31 de janeiro de 2009

A Contínua Revolução dos Livros

Lector in Fabula publicou, em novembro de 2008, o post falando sobre as novas formas de livro, dentre elas o kindle. Para saber mais, clique Coisas Interessantes Acontecem no Mundo dos Livros? Sim!
Saiu nesta semana no O Globo:
A Revolução Digital dos Livros O Globo - 29/01/2009
Por André Miranda
A afirmação de que os livros físicos vão acabar é encarada como catastrófica por uns, exagerada por outros, mas tem um caráter emblemático quando sua fonte é simplesmente uma das maiores livrarias do mundo. Depois de sacudir o mercado com o lançamento do e-book Kindle, há pouco mais de um ano, a empresa americana de comércio virtual Amazon aposta que é uma questão de tempo para que os livros virtuais substituam inteiramente o papel. “Algumas pessoas podem querer manter seus livros físicos por um valor emocional, assim como alguns fazem com os discos de vinil. Mas nossa previsão é de que as próximas gerações lerão exclusivamente no formato digital“, disse Cinthia Portugal, relações públicas da Amazon, em entrevista ao Globo. Tanto otimismo da Amazon nesta, digamos, “Revolução Digital dos Livros“, deve-se à aceitação do Kindle nos EUA. O aparelho é um e-book do tamanho de um livro pequeno, mas com menos de dois centímetros de espessura. Nele, podem ser armazenados mais de 200 obras ao mesmo tempo, entre as 225 mil disponíveis. O Kindle também possui um teclado, possibilitando que se faça anotações como num bloco, ou que se marque alguma página do livro virtual. A Amazon não divulga números de venda, mas acredita-se que a procura por seu e-book, ao preço de US$ 359, tenha extrapolado suas previsões no Natal e esvaziado seus estoques.

Gavinhas da Alma fala sobre o Desafio 50 Livros e indica sua primeira leitura

Com toda essa festa das premiações com selos, tenho passeado bastante e conhecido outros blogs.Numa dessas idas incertas, encontrei o Lector in Fabula e conheci um outro selo, do qual gostei tanto que resolvi pedir para mim.Este selo é mais que uma brincadeira. É um desafio muito legal.Pedi e ganhei o selo.Entrei no desafio, que para mim é bem difícil.Já me explico por quê: adoro ler e ando sempre com um livro para cima e para baixo. Um no mínimo. Esse é o problema. Começo uns 5 ou 6 ou mais livros de uma vez. E cada vez que algo ou alguém, me sujerem um novo, vou atrás e compro e inicio. Além disso, tenho uma vida prá lá de agitada e adoro uma porção de coisas: correr, sair, papear, ler blogs, conversar neles, a partir dos comentários de que gosto entrar e conhecer outros blogs, trabalhar, fazer bebês nascerem, conversar interminavelmente...Então, por conta disso, esse desafio torna-se realmente isso. Uma coisa que tenho que me dar forças para cumprir.Vamos ver se consigo.Janeiro terminou e eu consegui terminar o primeiro livro.(Enquanto os ouros cinco começados vão indo, sendo lidos).Esse que terminei é até covardia.É um livrinho pequenininho (mesmo, tem 10/7cm) e é, no dizer de um outro leitor, um mimo.O autor é Mayrant Gallo, bahiano de Salvador, poeta e contista.O mimo tem 18 contos quase policiais, quase fantásticos. Todos curtinhos e maravilhosos.Você começa a lê-los despretensiosamente e fica completamente presa no pequeno volume de 120 páginas. Deliciosa prisão. Pequenas histórias que sugerem mais que contam, grandes histórias. O leitor entra num mundo fantástico de muitas dimensões. A real é a mais incrível delas.O livro foi um presente que ganhei do autor, que conheci aqui, pois ele tem um blog com o desafiante nome de: Não Leia!Graças a Deus sempre fui teimosa como uma mula e a melhor maneira de me fazer fazer alguma coisa sempre foi, dizer-me para não fazê-la. E descobri assim, um blog literário excelente e um escritor, poeta e contista brasileiro, com alma nórdica, e espírito brilhante de cuja existência jamais suspeitaria.Dele também o próximo livro que já comecei, publicado pela Cosac & Naify: O Inédito de Kafka, também de contos, e outro de poesias que li ano passado: Recordações de Andar Exausto.
Para dar aguá na boca e alimentar a curiosidade aí vão os nomes dos contos e um trecho do conto que dá nome ao livro: Esqueleto/A derrota/A última cena /O espelho/O intruso/Solidariamente/Um natal/O gato de dois rabos/Um braço na noite/Cabelos/A felicidade/Dizer adeus/Não fui eu/O amor não escolhe/Manhã simples/Vida nova numa enorme casa/Chuva/Mãos dadas.
"-O que é pior para você? - perguntou ao amigo - Esquecer uma mulher que amou ou não ter em seus braços uma outra que ama, que deseja? Ou ambas as situações são idênticas, de uma melancolia insuportável?"
(Texto de Gavinhas da Alma na íntegra)

Clube da Luluzinha indica seu 2º livro de 2009

A Queda que as Mulheres têm para os Tolos - e outros textos (Editora Crisálida) é meu segundo livro de 2009. Furou a fila por causa do meu trabalho no teatro... estou em processo de montagem de um espetáculo infantil que ilustra a infância de Machado de Assis e, para entrar na atmosfera do autor, nada melhor do que lê-lo.
É um livro, talvez difícil de encontrar em bibliotecas e livrarias, pertence mais ao mundo acadêmico, mas... com um pouco de sorte pode haver um perto de você! Recomendo-o para quem quer perder o trauma da reforma ortográfica. Sendo um resultado de pesquisa e fonte de estudos, o livro é fiel a primeira publicação dos textos selecionados e mantém a grafia original da época de Machado (como explica seu organizador, Oséias Silas Ferraz).
trecho de A Queda...
"O tolo está ácima dessas miserias. Não o assusta um futuro prenhe de qualquer inquietação afflictiva. Sempre acobertado pela bandeira da inconstancia, desfaz-so de uma amante sem luta, nem remorso; utilisa uma traição para voar a novas aventuras. Para elle nada ha de terrivel em uma separação, porque nunca suppõe que se possa collocar a vida n'uma vida alheia, e que fazendo-se um habito dessa communidade de existencia, faz-se pouco novamente soffrer, quando ella tiver de quebra-se." (p.27-28)
Além de A queda que as mulheres têm para os tolos (impresso em livro em 1861), texto curto traduzido do francês e primeiro livro publicado por Machado, temos nesta compilação outras pérolas: O ideal do crítico (1865) onde aponta as qualidades requeridas para a tarefa da crítica literária; Litteratura brazileira: instincto de nacionalidade (1873); Elogio da vaidade (1878), jogo de paradoxos ao melhor estilo machadiano; Theoria do medalhão (publicado em Papéis Avulsos, de 1882). fechando o volume com chave de ouro, o poema A Carolina (1906, escrito após a morte de sua mulher, fato que o deixou inconsolável).
trecho de Ideal do Crítico:
"O critico actualmente acceito não prima pela sciencia litteraria; creio até que uma das condições para desempenhar tão curioso papel, é despreoccupar-se de todas as questões que entendem com o dominio da imaginação. Outra, entretanto, deve ser a marcha do critico; longe de resumir em duas linhas - cujas phrases já o typografo as tem feitas - o julgamento de uma obra, cumpre-lhemeditar profundamente sobre ella, procurar-lhe o sentido intimo, applicar-lhe as leis politicas, vem emfim até que ponto a imaginação e a verdade conferenciam para aquella producção. D'este modo as conclusões do critico servem tanto á obra concluida, como á obra em embryão. critica é analyses, - a critica que não analysa é a mais commoda, mas não póde pretender a ser fecunda." (p.36)
(Texto de Zandali na íntegra)

Livros para Olhar

Adoro livros para olhar. A Editora Sextante acaba de lançar a edição brasileira do CubeBook, com os títulos Filhotes, A Terra e O Mar. Eu já escolhi: A Terra e O Mar. Na Livraria Timbre já tem! Escolha o seu e aprecie com o olhar.

