19 de janeiro de 2009

Lector in Fabula indica a sua primeira leitura de 2009

O Livro do Sal é um romance que mistura realidade e ficção. Seu personagem principal, Bihn, o cozinheiro indochinês de Gestrude Stein e Alice B. Toklas, narra as memórias da antiga pátria, do lar familiar, de um novo país, de um amor, de um espírito de época, de suas experiências na cozinha... Esse cozinheiro também compartilha com o leitor a intimidade de suas Mesdames, de deus convidados, de seus cães, de seus hábitos e de suas extravagâncias.
O tempo narrado é anterior à Primeira Guerra Mundial, a cidade é Paris, no momento mais frutífero da arte com jovens artistas e escritores como Picasso, Joyce, Nijinski, Jean Cocteau, Apollinaire, Matisse, Ernest Hemingway, entre outros.
Entre tantas leituras que posso fazer, me parece que Bihn é o narrador não só do cotidiano de Gertrude e Alice, mas observador de um momento também de crise política mundial - anterior à primeira grande guerra - e de uma intervenção em sua própria pátria - Indochina, colônia francesa àquela época. Indochinês em Paris, sempre estrangeiro e sempre exótico. Interessante também as memórias do tempo sem fronteiras, nômade, quando Bihn passa a habitar navios e mares distantes, sem porto seguro, sem lar. Vagante.
O texto é muito interessante, elegante, às vezes árduo, mas talvez porque traga em si a trama de um personagem angustiado e misterioso, com flashes de perda, paixão, ironia, sensualidade, exílio, descobertas.
No post Perto de terminar o primeiro livro de 2009 publiquei alguns fragmentos interessantes do livro.
Outros fragmentos:
"Doce Delícia de Domigo uma vez me disse qu dentre todos os cinco sentidos, o que ele menos confia é a nossa capacidade de ver. É a que engana com mais facilidade. Na maior parte das vezes, afirmava ele, é o coração que nos diz o que está ali e o que não está." (p.290)
"Sal, pensei. Gertrude Stein, de que tipo? De cozinha, suor, lágrimas, ou do mar. Madame, eles não são a mesma coisa. Seus estímulos, suas ferroadas, suas intensidades, a distinção entre eles é sutil. Você sabe." (p.32o) Sugiro também a leitura de O Livro de Cozinha de Alice B. Toklas, que, além das receitas deliciosas, traz a partir da página 217 comentários sobre os seus cozinheiros indochineses.

5 comentários:

Henryhh disse...

Muito bacana suas impressões e comentários do livro Nelida, legal!! "Pro number two"

vida cotidiana disse...

Gostei da dica, muito interessante a sua interpretação do livro.

Sil Drabeski disse...

Que diferente das coisas que procuro ler! Acho que tenho que estar mais abertas a outros tipos de leituras..
=D

Butterfly disse...

Memórias, Arte,Paris, Experiências na Cozinha ... parece-me ser um livro muito interessante ! ;)

Bjinhos

Nelida Capela disse...

Amigos de Confraria e Leitores: A idéia da rede é essa: diferentes leituras, diferentes mundos...descobertas, trocas. Está acontecendo!