7 de janeiro de 2009

Saiu no O Globo

O Futuro do Livro é Eletrônico
por Andre Kischinevsky
O Globo - 05Jan2009
Este é um texto sobre o óbvio: o fim dos livros de papel se aproxima rapidamente. Em poucos anos, os livros de papel disputarão com os discos de vinil os espaços bolorentos de nossas estantes. Aqueles espaços onde guardamos o que não usamos mais até que a alergia vença a nostalgia. Lembraremo-nos dos livros com o carinho de uma antiga amizade sem mais espaço em nossa vida. Quem duvida disso que proteste. Mas escreva seu protesto em uma Remington, lamba um selo e envie pelo correio. Em alguns anos, será tão raro comprar um livro de papel quanto é encontrar hoje um escritor que não use processadores de texto. Há quem acredite que história é garantia de futuro. O livro de hoje tem uma história cheia de méritos, mas nenhum futuro. Olhe em volta. Nossa vida é muito diferente das gerações passadas. As mudanças são cada vez mais rápidas. Em poucos anos, os livros eletrônicos serão a forma mais prática, barata e acessível para se ler uma obra. Quem acredita que os livros eletrônicos cansam a vista, são desajeitados e caros, está pensando na tecnologia de hoje. E um grave erro é tentar imaginar o futuro pensando na tecnologia de hoje. Discorda? Aposto que você também achava que as câmeras digitais nunca substituiriam os filmes fotográficos, e que comprar música online não iria colar…Os equipamentos para a leitura de livros eletrônicos, em poucos anos, serão uma opção muito melhor que o papel. Mais leves, mais resistentes, mais adaptáveis. Você terá acesso, por um preço menor e em qualquer lugar, a todos os livros já escritos. Um acervo muito maior que o de uma livraria. Nada mais de livros fora de linha ou sem estoque. E também poderá ler qualquer livro de sua própria estante virtual. Ou o jornal do dia, seus blogs favoritos. E ainda vai usar o equipamento para consultar dicionários quando preciso, navegar na internet e ler o correio eletrônico. Ou mostrar suas fotos. Estamos tão perto dessa tecnologia que é surpreendente ainda existir pessoas resistentes à ideia do livro eletrônico. O livro de papel é um amigo tão querido que muita gente se recusa a ver que entrou em fase terminal. Mas o livro eletrônico não é uma ameaça ao tradicional: é uma ameaça ao papel. O livro, ao contrário, está sendo reinventado. Mais pessoas terão acesso à leitura, em mais lugares e com mais opções. Aposto que, quando Gutenberg veio com novas ideias, muitos disseram que a imprensa tirava o charme dos livros copiados a mão, pelos escribas.

4 comentários:

Diogo disse...

não gosto do livro on line, o e-book.
motivo real: nada substitui se enroscar numa poltrona, tendo um livro de capa macia nas mãos, ou ler até dormir e o livro escorregar pra baixo da cama...
faço download de livros, claro, mas só se quero muito e não encontro...a leitura na tela é cansativa demais.
e um motivo futil: nos dá achance de ter marcadores de livros charmosos

Lilian Rose P. disse...

depois que enviei, vi que usei a senha do meu filho numero 2...
bjs

Nelida Capela disse...

Pois é, a relação livro-leitor é individual, não dá para declarar que teremos somente livros eletrônicos. Cada um tem o seu gosto e cada um tem o seu conforto. E Viva o Leitor!

poetriz disse...

Duvido que se acabe o livro em papel. É impossível! E olha que eu leio muito e-books. Mas não dá pra levar e-books na bolsa, ou até dê, naqueles readers e mp1000. Mas não dá pra comparar ter o livro, folhear, sentir o cheiro das páginas...

O livro não morre.
Mas a leitura, vai ser mais acessível navegando por "mares nunca antes navegados"...

Bjs!