Lançamentos Previstos para Fevereiro (1)

(Mia Couto, Livia Garcia-Roza, Milton Hatoum, Hanif Kureishi,Fred Vargas - Fotos da editora)
Somos leitores privilegiados, pois o mercado editorial brasileiro lança, a cada mês, inúmeros títulos. Lector in Fabula tenta trazer, na medida do possível, o que há de melhor.
Em fevereiro, chegarão às livrarias:
A Cidade Ilhada, de Milton Hatoum - Cia. das Letras
(tiragem de 10.000 exemplares)
Era outra Vez, de Livia Garcia-Roza - Cia. das Letras
(tiragem de 2.000 exemplares)
O Fio das Missangas, de Mia Couto - Cia. das Letras
(tiragem de 5.000 exemplares)
Relíquias Sagradas, de Fred Vargas - Cia. das Letras
(tiragem de 4.000 exemplares)
Tenho Algo a te Dizer, de Hanif Kureishi - Cia. das Letras
(tiragem de 3.000 exemplares)

30 de janeiro de 2009

Seis Contos da Era do Jazz e outras histórias

De F. Scott Fitzgerald eu tinha lido The Great Gatsby, livro que adoro! Eu conhecia os Seis Contos da Era do Jazz, mas nunca tinha lido. Foi daí que saiu o conto que deu origem ao filme O Curioso Caso de Benjamin Button - filme maravilhoso que comentei no blog Olhar Nômade. O livro de contos entrou para a minha lista, não estava programado, mas impossível assisitir o filme e não ler o conto. Aconselho a todos: assistam o filme e leiam o livro. A editora José Olympio fez uma nova edição para os contos e uma isoladamente de O Curioso Caso de Benjamin Button.
Segue abaixo o briefing da editora :
“O curioso caso de Benjamin Button”, o famoso conto de F. Scott Fitzgerald (1896-1940), que inspirou o filme homônimo dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blachett, é uma das envolventes narrativas deste Seis contos da Era do Jazz e outras histórias, que volta às livrarias em nova edição. Trata-se da fantástica história de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo ao longo da vida. Seu desenvolvimento se dá de maneira contrária ao normal: tendo nascido com aparência de um septuagenário, “ao completar dezoito anos, Benjamin era ereto como um homem de cinqüenta; tinha mais cabelos (...), o passo era firme, e a voz perdera o tom tremido e rachado (...)”. Na tentativa de adaptação às roupas e brinquedos, na escola e universidade, no seu amor pela bela garota que vira nele um homem maduro e cujas idades vão-se aproximando até se inverterem, acompanhamos a estranha vida deste homem especial, personagem maestralmente criado por Fitzgerald e que agora se torna ainda mais conhecido do grande público a partir do cinema. Seis contos da Era do Jazz e outras histórias, escrito em 1922, reúne os mais emblemáticos contos do consagrado escritor norte-americano, na tradução de Brenno Silveira, que assina, ainda, o estudo introdutório. “Era do Jazz”, o nome dado por F. Scott Fitzgerald ao momento de frenesi vivido nos EUA, principalmente, e também na Europa pós-Primeira Guerra, significava muito mais que música. Toda uma geração aturdida pelas lembranças e dificuldades dos anos anteriores parecia querer aproveitar cada momento como se fosse o último – e mal sabiam que toda a euforia da década acabaria com a crise de 1929. Nos anos de 1920, a rigidez dos costumes se flexibilizava, as mulheres chegavam ao mercado de trabalho e tornavam-se mais independentes, anunciava-se uma época de modernidade, velocidade, com seus automóveis e, ao som de jazz, intelectuais produziam em meio a intermináveis festas, com uma criatividade que transformaria o panorama mundial das artes. Seja na fantasiosa história de Benjamin Button, seja nos outros contos, verossímeis, o autor expõe não apenas essa intensidade que marcou sua época, sua vida e sua literatura: narra as vidas de seus personagens – homens bem-sucedidos, boas-vidas, maridos e mulheres insatisfeitos, os então recentes estudos de psicanálise – com cuidado de historiador e talento de ficcionista, consagrado por seus romances O grande Gatsby e Suave é a noite. A vida e a obra do autor misturam-se, não raro encontraremos traços do próprio Fitzgerald, da esposa Zelda e dos amigos nas histórias. É que, como disse o próprio: “Todos os meus personagens são Scott Fitzgerald, até as mulheres são Scott Fitzgerald.”

29 de janeiro de 2009

Campanhas Nacionais de Incentivo à Leitura e Conservação do Livro

Publishnews - 29/01/2009
A Prefeitura de Botucatu (SP), através da Secretaria Municipal de Cultura, lança nesta quinta-feira, dia 29, o Programa de incentivo à leitura Livro Livre, com proposta de disponibilizar livros em lugares de fácil acesso para a população. Conforme matéria publicada no portal Entrelinhas, os espaços serão instalados nos pontos de ônibus da cidade e os displays confeccionados em tecido para armazenar o material, com visor transparente. No primeiro momento, três pontos de ônibus a serem definidos receberão o programa, indica a matéria.
Publishnews - 29/01/2009
Um hospital de Salvador, na Bahia, está promovendo uma ação para incentivar o hábito da leitura entre seus colaboradores. Através do Clube do Livro, o Itaigara Memorial Hospital Dia disponibiliza livros que vão de títulos técnicos a romances, além de revistas. A ideia é estimular o lazer e a diversão, contribuindo com a qualidade destes momentos e incentivando hábitos saudáveis. Para ampliar as opções de títulos, o Itaigara Memorial ainda estimula os colaboradores que façam a doação de livros, para que o acervo seja ampliado.
PublishNews - 29/01/2009 - Por Redação
Com a proposta de estimular os alunos a cuidar do livro didático e compartilhar conhecimento, a Secretaria Estadual de Educação e Cultura do Piauí (Seduc) vai orientar os diretores, professores e coordenadores pedagógicos, para desenvolverem atividades sobre a importância da conservação dos livros didáticos. De acordo com o Portal 45 graus, cerca de 819 escolas de Ensino Fundamental e Médio da Rede Estadual, das 21 Gerências Regionais da Educação, estarão envolvidas no sentido de organizar em suas respectivas unidades de ensino, reuniões e palestras para viabilizar o êxito da Campanha de Conservação do Livro Didático. A gerente de Gestão e Inspeção Escolar da Seduc, Maria do Carmo Marques, destaca que os livros destinados aos estudantes, através de convênio com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), têm uma durabilidade de três anos e os exemplares, ao serem devolvidos em bom estado de conservação, são reutilizados por novos estudantes.

Conforme prometido, depoimento de Patricia Lino sobre o projeto Clarice Lispector em Portugal

Conforme prometido, trazemos o depoimento de Patricia Lino, autora do Projeto Clarice Lispector, para dar um depoimento sobre a recepção dos transeuntes ao seu pedido de tirar uma foto com o retrato de Clarice Lispector (feito pela própria Patricia). Lector in Fabula agradece Patricia Lino pela gentileza em dar seu depoimento.
Nelida, aqui vai o depoimento:"Não é todos os dias que alguém nos aparece, pedindo-nos que segure um rosto de uma mulher, a fim de nos fotografar. E cá entre nós, é bom ser-se esse alguém. Ao andar pelas ruas - e quem diz ruas, que diga escolas, faculdades, cafés, museus e afins - foram muitas as coisas que aprendi e as quero ainda aprender. Porque não é dentro de casa que o vou fazer. A maioria delas, das pessoas que falo, teve até hoje, uma reacção positiva. O positivismo significa aqui o jeito prestável, a boa recepção de ideias, o desejo de querer saber mais. E porquê levar-lhes um rosto, porquê pedir-lhes que o segurem? É tudo uma questão de experimentarmos e começarmos por confessar que assim que o seguramos entre mãos, perguntamos instanteanamente a quem ele pertence. Quem afinal está ali. A resposta é Lispector, Clarice Lispector. Segue-se então a pergunta, mas quem é Clarice Lispector?, diz-se, é uma das melhores escritoras na história da literatura brasileira, ah, nunca ouvi falar, devia ler, que livros me aconselhas, tem um papel, sim sim, então deixe-me escrever-lhe aqui. E escreve-se. Talvez a melhor recompensa, Nelida, seja receber um abraço e escutar, obrigada Patrícia, obrigada por me trazeres Clarice. E se não forem essas as palavras serão outras que me dirão, já vou no terceiro livro Patrícia, não consigo mais parar, e é tão bom não parar, não parar aqui, não pares então. Nunca pares.Daí, ser enriquecedor ser-se esse alguém que nos interpela de manhã, aquando nos digirimos para o trabalho, de tarde quando nos preparámos para mais uma aula, ao fim dela, quando queremos chegar até casa. Não se esconda que se ouvem também respostas negativas, - pouquíssimas, até ao dia de hoje - no entanto, cheguei até a fugir de uma senhora, às portas do mercado do Bolhão, bonito mercado aliás, mas com tudo se aprende, Nelida, e se faz um pouco de exercício pelas ruas da cidade: sabe bem usar as pernas, rir enquanto se as usa, e se segurar os tantos rostos de Clarice enquanto se corre. O Projecto Clarice não é só um Projecto que se realiza para uma cadeira na Faculdade, o Projecto Clarice pretende levar às pessoas aquilo que eu penso, vejo, cheiro, sinto e me arde, aquando leio Lispector. E isso não é fácil, mas também não é impossível. Porque eu penso, vejo, cheiro, sinto e ardo. Olhá lá, mas porque raio andas tu com tantas Clarices na mão?, não é só na mão, onde é, é na cabeça. Em muitos sítios, portanto, em muitos sítios, assim."
Patrícia Lino a 29 de Janeiro de 2009.

