17 de fevereiro de 2009

Dica de Livro

Achei interessante a informação sobre o Almanaque Tipográfico Brasileiro, tanto que desejo compartilhar com os leitores do Lector in Fabula.
Almanaque Tipográfico Brasileiro Autor: Carlos M. Horcades (org.) Páginas: 120 Edição: 1ª Ano: 2009 Preço: R$ 60,00
Juntar a graça de um almanaque, com seu festival de textos curtos e curiosos, ao mundo da tipografia. Esta é proposta do Almanaque Tipográfico Brasileiro, sob organização de Carlos M. Horcades. Os autores são todos especialistas na arte da escrita – vale dizer, do escrever bem, com sabor, e do saber transformar as letras em objetos visuais. Entre eles, o jornalista e escritor Fernando Morais, o dramaturgo Roberto Athayde, os designers Alexandre Salomon, Julieta Sobral, a dupla Elesbão e Haroldinho, o editor Plinio Martins Filho, o tipógrafo Cláudio Rocha, o poeta Guilherme Mansur, e muitos outros. O resultado deste encontro é uma deliciosa e divertida publicação que reúne artigos, curiosidades, brincadeiras e jogos, abordando diversos aspectos do campo da tipografia. No primeiro texto do livro, Cesar G. Villela lembra alguns dos bons e velhos almanaques, como o do Globo Juvenil, ou o do Biotônico Fontoura entre outros. Uma farra para o olho e para a inteligência. Para o olho, pelos motivos óbvios: cada tipologia tem uma cara própria, explorando a praticidade e a beleza, e o Almanaque – seguindo o modelo tradicional – está recheado de ilustrações (como os incríveis símbolos e logotipos criados pelas gêmeas Maria de Lourdes e Maria Francina, imagens que sempre exploram a duplicidade e o espelhamento). Para a inteligência, pois a história da tipografia vai sendo contada a cada página de forma despretensiosa. Mas o livro não fica apenas nas primeiras letras da tipografia, quando tudo ainda estava começando. Ele também aborda diversos estilos tipográficos que nós encontramos nos grafites da cidade, como aqueles pichados nos altos dos prédios e que poucos conseguem decifrar. Numa página dupla, o Almanaque apresenta alguns grafismos criados pelo grupo de artistas-designers Flesh Beck Crew. Outro artigo que merece destaque é o que trata das "letras urbanas". Em "A Versatilidade do Stencil", Bruno Porto explica que o stencil "é um molde vazado em acetato, plástico ou outro material resistente onde, ao se aplicar tinta com pincel, pilot, rolinho, spray, esponja etc., obtém-se uma imagem positiva de um desenho, pictórico ou simbólico". Embora a técnica seja antiga, podemos encontrar cartazes e pichações feitas dessa forma em qualquer canto da cidade, com suas letras coloridas e tinta espalhada. Claro, para o Almanaque ficar completo, o escritor Fernando Morais reuniu vários palíndromos (frases que podem ser lidas de trás para frente, muitas delas criadas pelo jornalista Cláudio Julio Tognolli). São duas páginas inteiras com esses jogos de palavras como "A porta rangia à ignara tropa", ou "Amar a muda de uma rama" e tantos outros. Carlos M. Horcades é designer, fotógrafo, professor de tipografia e autor do livro A Evolução da Escrita: História Ilustrada.

(Texto da Editora)

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