20 de abril de 2009

Manuel Bandeira em Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei/ Lá tenho a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei/ Vou-me embora pra Pasárgada/ Vou-me embora pra Pasárgada/ Aqui eu não sou feliz/ Lá a existência é uma aventura/ De tal modo inconsequente/ Que Joana a Louca da Espanha/ Rainha e falsa semente/ Vem ser contraparente/ Da nora que nunca tive/ E como farei ginástica/ Andarei de bicicleta/ Montarei em burro brabo/ Subirei no pau-de-sebo/ Tomarei banhos de mar!/ E quando estiver cansado/ Deito na beira do rio/ Mando chamar mãe-d'água./ Pra me contar as histórias/ Que no tempo de eu menino/ Rosa vinha me contar/ Vou-me embora pra Pasárgada/ Em Pasárgada tem tudo/ É outra civilização/ Tem um processo seguro/ De impedir a concepção/ Tem telefone automático/ Tem alcalóide à vontade/ Tem prostitutas bonitas/ Para a gente namorar/ E quando eu estiver mais triste/ Mas triste de não ter jeito/ Quando de noite me der/ Vontade de me matar/ - Lá sou amigo do rei -/ Terei a mulher que eu quero/ Na cama que escolherei/ Vou-me embora pra Pasárgada. Lector in Fabula aproveita a homenagem da Flip 2009 a Manuel Bandeira e traz um dos seus poemas mais conhecidos.

2 comentários:

guilhermina, (ataulfo) e convidados disse...

Quem nunca quis ir embora pra Pasárgada, com certeza não viveu quase nada.
Bela homenagem!
Por onde vc anda?
Bj
Guilhermina

Nelida Capela disse...

Rainha Guilhermina: bela visita! Tenho passado pela sua esquina...anda lotada! Tenho andado bastante, vendo paisagens diferentes, gentes diferentes. O vasto mundo, então. Saudades. Prometo parar na Esquina do Desacato e ver falar a multidão.