Tão Ontem como pretexto para falar do leitor

Tão Ontem, de Scott Westerfeld , é um livro para jovens. Foi lançado pelo selo Galera, da Editora Record. Mas vocês sabem, eu sou uma leitora sem preconceitos. Leio livros para crianças-adultos e leio também livros para jovens-adultos. Um dos direitos do leitor: ler o que lhe der na "telha", sem preconceitos se é Paulo Coelho, escritora indiana ou o quem quer que seja. O leitor também tem o direito de não gostar do livro e abandoná-lo, como aconteceu com Keila Vieira, do blog Talhos&Retalhos, que não gostou do livro A Mulher que Escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar. A mesma coisa aconteceu com outra blogger-leitora que abandonou Quando Nietzsche Chorou. "Só porque todo mundo está lendo, não significa que eu tenha que ler também", disse-me ela. E ela está certa. Cada autor tem uma chave para cada uma de nossas portas. Às vezes não abre. Eu, por exemplo, não passei da primeira página do Quando Nietzsche Chorou. Tem gente que não suporta José Saramago, eu adoro! Já tentei o Don Quixote e deixei para a próxima...dessa vez não dá. E vou deixar de ser gente boa por causa disso? Ler literatura de entretenimento é ótimo, tem fases que a gente não quer ler nada "pesado". Estou falando alguma sandice?
Vou falar do Tão Ontem quando terminar a leitura, agora ele foi o meu pretexto para falar um pouco de nós, leitores.
Para ilustrar o post, não resisti em colocar a querida Mafalda, de Quino.

28 de janeiro de 2009

O Retorno do Keitai Shosetsu - Romance de Celular

Depois de um ano, o assunto volta à baila...Vilma Goulart, do blog Informação de Primeira, me enviou a matéria que saiu fresquinha. Releiam também meus posts sobre o assunto:
Abaixo, texto da Revista Brasileiros:
Literatura pelo telefone (Osmar Freitas Jr., de Nova York)
A febre no Japão são os livros escritos e lidos pelo celular. Prefiro as histórias dos antigos egípcios ou maias que, pelo menos, sabiam desenhar bem.
O New York Times Book Review informa que os cinco livros de maior sucesso no Japão foram escritos e são lidos exclusivamente em telefones celulares. Ou seja: os autores gastaram horas movimentando seus polegares nas teclinhas minúsculas dos aparelhos. Os resultados foram romances de acesso gratuito em telas do tamanho de um selo postal. Leve-se em conta que as obras estão grafadas em caracteres japoneses, que se contam aos bilhões.A primeira conclusão sobre esse espantoso fenômeno é a de que reduzirá a frangalhos os polegares dos escribas, e os olhos dos leitores rumam à cegueira. São boas notícias para ortopedistas e oculistas. Mas é péssima novidade para profissionais da literatura. Quem irá comprar um livro, quando tem romance de graça no celular?É claro que alguém, como eu, preferirá a obra impressa. Acho que o livro é o melhor gadget inventado pela humanidade. Além disso, sou completamente iletrado nas escritas text-message. Não envio nem recebo mensagens codificadas. Sou da época em que só espiões de filmes tipo B faziam isso. Meses atrás, minha filha tentou me convencer a aprender o novo idioma. Mostrou um texto recebido naquele momento. Confesso que se ali estivesse a dica do maior furo de reportagem, desde que Moisés entrevistou Deus, este repórter comeria barriga. Para mim, aquela ortografia é grego. E estou convencido de que temos agora o maior atentado contra as palavras, desde o advento do Código Morse.Como será uma literatura cuja frase chave é "U R My BFF" (tradução: You are my best friend forever - Você é meu melhor amigo para sempre)? Parece enredo de jogo da forca. Imagine um título que pode ser confundido com o derrame de sopa de letrinhas. Prefiro as histórias dos antigos egípcios ou maias que, pelo menos, sabiam desenhar bem. Estamos, é claro, no limiar da destruição de dez mil anos de civilização ocidental. E a oriental que se cuide, pois também já subiu no telhado.Gente como eu, que ganha a vida escrevendo à moda antiga, vai ter de procurar outros meios de sobrevivência. Se é que viver valerá a pena, num mundo cuja literatura é o equivalente a uma subestenografia. E nem adianta aprender esse novo idioma. Os autores de livros, como se disse, não ganham dinheiro com as obras. De minha parte, sempre achei que de graça não se deve sequer escrever obscenidades em portas de banheiros públicos.A moda dos romances de celulares ainda não chegou aqui nos Estados Unidos - nem no Brasil, imagino. Mas é só questão de tempo para começarem a macaquear. Mesmo que, por intervenção da fúria divina, o gênero não emplaque como no Japão, a vaca literária já foi para o brejo. Trata-se de flagelo maior do que o cometido pelos turcos, que usaram a biblioteca de Alexandria como combustível para sauna. Mas esses, pelo menos, não detonaram a escrita. Depois da invenção do text-message, ninguém mais quer ler qualquer coisa que seja maior do que o enunciado de um provérbio de biscoito da sorte de restaurante chinês. A esses jovens turcos, vai aqui a minha mensagem: "Fck U".

Ficções Coletivas

Faça livros em colaboração com pessoas do mundo (Por Gustavo Villas Boas - Folha de S. Paulo - 28/01/2009)
A brincadeira em que uma pessoa começa uma história e outras continuam migrou para a internet. A comunidade Protagonize é uma das versões on-line dessa prática. O site, em inglês, possui milhares de histórias em dezenas de categorias. Existem projetos que vão além do entretenimento na seara colaborativa. O site librivox.org, por exemplo, organiza voluntários dispostos a narrarem obras que estão em domínio público para as transformar em audiolivros, que podem ser baixados. O site da iniciativa está parcialmente traduzido para português. A Wikipédia, referência quando se trata de conteúdo criado por várias pessoas na internet, tem uma seção dedicada aos livros. A seção em português da Wikibooks é uma das mais ativas dentre todos os idiomas com participação - possui mais de 5.000 módulos, ou páginas que possuem material didático de um livro. O foco são os livros para educação. A Wikibooks é considerada a biblioteca da Wikiversidade, um projeto para a criação de cursos abertos e gratuitos.
No Lector in Fabula, acesse o link do blog Incubadora Literária, na lista Mar de Histórias, para conhecer a iniciativa brasileira.

Livraria Cultura e o Mobilie Marketing no Mercado Editorial - O Começo

Livraria Cultura vai oferecer conteúdo via Bluetooth aos clientes 27/01/09 A Livraria Cultura acaba de fechar uma parceria com a EI Movil, empresa pioneira e líder em marketing e entretenimento pelo celular, para o fornecimento de conteúdos, via tecnologia Bluetooth, para o público freqüentador das oito lojas da rede, onde serão instalados os módulos bluetooths.Com essa iniciativa, a Livraria tem como objetivo criar mais um canal de comunicação com os cerca de 500 mil clientes que passam mensalmente por suas lojas. Além disso, essa será mais uma ferramenta de comunicação e marketing que poderá ser utilizada, pelas empresas parceiras da Livraria. Uma ação teste realizada no último mês, nas oito lojas da Livraria, teve um resultado excelente. Foram localizados 380 mil celulares. A solicitação de adesão foi mandada para 226 mil aparelhos e 140 mil pessoas aceitaram receber o wallpaper, o que significou um retorno de mais de 25%. A primeira empresa a utilizar de fato os módulos de bluetooths instalados na Livraria Cultura foi a The Walt Disney Company Brasil. A ação, que termina nessa semana, divulgou o lançamento do DVD do filme WALL-E. Os clientes que acionaram os bluetooths de seus celulares receberam um conteúdo exclusivo do filme e, ainda, quem comprou o Disney DVD do filme na Livraria Cultura e apresentou no caixa o conteúdo recebido, ganhou um porta CD exclusivo.“O celular é o meio de comunicação que está ao lado do consumidor na hora da compra. As empresas estão começando a prestar mais atenção na capacidade de acesso e de divulgação desse meio e essa parceria com a Livraria Cultura poderá ser o caminho para a entrada de novas empresas no Mobile Marketing”, complementa Fábio Cardoso, diretor da EI Movil.
Fonte: AdNews

