3 de maio de 2009

Poemas de Borges (2)

Israel in Elogio da Sombra (1969)
Um homem prisioneiro e enfeitiçado,
um homem condenado a ser serpente
que guarda um ouro infame,
um homem condenado a ser Shylock,
um homem que se inclina sobre a terra
sabendo que já esteve no Paraíso,
um homem velho e cego que irá quebrar
as colunas do templo,
um rosto condenado a ser máscara,
um homem que a despeito dos homens
é Espinosa e o Baal Shem e os cabalistas,
um homem que é o Livro,
uma boca que louva, do abismo,
a justiça do firmamento,
um procurador ou um dentista
que na montanha dialogou com Deus
um homem condenado a ser o escárnio,
a abominação, o judeu,
um homem apedrejado, incendiado,
em câmaras letais asfixiado,
um homem obstinado em ser imortal
que retornou agora a sua batalha,
sob a luz violenta da vitória,
belo como um leão ao meio-dia.

4 comentários:

Marco disse...

Oi; bem interessante o seu blog;
gostei muito, estou acompanhando, espero que não se incomode.

abraços literários
Marco
CompassodegaiaRyokansobosol

Em tempo, me lembro até hoje quando Borges deu uma palestra no MASP aqui em São Paulo em 1986, fico realmente emocionado, pois gosto muito de su leitura.

Nelida Capela disse...

Seja bem-vindo, Marco! Acompanhe à vontade. Abraço.

A DONA DO MUNDO disse...

FIQUEI INTERESSADA NA ESTANTE DO POST ABAIXO, PRA COLOCAR NO QUARTO DOS MEUS FILHOS, ONDE VC VIU?
BJ

Nelida Capela disse...

à Dona do Mundo: O urso polar é importado, mas quem tem habilidades manuais pode fazer. Tenta fazer e depois me fala.