8 de junho de 2009

Lector in Fabula indica Para Sempre Alice

A última página de alguns livros da minha vida é a mais difícil de virar. É como se de repente o livro dissesse a você: "Acabou a viagem, amiga, desça do trem". E a gente resistisse a saltar, mesmo sabendo que não há mais trilho para percorrer. Abandonada, esquecida, separada - mas com a missão cumprida. Acabo de passar por este abandono com Para Sempre Alice. Mas, a felicidade reside e emerge de dentro de mim com a rememoração das vivências passadas durante a leitura e que me emocionaram e tocaram profundamente. O livro é bem escrito, bem editado, bem traduzido. Não há furos. É um livro honesto e puro, que transmite sua mensagem sem intermediários. Alice nos fala diretamente. Percebi, neste último final de semana, que este livro é um livro do boca-a-boca, ou seja, os leitores estão indicando uns aos outros - ele cumpriu, também, a sua missão. Como disse antes, este é um livro para a vida. É um livro que fala sobre a dignidade humana diante do esgarçamento da mente. Ao mesmo tempo, à luz de uma leitura budista, eu diria que o livro remete à transitoriedade da vida. Convido todos os leitores a conhecer Alice.
"Estou perdendo meus ontens. Se vocês me perguntassem o que fiz ontem, o que aconteceu, o que vi, senti e ouvi, eu teria muita dificuldade para fornecer detalhes. Talvez acertasse alguns palpites. Sou excelente em matéria de palpites. Mas a realidade é que não sei. Não me lembro de ontem nem do ontem antes dele. E não tenho nenhum controle sobre os ontens que conservo e os que são apagados. Não há como negociar com esta doença. Não posso oferecer a ela os nomes dos presidentes dos Estados Unidos em troca dos nomes dos meus filhos. Não posso lhe dar os nomes das capitais dos estados e conservar as lembranças do meu marido." (p.239)

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