27 de janeiro de 2009

Palestra sobre Edição Independente e Direito Autoral no Brasil

(Fotos João, Luiz, Corina e Jaury - por Nelida Capela, N6120 - fico devendo a qualidade do N95)
Aconteceu ontem à noite, no Espaço Rio Carioca, nas Laranjeiras (Rio de Janeiro, Brasil), palestra com Jaury Nepomuceno, do EDA (Escritório de Direitos Autorais) da Biblioteca Nacional; Corina Haaig e João Luiz Struchiner sobre Edição Independente e Direitos Autorais.
Ao chegar, aproveitei para testar o sistema wifi do local - funciona perfeitamente! Parabéns para Isabella e Felipe, o serviço foi maravilhoso! Não fiz o post na hora, simultaneamente, pois ainda não adquiri a habilidade, mas pode deixar que já, já farei os post online.
A proposta do encontro foi falar dos direitos autorais, sobre o serviço de books on demand e apresentar a escritora independente Corina Haaig, que contou a sua experiência até chegar à PodEditora e ter seu livro editado (on demand).
Pelo visto, o mercado editorial brasileiro está começando a amadurecer. Mas confesso, há muito caminho ainda. A questão do BookScan no Brasil ainda é tabu e a relação editor, livraria, autor e leitor muito frágil. Mas é um começo de conversa, um diálogo, onde a participação do leitor é importantíssima. O livro é um negócio, o leitor tem uma demanda e precisa ser ouvido (em muitas livrarias o leitor é ouvido-só os editores não sabem disso, ou sabem?).
Em tempo, informo que acompanho o amadurecimento do mercado editorial português, através do Twitter, especificamente nas redes da BlogTailors, e vejo que a discussão lá está num nível amadurecido, a ponto de encontrarmos cursos de Marketing do Livro, de Escrita Reconstrutiva, participação de twitters portugueses no Shorty Awards e a visibilidade dos números do mercado português como elemento de fortalecimento das relações entre editores, livreiros e autores. Será que vai demorar muito para haver uma demanda do mercado em relação a esses números? Por exemplo, a Nielsen UK estreou em 2008 seus serviços na Austrália e Nova Zelândia (novos mercados) e o resultado está bem satisfatório. Conversei em 2008 e agora em 2009 com o executivo Richard Knight (Operations Director da Nielsen Book) para saber quais as demandas para a implementação de um serviço desse, farei um post especial sobre esse assunto.
Além da questão do direito autoral e os novos direitos, com os commons, também foram colocadas questões sobre as diferenças entre os mercados brasileiro, europeu e americano; as novas redes e a recepção dos leitores; o itinerário do escritor num mercado onde o livro tem diversas formas, entre elas o papel e o eletrônico.
Foi, com certeza, uma noite muito rica para essa questão no Rio de Janeiro. Acho que deveriam ser promovidos outros encontros com mais editores (jovens editores incluídos), livreiros e autores cariocas, sobretudo para um diálogo catalisador entre as partes. Outra sugestão, chamar os bloggers do meio da literatura, quem escreve ficção, quem fala sobre mercado, quem fala sobre leitores.
Dá muito pano para a manga, ou melhor, páginas para o livro.
Para saber o que acontece sobre o negócio do livro no Twitter, acessem minha rede http://twitter.com/NelidaCapela

Isso é Coisa de Lilly indica o 3º livro de 2009

(Texto de Lilly na íntegra)
Em uma fria noite de inverno de 1979, Grace Meade, uma importante moradora de Havenwood, uma cidadezinha próxima de Minnesotta, é assassinada e seu corpo e sua casa queimados. A única suspeita é sua filha única, Jillian. Alex Cruz, agente especial do FBI descobre que mais duas senhoras inglesas haviam sido assassinadas tendo seus corpos queimados, e suas investigações o levam a Jillian, a ultima pessoa a vê-las com vida. Em choque depois de ter sido salva do incêndio e internada em um hospital psiquiátrico, Jillian não consegue explicar os fatos que levaram à morte de sua mãe e começa a escrever um diário com relatos do passado e do presente. Ao investigar o motivo pelo qual Jillian teria assassinado a própria mãe, o agente especial Cruz não imaginava que, para decifrar o crime, teria de revolver todo o misterioso passado de Grace. O que se pensava é que Grace, uma inglesa viúva de um americano morto na guerra, havia militado na resistência francesa. Quanto mais Alex Cruz procurava a verdade, mais fatos estranhos apareciam, revelando segredos ocultos. E era da revelação desses segredos que dependiam o futuro de Jillian Meade.Um excelente livro, daqueles em que fica se tentando descobrir a intenção por trás das palavras da autora, mas não consegui, só mesmo perto do fim.

26 de janeiro de 2009

Vida Cotidiana indica sua leitura: La Bodega

(Texto de Ana Rosa na íntegra)
Sempre quando acabo de ler um livro, gosto de comentar sobre ele. Acabei de ler La Bodega do Noah Gordon, excelente escritor de livros de sucesso como Xamã e O Físico. Em La Bodega, ele faz uma descrição detalhada do surgimento das vinícolas espanholas. Conta a história de um jovem agricultor Joseph e seus sonhos de transformar uma vinícola medíocre em uma referência em vinhos de qualidade. O livro é cheio de detalhes sobre uvas, formas de cultivo, contado de forma suave, entremeado com romances e lutas revolucionistas. Vale apena ler.

Clarice Lispector invade o Porto e arredores de Portugal

Recebi o PublishNews com essa nformação. Não é bárbaro!
A imagem de Clarice Lispector tomou de assalto a cidade do Porto e arredores, em Portugal. Seu rosto enigmático tem aparecido em muros e postes ­ e desaparecido, sem aviso. Isso quando não há uma moça estacionada numa rua qualquer, a interpelar os transeuntes, com a foto da escritora brasileira, de origem ucraniana, nas mãos: "O senhor poderia me deixar fotografá-lo segurando esta imagem?". A moça é Patrícia Lino, de 18 anos, estudante de letras da Universidade do Porto. É ela a responsável pelo súbito alvoroço em torno da figura de Clarice, que tem deixado intrigados moradores da região. Mas o objetivo é esse mesmo: espetar a curiosidade alheia e, com isso, divulgar a obra da autora. Projeto ambicioso, que teve início num mero trabalho acadêmico: Patrícia precisava escolher um autor para analisar no curso de Métodos e Técnicas de Pesquisa. A ideia original era fazer retratos, de punho próprio, do rosto de Clarice (Patrícia também é desenhista). E ela os fez, de fato. Mas então imaginou "que seria bom também espelhar o rosto dela nas pessoas da cidade", conta. (24/01/2009 - Por Juliana Krapp - Jornal do Brasil)

Zandali encontra os Sapatinhos Vermelhos de Joanne Harris

Lembram da leitura reomendada por Palavras Partilhadas no post Palavras Partilhadas indica sua leitura? Era o Sapato de Rebuçado, de Joanne Harris. Não tínhamos a informação da tradução do livro no Brasil, ainda. Mas Zandali, do blog Clube da Luluzinha, nossa investigadora, achou! Então, o livro foi traduzido por Alyda Christina Sauer e editado pela Rocco. Chama-se Sapatinhos Vermelhos. Agora, basta ir a livraria mais próxima e pedir o livro.

25 de janeiro de 2009

Diário de Henryhh termina Emma e vai para o 3º livro de 2009

Nosso querido amigo Henryhh está deixando a rede de blogs que se formou desde que entramos em 2009 com o desafio de ler 50 livros. Na verdade, esse desafio significa passar mais tempo conosco, com os livros, com o mundo. Momentos de páginas para nós. Vamos sentir sua falta, seus incentivos, suas leituras, suas iniciativas mobilizadoras.
Henryhh terminou Emma, o seu 2º livro do ano.
"Oi, Nelida, acabei "Emma", to indo pro terceiro!
Bjs!
http://henryhh2008.blogspot.com/2009/01/emma-de-jane-austen.html

24 de janeiro de 2009

Lector in Fabula indica: Cidade de Ladrões - 2º livro de 2009

(Foto de Leningrado)
Terminei a leitura do Cidade de Ladrões. É excelente! Há umas "cenas", pois o livro é um filme que a gente cria na cabeça, impressionantes: paraquedista que voa morto, cães bomba, canibais, soldados congelados, tudo que você possa imaginar. Deveria virar filme. A determinação dos personagens em sobreviver à guerra causa em nós, leitores, uma grande admiração por eles. Somos seduzidos por suas aventuras de vida, morte, amizade, humanidade, delicadeza e humor. Como disse anteriormente, o romance é a memória de um personagem que sobreviveu ao cerco alemão à cidade de Leningrado, Rússia. Tudo começa com uma missão insólita...mas eu não vou contar qual é. Essa missão insólita nos faz refletir sobre as guerras, os conflitos religiosos, étnicos, poder, capricho, vaidade, egoismo. Há uma partida de xadrez deliciosamente descrita pelo personagem, que representa o próprio jogo da vida que está sendo narrado. Outro fato interessante, um dos personagens está escrevendo um livro. Por isso utilizei a imagem da matroschka literária no post Fragmentos de Leitura da Cidade de Ladrões. A narrativa que lemos é uma narrativa dentro da narrativa.
Trecho do livro:
"A iminência da morte não me assustava tanto quanto deveria. Eu sentia medo havia muito tempo; estava exausto demais, faminto demais, para sentir qualquer coisa com a intensidade adequada. Mas se meu medo havia diminuído, não era porque minha coragem tinha aumentado. Meu corpo estava tão fraco, tão esgotado, que minhas pernas tremiam pelo esforço de ficar em pé. Eu não conseguia me preocupar muito com nada, incluindo o destino de Lev Beniov" (p.248)

