30 de março de 2009

Circo Paloma 1: Alakazan! Por Marcelo Valle

Dizem que a magia do circo morreu. É mentira. Quem morreu foi o mágico, atropelado por um jegue que fugia do dono, que queria trocá-lo por uma moto velha. Jegue odeia moto! O mágico também fugia. Corria feito louco sem conseguir “desaparecer”, atrás dele , três jagunços mandando bala. Quem desaparecera foi o dinheiro dos jagunços, o mágico era bom. O dinheiro apareceu no dia seguinte na mão das putas. Depois de morto, um anão deu a idéia de embalsamá-lo, mas ninguém sabia fazer isso. Resolveram salgá-lo e deixá-lo ao calor do sertão, feito carne de sol. Foi defumado , enrolado em uns trapos velhos e exibido como uma legítima múmia do “Vale dos Reis”. Os mesmos jagunços pagaram pra ver a nova atração do circo Paloma. Alakazan era o nome do Jegue, o mágico era Juvenal. O Jegue seguiu seu caminho, foi parar em Alagoas. Arrumou dono novo e uma namorada. Apaixonou-se por uma moto. Parece mágica! O trabalho dele era puxar carroça com galões de água para abastecer um assentamento do MST. No assentamento viviam 23 famílias, entre elas, a de João Magro, vaqueiro velho e aboiador. Numa estrada de pó João conduz uma junta de bois, arrastando lembranças e palavras : -A alegria do carreiro é ouvir o carro cantar…
Gosto muito dos textos de Marcelo Valle, que ainda não lançou seu livro. Trago para o Lector in Fabula um de seus contos curtos.
(texto publicado no blog O Caroço, reproduzido em Lector in Fabula com autorização do autor - foto de Marcelo Valle)

4 comentários:

lioness disse...

Maravilhosa! Amei a história! As imagens, o enredo, as voltas que o mundo dá. Um convite ao prazer de imaginar.

Nelida Capela disse...

Pois é...a escrita de Marcelo Valle é assim.

Zandali disse...

Não lançou mas deveria lançar e logo! rs...

Nelida, eu sempre passo por aqui... mesmo estando um pouco ausente da net.. olho as figuras e faço leituras dinâmicas! Não comento mas acompanho! Sempre...

Se não passar, morro de saudades!!
Beijos mil

Nelida Capela disse...

Obrigada pela visita de sempre, Zandali. Obrigada pelas dicas de livros!