiveram 3 filhos, José Arcádio, Aureliano e Amaranta e a partir daí a estória flui em volta desta família até a sua sexta geração e extinção, pois segundo um manuscrito deixado por um mago (Melquíades) esta família não terá uma segunda chance na terra. A família Buendia tem seus filhos naturais, bastardos e adotivos. Os nomes se repetem ciclicamente, então, todos os homens nascidos desta família levam os nomes Arcádio e Aureliano. Um leitor mais distraído pode confundir uma Arcádio pai com um Arcádio sobrinho, mas se tiver atenção verá que cada um da família tem seu nome citado integralmente, então não há como confundir. O patriarca Jose Arcádio Buendia tem sempre seu nome citado por extenso porque ele teve um filho José Arcádio, um neto Arcádio, um bisneto José Arcádio Segundo e um tataraneto José Arcádio. A matriarca Úrsula repete sempre que “o mundo dá voltas”, pois nesta família tudo se repete de um modo cíclico, principalmente para as pessoas que carregam os mesmos nomes. Úrsula diz que os Arcádios são impetuosos e trabalhadores, e os Aurelianos são quietos e estudiosos. Durante os cem anos da saga desta família há revoluções, incestos, tragédias. Creio que nenhum escritor escreveu algo tão intrigante quanto este livro, com personagens tão densos e situações tão complexas. Situações como a chuva que durou 4 anos, 11 meses e dois dias; ou como o mato e as formigas que invadem a casa quando sentem que o fim da família está próximo. Personagens como Mauricio Babilônia que tem sua presença denunciada pelas borboletas amarelas que esvoaçam em torno de seu corpo; como Rebeca que arrastava atrás de si um saco com os ossos de seus pais; Remédios Moscote a bisavó da família, casada com o Coronel Aureliano aos 11 anos e morta aos 14, então a família sempre se divertiu muito com a figura de uma avó e laço na cabeça e boneca no colo; como o Coronel Aureliano que viúvo de remédios, teve 17 filhos, todos chamados Aureliano e que foram mortos em uma só noite; Pilar Ternera, vizinha dos Buendia e mãe, avó e bisavó bastarda de vários membros da família;ou Remédios a bela, que de tão pura e inocente um dia ficou transparente e subiu aos céus. A Rede Globo cansou de inserir em suas novelas situações e personagens com as características deste livro. Na novela Pedra sobre Pedra, (Aguinaldo Silva) o fotógrafo Jorge Tadeu ao morrer é encontrado com borboletas brancas sobrevoando seu cadáver. De seu túmulo nasce uma flor ( parecida com um antúrio) que enlouquece as mulheres que a comem. Há referência aos nomes “Úrsula”e “Pilar” do livro. Uma personagem interpretada por Miriam Pires, dona Quirina, viveu até 120 anos (como Úrsula Iguaran, do livro) e tinha uma memória fantástica( como Úrsula). Há uma profusão de filhos bastardos também, como no livro. Os ciganos freqüentam a cidade, como também na cidade de Macondo, os ciganos apareciam a cada temporada trazendo novidades de outras terras. Em Tieta, também de Aguinaldo Silva, há relacionamento entre a tia (Tieta) e o sobrinho ( Ricardo), e a cidade de Santana do Agreste é arrasada por um vendaval de areia. Aguinaldo Silva deve ser tão fã deste livro quanto eu. Cem Anos de Solidão é um livro para ser lido e relido.

5 comentários:

Sil Drabeski disse...

Até hj eu tbm não consegui ler os Cem Anos de Solidão. Não consegui ultrapassar o começo da história...
Mas pela descrição fiquei animada! Se tem vários personagens, pode ser tão legal quando "As Terras do sem Fim", de Jorge Amado!

=D

Nelida Capela disse...

Pois é, o texto da Lilly me incentivou a ler Cem Anos de Solidão.

vida cotidiana disse...

Li muito Gabriel García, era uma fase. A pouco tentei ler o seu último romance, sabe que não consegui? engraçado, espero que a minha fase Gabriel volte logo porque adoro ele.

Nelida Capela disse...

Leitores tem fases!

Butterfly disse...

Gabriel García Márquez, um dos meus escritores de referência !
O primeiro livro que li dele foi precisamente "Cem Anos de Solidão". Adorei !!! Deste, rapidamente viajei até "O Amor nos Tempos de Cólera" e este sim, posso dizer que é um dos romances da minha vida ! ;)
Enfim, não há livro de García Márquez que não tenha adorado ... a sua escrita é simplesmente mágica!