23 de janeiro de 2009

Site Infomação de Primeira divulga o Desafio 50 Livros 2009

O site Informação de Primeira, da Vilma Goulart, publicou, na edição de hoje, informações sobre a Campanha InterContinental de Incentivo à Leitura. Não deixe de visitar o site ! Aproveite e confira as dicas de Vilma para a semana, no Rio de Janeiro. Em tempo, o site Informação de Primeira, assim como Bairro das Laranjeiras e SaborearBH estão na lista Além do Mar de Histórias. Naveguem lá! Lector in Fabula agradece o carinho e simpatia de Isabel Vidal, Patricia Canarim e Vilma Goulart pelo Desafio 50 Livros 2009.

22 de janeiro de 2009

Palavras Partilhadas indica mais uma leitura

(Texto de Paula Silva na íntegra)
Li "As Herdeiras de Adriano Gentil" e...
Adriano Gentil era um empresário bem sucedido, que tendo subido a pulso nos negócios, viveu com cinco mulheres diferentes. Madalena, Alda, Maria Manuel, Laura e Ivone, cada uma com essências, personalidades e formas de estar na vida intrínsecas, complementaram-no nas diversas fases da sua existência, como se fossem peças de uma engrenagem evolutiva. A todas Adriano amou e respeitou de igual forma, tendo-as beneficiado no testamento também de modo similar, com a condição de não voltarem a casar. Romance que, ao percorrer as sinuosidades da mente feminina, e, numa constante reviravolta de emoções, ambições e manipulações, proporcionou-me momentos de leitura agradáveis e divertidos.
Trechos do livro:
"Enquanto a Madalena era uma imagem, a Alda um símbolo da ordem, a Maria Manuel uma cavaleira insaciável e a Laura um anjo, a Ivone era um objecto sexual, uma maçã proibida. "( ... )" Segundo a moral estabelecida, eu tive demasiadas mulheres. Mas, olhando para trás, não consigo prescindir de nenhuma. Como já expliquei neste relato quase póstumo, era como se as cinco formassem uma mão, em que cada dedo só faz sentido em conjugação com os outros e não é possível prescindir de nenhum."
"Adriano era um homem metódico em tudo e essa disciplina prolongava-se na intimidade. Começava sempre pelo princípio: por descalçar as mulheres que desejava. Depois despia-as com vagar, peça a peça, nunca parando de falar, até ficarem completamente nuas. Soltava-lhes então os cabelos, beijava-lhes os lábios, o queixo e o pescoço, mordiscava-lhes todas as saliências - os lóbulos das orelhas, o nariz e os mamilos -, afagava-lhes a pele como se alisasse veludo, pela frente e por trás, massajava-lhes as costas, as nádegas, os músculos das pernas e as plantas dos pés, lambia-lhes o tronco desde a base dos seios até ao início das coxas, sorvia-lhes finalmente o ventre com o mesmo requinte com que saborearia ostras (com a única diferença de que apreciava menos os frutos do mar). O que se passava a seguir manda a moral que não se conte. "
Informações para brasileiros: Acredito que não haja a edição brasileira, sendo necessária uma busca em livrarias especializadas. Mas ainda não encerrei a pesquisa.

Isso é Coisa de Lilly...A Décima Terceira História

Mais um livro da Confraria dos 50
(Texto de Lilly na íntegra)
Nem bem acabei de ler Cem Anos de Solidão, no domingo à noite, e já engatei, segunda-feira, com A Décima Terceira História, de Diane Setterfield. Contrariando aquela máxima de que "não se escolhe o livro pela capa", eu faço isso direto, se não tenho indicações do autor. Afinal máximas, regras e mitos são pra serem testados mesmo. Desta vez nem folheei, simplesmente não resisti à “gostosa” aparência dele: um livro de bom tamanho e grossura, páginas amareladas, capa macia em tom vermelho vibrante e com duas frases em amarelo: “o maior fenômeno literário de 2006″ e “primeiro lugar na lista dos mais vendidos do NY Times”. Isso impressiona não? Este não foi o primeiro livro que escolhi pela capa e acertei. Pronto! Já me antecipei e contei que o livro é bom.
Sobre o Romance: A famosa escritora Vida Winter vive reclusa em sua luxuosa mansão. Agora, velha e doente, e depois de passar anos engendrando tramas e mistérios sobre suas origens, ela convida a biógrafa amadora, Margaret Lea, a escrever suas memórias. Ela contará toda a verdade desde que Margaret ouça e não pergunte nada, e nem interfira. Sem pensar, aceita o convite de Vida e muda-se para sua mansão. Margaret é uma moça de 30 anos,culta, filha de um colecionador de livros. Mantém um excelente relacionamento com o pai, que é também seus cúmplice e amigo e tem um relacionamento difícil com a mãe. A perda de sua irmã gêmea (Moira) quando recém nascida ainda a assombra, um fato que ela omite de todos. Na mansão, envolvida com o enredo que Vida vai lhe fornecendo, Margaret começa a pesquisar seu passado para checar as informações descobrindo fatos sobre a estranha família da escritora. Vida começa a narração em terceira pessoa, como se ela fosse uma testemunha dos fatos ocorridos, sutilmente ela passa a narra em primeira pessoa. Até quase o final ficamos em duvida quanto a sua real identidade. O livro faz homenagens a clássicos da literatura inglesa ao citar Jane Eyre, Rebecca e as obras de Sir Arthur Conan Doyle.

Murakami premiado com o Prêmio Jerusalém 2009

Meu escritor japonês favorito, Haruki Murakami, ganhou o 2009 Jerusalem Prize e receberá o prêmio em fevereiro, durante a Feira Internacional do Livro. Acabei de saber pelo...Twitter (tô dizendo, tem que ficar antenada!). No Brasil, Murakami é publicado pela Estação Liberdade e Alfaguara. Temos a sorte de encontrar muitos títulos traduzidos direto do japonês. No ano de 2008, na Argentina, foram publicados muitos títulos de uma só vez. Nos EUA, Murakami é bem conhecido, aliás, ele morou no país. Adoro Kafka à Beira-Mar, Caçando Carneiros, Minha Querida Sputnik, The Elephant Vanishes (ainda não traduzido).

Novidades: Twitteratura

Nem todo mundo sabe o que é Twitter, nem que o espaço reduzido de caracteres(140 para ser precisa) tornou-se um desafio à criatividade de toda a gente. Já há até uma premiação para esse tipo de escritor. Na verdade, vejo a Twitteratura como uma releitura do haikai(Haiku ou Haicai), forma poética de origem japonesa que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas consistem em três linhas, contendo na primeira e na última cinco letras e sete letras na segunda linha. Bushô (1644-1694) foi o principal reprsentante desse gênero, e que se dedicou a fazer desse tipo de poesia uma prática espiritual. Olha aí a influência japonesa no ocidente. Na lista ao lado, Mar de Histórias, os leitores já podem encontrar o link direto para o blog Twitteratura e para o Shorty Awards. Como ferramenta de informação e comunicação, acho o Twitter fantástico, estou descobrindo muita gente interessante nessa rede. Visite o blog da Cynara Navarro e leia, é bem interessante e há vários autores escrevendo textos de qualidade. Isso me lembra os contos de Alberto Moravia. Em três páginas, esse escritor italiano era capaz de descrever um filme. Impossível não imaginar cena a cena e não se envolver com a narrativa. Aliás, esse tipo de narrativa concisa é típica de alguns escritores japoneses, italianos e nórdicos. Acho de uma genialidade, cofesso. Usar poucas linhas para dizer tanta coisa...

