3 de fevereiro de 2009

Os Novos Mistérios de Sintra - leitura de Palavras Partilhadas

O título do livro foi motivo mais do que suficiente para decidir-me a levá-lo para casa. Mistérios ... Sintra ... Quinta da Regaleira ... Maçonaria ... Templários ... algo me dizia que esperavam-me momentos de leitura misticamente agradáveis. Aliado à minha paixão por Sintra e por tudo aquilo que transpire esoterismo, juntou-se uma natural curiosidade pelo tipo de enredo colectivo que havia sido criado. O desafio era simples e afigurava-se bastante interessante: sete escritores reuniam-se com o intuito de conceber uma história de mistério envolvendo Sintra e um tesouro antiquíssimo. Ou seja, um autor começava e o outro que se seguia tinha que dar continuidade ao capítulo. Todavia, o resultado revelou-se uma verdadeira desilusão, pelo menos para mim. Foi notória a inexistência de um padrão de coerência indispensável a este género de projecto. A cada capítulo surgiam temas novos, por vezes sem qualquer tipo de relação com os anteriores. Eram acrescentados pormenores ou elementos completamente diferentes, talvez de acordo com simpatias ou tendências de cada um. Confesso que não foram poucas as alturas em que tive de retroceder páginas e reler excertos, de forma a conseguir entender minimamente a lógica daquela continuidade ! É uma pena, pois perante a inegualável qualidade dos escritores envolvidos e a criatividade inerente a este género de exercício, o resultado poderia ter sido bastante mais interessante !
" ... em Sintra perde-se a atenção a tudo o mais. A Serra agarrava-nos no olhar e deixava-nos num extâse sempre novo. ( ... ) À minha frente, a Serra não me deixava ver mais nada. A minha Serra da Lua. Serra de todos os variantes do verde. Cascatas de verde tecendo um tapete de sombras e magia. Nunca me entregara a nenhuma paisagem como a Sintra. Não era original o meu pecado. Aquela era a Serra que tinha encantado Lord Byron, H.C. Andersen ou Fernando Pessoa, e que não deixava de me entontecer e reacender a centelha do poeta que eu trazia eternamente adiado dentro de mim. "
" A profissão policial é maioritariamente prosaica e sistemática, o oposto das zonas brumosas do inexplicável. Lida pouco com o mistério e muito com a mentira. Quando algo de estranho ocorre, as mentes treinadas na forja aristotélica insistem na perspectiva do concreto, o mistério é o ainda não conhecido, ou seja negam liminarmente o mistério. Mas neste caso do tal Gonçalo Vieira, o mistério está presente. Tudo nele cheira a mistério. Reitero o que disse, cheira a mistério ! O odor é um dos sentidos menos treinados pelo homem e dos mais utilizados pelos animais. E digo-vos que o olfacto é fundamental para captar o que a realidade concede sugerir-nos !"
Excerto retirado de "Os Novos Mistérios de Sintra"
(Texto de Paula Silva na íntegra)

2 comentários:

Sil Drabeski disse...

Maçonaria, templários, livros assim são tão misteriosos!!!

Nelida, o meu blog está meio que em reforma, estou mudando o template, mas fica à vontade pra tú publicar uma parte do post sobre a minha opinião do livro As Ondas, da Woolf!

Abç,

Nelida Capela disse...

Obrigada! Vou publicar, então.