Fragmentos de Leitura da Cidade de Ladrões

Leitores, este livro é muito bom. Acredito que hoje à noite encerro a leitura. Um escritor e um menino cuja missão, para sobreviver, é...não posso contar. Sendo que a estória está sendo escrita por um outro escritor, em outro tempo, a partir das memórias de um sobrevivente. Uma matroschka literária. Os personagens passam pelos horrores da guerra e levam-nos com eles, tão expecional é a narrativa de David Benioff (tudo bem que ele é roteirista de cinema, se não me engano do Caçador de Pipas, Tróia, X-Men). Não terminei, mas já vou recomendando. Misteriosamente este livro tinha que ter furado a fila mesmo. Mas não é assim mesmo? Livros que pulam de estantes, que aparecem perdidos, que aparecem em nossa mesa, que aparecem mencionados em e-mails. Mistérios dos livros.
Diz Kolya, o escritor:
O Talento dever ser uma amante fanática.Ela é linda; quando você está com ela, as pessoas olham, elas reparam. Mas ela bate à sua porta em horas estranhas e desaparece por longos períodos de tempo, e não tem paciência para outras partes de sua esxistência: sua esposa, seus filhos, seus amigos. Ela é a noite mais emocionante de sua vida, mas um dia ela vai abandoná-lo para sempre. Certa noite, depois de ter desaparecido durante anos, você a verá de braço dado com um homem mais jovem, e ela fingirá não reconhecê-lo. (p. 185)

21 de janeiro de 2009

Há livros que furam a fila...A Cidade de Ladrões

Acontece de um livro que estava na fila, ou não como foi o caso deste, passar a frente de todos os outros que estão programados para leitura. É um movimento curioso e interessante. Estava na casa da mãe da Rosana Sanchez, minha amiga de vida, quando de repente, pulou da mesa o Cidade de Ladrões. Li as orelhas..."Posso levar emprestado?". "Pode". Comecei a lê-lo ontem. São memórias do cerco à cidade de Leningrado, Rússia, feito pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. O livro foi lançado recentemente, perto do Natal. Creio não tê-lo visto ainda mencionado nos jornais, isso acontece muito, pois a quantidade de lançamentos é maior do que a de suplementos que podem anunciá-los. Por isso a importância de blogs como o Lector in Fabula, para que o leitor possa ter conhecimento de livros lançados e que não tem espaço para aparecer. Tentamos, na medida do nosso possível, ler o que aparece de mais interessante e trazer para as páginas virtuais desta grande rede.
Um fragmento: "As almas bravias que sobreviviam inverno após inverno na Sibéria possuíam algo que eu não tinha, uma grande fé em algum destino esplêndido, fosse o Reino de Deus ou sua justiça, ou a promessa distante de vingança." (p. 29)
Para ler um trecho do livro, entre no site da editora Alfaguara

20 de janeiro de 2009

Isso é Coisa de Lilly indica...Cem Anos de Solidão

Lilly, do blog Isso é Coisa de Lilly, acaba de reler Cem Anos de Solidão. Fiquei encantada com sua leitura e até confesso que esse é um dos livros que não consegui ler em toda a minha vida, assim como Paixão Segundo GH (apesar de ter lido quase toda a obra de Clarice Lispector). Talvez porque não tenha me entregue de coração na leitura . Acho que agora chegou a hora de eu ultrapassar o umbral do castelo mágico de Gabriel Garcia Marquez e finalmente ler Cem Anos de Solidão. Obrigada, Lilly, por nos encantar com essa leitura. (A edição está disponível pela Editora Record).
(Texto de Lilly na íntegra)
Acabei de reler Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez.
É um dos meus livros preferidos e li em várias fases da minha vida, e quantas vezes eu leia sempre vou achar que é um livro mutante, pois tenho a impressão de encontrar algo diferente inserido ali, ou, um parágrafo que eu jurava ter lido em um capitulo e que agora encontro em outro. Loucura? Não, uma explicação que eu tenho é que Marquez escreve de uma forma que nossa imaginação continua tecendo em torno daquela descrição...então imaginamos a mais. Vamos ao romance: Fala da estória da família Buendia, começando pelos patriarcas Jose Arcádio Buendia e sua esposa Úrsula Iguaran, fundadores da fictícia cidade de Macondo. Tiveram 3 filhos, José Arcádio, Aureliano e Amaranta e a partir daí a estória flui em volta desta família até a sua sexta geração e extinção, pois segundo um manuscrito deixado por um mago (Melquíades) esta família não terá uma segunda chance na terra. A família Buendia tem seus filhos naturais, bastardos e adotivos. Os nomes se repetem ciclicamente, então, todos os homens nascidos desta família levam os nomes Arcádio e Aureliano. Um leitor mais distraído pode confundir uma Arcádio pai com um Arcádio sobrinho, mas se tiver atenção verá que cada um da família tem seu nome citado integralmente, então não há como confundir. O patriarca Jose Arcádio Buendia tem sempre seu nome citado por extenso porque ele teve um filho José Arcádio, um neto Arcádio, um bisneto José Arcádio Segundo e um tataraneto José Arcádio. A matriarca Úrsula repete sempre que “o mundo dá voltas”, pois nesta família tudo se repete de um modo cíclico, principalmente para as pessoas que carregam os mesmos nomes. Úrsula diz que os Arcádios são impetuosos e trabalhadores, e os Aurelianos são quietos e estudiosos. Durante os cem anos da saga desta família há revoluções, incestos, tragédias. Creio que nenhum escritor escreveu algo tão intrigante quanto este livro, com personagens tão densos e situações tão complexas. Situações como a chuva que durou 4 anos, 11 meses e dois dias; ou como o mato e as formigas que invadem a casa quando sentem que o fim da família está próximo. Personagens como Mauricio Babilônia que tem sua presença denunciada pelas borboletas amarelas que esvoaçam em torno de seu corpo; como Rebeca que arrastava atrás de si um saco com os ossos de seus pais; Remédios Moscote a bisavó da família, casada com o Coronel Aureliano aos 11 anos e morta aos 14, então a família sempre se divertiu muito com a figura de uma avó e laço na cabeça e boneca no colo; como o Coronel Aureliano que viúvo de remédios, teve 17 filhos, todos chamados Aureliano e que foram mortos em uma só noite; Pilar Ternera, vizinha dos Buendia e mãe, avó e bisavó bastarda de vários membros da família;ou Remédios a bela, que de tão pura e inocente um dia ficou transparente e subiu aos céus. A Rede Globo cansou de inserir em suas novelas situações e personagens com as características deste livro. Na novela Pedra sobre Pedra, (Aguinaldo Silva) o fotógrafo Jorge Tadeu ao morrer é encontrado com borboletas brancas sobrevoando seu cadáver. De seu túmulo nasce uma flor ( parecida com um antúrio) que enlouquece as mulheres que a comem. Há referência aos nomes “Úrsula”e “Pilar” do livro. Uma personagem interpretada por Miriam Pires, dona Quirina, viveu até 120 anos (como Úrsula Iguaran, do livro) e tinha uma memória fantástica( como Úrsula). Há uma profusão de filhos bastardos também, como no livro. Os ciganos freqüentam a cidade, como também na cidade de Macondo, os ciganos apareciam a cada temporada trazendo novidades de outras terras. Em Tieta, também de Aguinaldo Silva, há relacionamento entre a tia (Tieta) e o sobrinho ( Ricardo), e a cidade de Santana do Agreste é arrasada por um vendaval de areia. Aguinaldo Silva deve ser tão fã deste livro quanto eu. Cem Anos de Solidão é um livro para ser lido e relido.

19 de janeiro de 2009

Lector in Fabula indica a sua primeira leitura de 2009

O Livro do Sal é um romance que mistura realidade e ficção. Seu personagem principal, Bihn, o cozinheiro indochinês de Gestrude Stein e Alice B. Toklas, narra as memórias da antiga pátria, do lar familiar, de um novo país, de um amor, de um espírito de época, de suas experiências na cozinha... Esse cozinheiro também compartilha com o leitor a intimidade de suas Mesdames, de deus convidados, de seus cães, de seus hábitos e de suas extravagâncias.
O tempo narrado é anterior à Primeira Guerra Mundial, a cidade é Paris, no momento mais frutífero da arte com jovens artistas e escritores como Picasso, Joyce, Nijinski, Jean Cocteau, Apollinaire, Matisse, Ernest Hemingway, entre outros.
Entre tantas leituras que posso fazer, me parece que Bihn é o narrador não só do cotidiano de Gertrude e Alice, mas observador de um momento também de crise política mundial - anterior à primeira grande guerra - e de uma intervenção em sua própria pátria - Indochina, colônia francesa àquela época. Indochinês em Paris, sempre estrangeiro e sempre exótico. Interessante também as memórias do tempo sem fronteiras, nômade, quando Bihn passa a habitar navios e mares distantes, sem porto seguro, sem lar. Vagante.
O texto é muito interessante, elegante, às vezes árduo, mas talvez porque traga em si a trama de um personagem angustiado e misterioso, com flashes de perda, paixão, ironia, sensualidade, exílio, descobertas.
No post Perto de terminar o primeiro livro de 2009 publiquei alguns fragmentos interessantes do livro.
Outros fragmentos:
"Doce Delícia de Domigo uma vez me disse qu dentre todos os cinco sentidos, o que ele menos confia é a nossa capacidade de ver. É a que engana com mais facilidade. Na maior parte das vezes, afirmava ele, é o coração que nos diz o que está ali e o que não está." (p.290)
"Sal, pensei. Gertrude Stein, de que tipo? De cozinha, suor, lágrimas, ou do mar. Madame, eles não são a mesma coisa. Seus estímulos, suas ferroadas, suas intensidades, a distinção entre eles é sutil. Você sabe." (p.32o) Sugiro também a leitura de O Livro de Cozinha de Alice B. Toklas, que, além das receitas deliciosas, traz a partir da página 217 comentários sobre os seus cozinheiros indochineses.

18 de janeiro de 2009

Hora do Recreio: Meme entre Bloggers e Leitores

Aceitei o delicado convite de Henryhh, do blog Diário de Henryhh, para participar do Meme.
"Meme significa criar um post com uma idéia e fazer com que outras pessoas escrevam sobre este mesmo tema, dando seu ponto de vista". (Fonte: Alexandre Fugita, escritor do site Techbits)
As regras são:
1-Colocar o link de quem te indicou pro "meme"
2-Escrever estas 5 regras antes do seu meme pra deixar a brincadeira mais clara
3-Contar os 6 fatos aleatórios sobre você
4-Indicar 6 blogueiros pra continuar o meme
5-Avisar para esses blogueiros que eles foram indicados
Vamos ao Meme!
1-Tenho problemas com palhaços e anões, não posso ver um, se der sopa saio correndo atrás para bater - acho que me levaram muito ao circo quando era criança.
2-Adoro voar - aviões, helicópteros, wingsuit, planador - desde criancinha adoro aeroporto.
3-Adoro o mundo dos livros - ler, trabalhar, falar sobre, arquivar, frequentar livrarias, bibliotecas, mercado editorial, números, design.
4-Tenho queda pelo que a vida mostra parecer impossível: pessoas, trabalho, amor, idéias, projetos, tudo que você possa imaginar.
5-Ficar sem árvores e animais em volta de mim causa falta de ar. É quase como se o mundo estivesse morto.
6-Preciso aprender a lidar mais comigo mesma e com os outros. Tenho tendência a olhar mais para fora do que para dentro.
Convido para o recreio:
1. Rainha Guilhermina, da Esquina do Desacato
2. Paula Silva, do Palavras Partilhadas
3. Keila Vieira, do Talhos e Retalhos
4. Roseana Franco Saraiva, do Escreve Ouve e Vê
5. Maria Cláudia, do Sabe Assim Meu Lado B
6. Guilherme Selles e Marcelinha, do GM Connection
Tal como fez Henryhh, convido também os demais leitores e visitantes do Lector in Fabula!

17 de janeiro de 2009

Escreve, Ouve e Vê traz "mais um livro pra conta"

Mais um pra conta
(Texto de Roseana Franco Saraiva na íntegra)
Finalizei a leitura do livro da Tati Bernardi - "tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é". não é um romance, são contos todos urbanos, falando da mulher moderna, seus desejos, seus pensamentos. basicamente o que ela trata em todos os textos é sobre sexo, desejo e relação com seus parceiros. bom, ao menos no primeiro plano esse é o assunto dos contos. no segundo plano, no plano de fundo, aparece toda a carência feminina, a tristeza e solidão dos encontros.me senti próxima dela. não pelos encontros com homens e na busca pelo sexo, já estou fora do mercado há 10 anos, acredito e prezo pela fidelidade. mas, é similar o sentimento de abandono quando fazemos, damos ou esperamos o que o outro não pode nos dar. tenho a mania de esperar que os ditos amigos, sejam quem não são. desejo sempre que me amem, com a intensidade que eu quero me amar... será que eu consigo me amar como eu quero que eles me amem?pra finalizar, uma frase de um de seus contos:
"... Eu fiquei numa tristeza sem fim. Depois pensei que a gente só odeia quem a gente ama. E fiquei feliz. Pode me xingar quanto você quiser desde que isso signifique que você ainda gosta um pouquinho de mim."
Comentário de Adriana Falcão disponível no site de Tati Bernardi:
Mulher que escreve sobre mulher, gente moderna que fala coisa de gente moderna, otimistas que pretendem melhorar a nossa vida (e/ou a deles), pessimistas que fazem piada sobre a condição humana, e por aí vai. As páginas de papel e as telas de computador estão lotadas de textos que tecem comentários a respeito do mundo em que vivemos. Tati Bernardi comenta esses nossos dias de hoje com uma graça espantosa, uma generosa capacidade de rir de si mesma, um olhar que consegue enxergar vários pontos de vista, e um estilo forte e atrevido, além do extremo bom gosto. Vai muito além da “moça que escreve bem sobre o seu tempo.” … diferente. Tati é uma escritora e isso fica muito claro em cada idéia, cada imagem, na ousadia, no ritmo, na sonoridade, na forma. Às vezes, sua sinceridade é tão desconcertante que a gente fica pensando se quem fala é ela, ou um personagem: “...eu sou um pouco mais estranha do que ser estranha permite. Sou estranha além do charme de ser estranha.” Seja ela, seja um personagem, essa menina estranha chega lá no miolo das nossas doidices, manifesta nossos sentimentos mais secretos e escreve bem pra caramba. Bem vinda ao mundo das palavras que provocam a gente, Tati.

Mais um da Confraria dos 50 finaliza leitura: Clube da Luluzinha

Volta ao Mundo em 80 Dias
(Texto de Zandali na íntegra)
Tudo começou no final do ano passado! fui até um sebo (coisa que sempre faço em cidades com potencial nesse quesito) e procurei a estante de info-juvenil... entre tantas pérolas que li no meus primeiros anos nas letras (dentre as quais escolhia algumas para presentear meu sobrinho), deparo-me com um livro de capa brilhante! o título: volta ao mundo em 80 dias, um clássico da literatura, escrito pelo senhor Júlio Verne! Nesse momento, me dei conta de que conhecia a história mas nunca a havia lido!! uma falha imperdoável... e qual não foi minha surpresa ao descobrir nas páginas de uma aventura, uma história de amor! somente gênios como Júlio Verne seriam capazes de tamanha precisão estilística. Para quem, como eu, cometou o pecado de não ler, aí vai um aperetivo: o protagonista dessa aventura é Phileas Fogg, um inglês calmo e metódico, que nunca se apressa, porém nunca chega atrasado; um respeitável membro da sociedade britânica que acredita não existir adversidade que não possa ser vencida e nem problema que não possa ser resolvido com um pouco de cálculo e organização e, para provar essa teoria, aceita o desafio de dar a volta ao mundo em 80 dias (o que, naquela época, era considerado um feito quase impossível). em 2 de outubro de 1872, às vinte horas e quarenta e cinco minutos, Phileas parte de Londres e leva consigo, Passepartout, um criado francês recém contratado (ao longo da viagem ele trará mais problemas que soluções ao seu senhor!). um roubo ao banco leva a polícia em seu encalço e Phileas Fogg percebe que as coisas não serão tão fáceis. A história é tão envolvente que li e reli... a primeira vez, tentanto chegar logo ao final para ver se Phileas atingiria seu objetivo. a segunda, para aproveitar ao máximo a genialidade do escritor em descrever paisagens... e fica o convite à leitura. sugiro esta publicação da Editora Melhoramentos (da capa brilhante!). mas, também há uma versão em formato de livro eletrônico da E-Books Brasil.

16 de janeiro de 2009

Site SaborearBh divulga Desafio 50 Livros

O site SaborearBh, de Patricia e Paulo Canarim , publicou hoje o briefing da campanha Desafio 50 Livros. Visite o site e saiba mais sobre essa campanha intercontinental de incentivo à leitura.

Um trecho inédito de Margarida Rebelo Pinto

Gosto de escritores portugueses, pena que conheça a tão poucos...Inês Pedrosa (que não tive coragem de ler), Margarida Rebelo Pinto, Augustina Bessa Luís, Manuel Alegre, José de Saramago, Lídia Jorge, Miguel Torga, Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Eça de Queiroz, Mariana Alcoforado (quem não leu Cartas Portuguesas?), só para mencionar alguns.

Adoro Margarida Rebelo Pinto, pois sua prosa me leva a muitas reflexões, algumas sem conclusões óbvias, como numa rua sem saída, mas que nos fazem pensar, e outras que tornam-se cúmplices dos pensamentos mais intimos do ser (ahhh, alguém também pensou nisso, pois não estou louca!). Acho que ela está para a nossa Martha Medeiros, com um up típico europeu, típico português - e que faz toda a diferença - não me crucifiquem pelo comentário.

Aqui no Brasil, a editora Record publicou a trilogia que inclui os romances Sei Lá(1999), Não há Coincidências(2000) e Alma de Pássaro(2002) - datas de publicação em Portugal, aqui chegou por volta de 2004, se não me falha a memória.

Sempre notei que as pessoas de Portugal e de Brasil falavam de Margarida com certo receio em relação ao valor da obra. Descobri de onde vem esse receio, é de uma polêmica com João Pedro George, que em Couves e Alforrecas dissertava sobre a deficiência de Margarida enquanto escritora. Desculpe, mas só em Portugal para isso acontecer. Mas, convenhamos, quais são os critérios para um bom ou mau romance? Acho que sempre esquecem dos leitores nesses casos. Seja como for, eu sempre apostei e indiquei para os clientes da Livraria Timbre e os leitores nunca se arrependeram de tê-los lido, nem nunca arremessaram o livro na minha cabeça, pois eu sempre dizia "se não gostar do livro, volte aqui e me arremesse na cabeça à vontade" - confesso, isso aconteceu uma única uma vez.

Biografia:Margarida Rebelo Pinto licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas na Universidade Clássica de Lisboa e iniciou a atividade de jornalista em várias publicações como: O Independente, Se7e, Marie Claire e Diário de Notícias. Escreveu seis romances, quatro livros de crônicas, um livro para crianças e uma biografia. O seu primeiro livro, Sei lá, publicado em 1999, foi um dos maiores sucessos de vendas em Portugal, atingindo números de vendas pouco usuais para o país. Mais tarde, com os seus títulos seguintes, rapidamente alcançou um êxito similar. Atualmente, as suas obras estão traduzidas na Espanha, Brasil, Países Baixos, Bélgica, Alemanha e Lituânia. Margarida dedicou-se também ao cinema, sendo a autora do filme Um Passeio no Parque e, mais recentemente, às peças de teatro. (Fonte: Wikipedia)
Visitem o site de Margarida Rebelo Pinto, lá você encontrará outros textos disponíveis. Detalhe, o link já está aqui, na coluna "Mar de Histórias".
O texto abaixo fala de árvores e de nós, humanos, e da qualidade do texto não há o que duvidar! Como alguns leitores sabem, amo árvores, aproveitem e leiam depois o post sobre o livro A Árvore Generosa, que publiquei em dezembro de 2008.

Dar é ser 23 de Março de 2005

O fruto é cego. É a árvore que vê. A árvore sabe que o fruto vai nascer. Todos os anos a árvore carrega os frutos até que caiam, até que alguém os vá arrancar. E sem os seus filhos, a árvore prepara-se para dar mais filhos no ano seguinte. A árvore cresce na solidão. Fala com a terra, mas ninguém ouve. Conversa com os pássaros, mas só eles entendem. Discute com as outras árvores, mas quase nem se percebe, apenas o som tranquilo a que chamamos vento. A árvore já é árvore ainda antes de nascer. Sabe que vai ser grande, que vai passar a altura dos telhados, que vai assistir à partida daqueles que mais se ama, à chegada de outros, cujo regresso era impensável. A árvore cresce no silêncio, com ajuda do sol, às vezes fustigada pelo frio, às vezes maltratada pelo homem. E aguenta tudo. Isto é, se não quiser morrer. Porque as árvores são como as pessoas: se elas quiserem morrer, nada as prenderá a este mundo. Mesmo que as raízes nunca sejam arrancadas, a árvore escolhe outra existência, parte-se, parte e desiste, como nós.O fruto é cego. Nasce pequeno, frágil, torto. Depois arredonda, cresce, convence-se que é gente, pendura-se no tempo, dança com o vento, pensa que vai ser feliz, brinca com o sol. E um dia cai. Fica a árvore, fica o medo, fica a noção incontornável da mudança, da insegurança, de tudo o que é hoje verdade, amanhã desapareceu.Mas o fruto não sofre, porque não vê e como não vê, não sabe nada. A árvore assiste. Tranquila, porque conhece o universo e as suas regras. E sabe que a primeira regra é que as regras mudam. E muda o tempo. E muda o modo. E muda o mundo. A árvore assiste a tudo, serena, como uma sábia, como uma velha índia, como uma avó. A árvore esconde o mundo no tronco e dá comida nos ramos. A árvore sabe que quanto mais se dá mais se tem, que dar é a melhor forma de viver, que dar é ser. A árvore espera que o mundo melhore, sem esperar nada dos homens. E cala a dor, a tristeza, a solidão, a paixão nunca vivida de um abraço. E quando está cansada, aquece os homens e consome-se, gloriosa e bela, num festival sublime de fogo e cor. E dança para nós, perfeita nos seus derradeiros momentos. A vida é bela enquanto nos consome. A vida é bela mesmo antes do nascimento. A vida é bela porque é cruel, porque é curta, porque é imprevisível. E a árvore sabe que faz parte da vida, que pode guiar os homens ou os frutos, por isso por isso não desiste, por isso fica.

Site Bairro das Laranjeiras divulga Desafio 50 Livros

Na semana passada, o site Bairro das Laranjeiras, de Isabel Vidal, divulgou em nota o Desafio 50 Livros. Hoje, Isabel publicou no site o briefing da campanha e o selo da Confraria dos 50. Visite o site e saiba mais sobre essa campanha intercontinental de incentivo à leitura .

15 de janeiro de 2009

Perto de terminar o primeiro livro de 2009

Estou quase no fim da leitura de O Livro do Sal, de Monique Truong. A escrita de Monique é interessante, sedutora, convidativa. Ela envolve, atrai, como se fossémos uma mosca indo direto para a teia, para a armadilha.
Alguns fragmentos que desejo compartilhar com vocês, antes do grand finale:
Com certeza tivemos sorte em encontrar bons cozinheiros, embora eles tivessem suas fraquezas em outros aspectos. Gertrude Stein gostava de lembrar-lhe que, se não tivessem essas falhas, eles não estariam trabalhando para nós. -Alice B. Toklas-
Esta casa não é uma moradia, é um templo.
O pensamento cada vez mais forte com o aroma de cravo e canela no ar - transportando-me do passado, um país sem fronteiras no qual muitas vezes me vejo, e me devolve a Paris, à Rue de Fleurus, onde se abre uma porta, cujas dobradiças vermelho-ferrugem são o único ornamento. Uma mulher com cara de coruja aparece e coloca-se numa fresta de luz. Ela, penso, tem o rosto de um "Antepassado". Não que seu rosto seja enrugado ou sombrio. Os rostos dos antepassados, segundo Bão, meu companheiro de beliche a bordo do Niobe, carregam traços que permanecem imutáveis durante séculos. (p.36)
Quente e frio são muito fáceis de distinguir. Já o morno merece uma investigação científica, é um resultado que exige aferição e cálculo. Morno, para Gertrude Stein, é também uma dose deleitável de vingança. (p.193) A senhorita Toklas acredita que em cada refeição ela serve parte de si mesma, uma requintada metáfora a adornar cada prato. (p.193)
A linguagem é uma casa com grande número de portas, e quase nunca sou convidado e nem tenho as chaves. (p.194)

Escreve, Ouve e Vê Perde Livros...

(Post original de Roseana Franco Saraiva no blog Escreve, Ouve e Vê)
Sempre tive o desejo de expandir a cultura, não tenho dom para ser professora, nem descobri ainda outra forma de, ativamente, levar a cultura aos que não tem acesso. Foi por este motivo que comecei a dar alguns livros. Dava sempre para pessoas conhecidas, mas que eu não tinha muita intimidade. Como por exemplo: o garçom que me servia num dos restaurantes ao lado do trabalho, o segurança da empresa... E assim foi, dei alguns livros, olhava uma pessoa com gosto pela leitura e já dava um livro.Um dia me falaram sobre uma comunidade dedicada a perder um livro, fui a caça e descobri no Orkut. A comunidade tem 3722 membros e o objetivo é exatamente como diz o nome: perder um livro. Segundo eles, essa é uma prática internacional de incentivo à leitura. O mais interessante da proposta é fazer os livros circularem mundo a fora.A prática consiste em: ler um livro, cadastrar no site oficial e perder em um lugar público.O site oficial é http://www.livr.us/ . Lá você cadastra o livro, imprime uma etiqueta que deve ser colada no livro e depois simplesmente perde ele. Com o cadastro, você pode rastrear o livro, e quem sabe descobrir que ele já rodou tanto que foi parar em outro Estado. Fiz o cadastro e perdi um livro pelo sistema. Certamente o livro foi encontrado, passo todos os dias pelo mesmo lugar e ele não está lá. Porém, quem achou também não retornou ao site para dizer onde achou e onde perdeu. Uma pena, perdi o rumo do livro, mas espero que ele continue sua caminhada de mãos em mãos.A sensação de perder o livro propositalmente é tão interessante, que tomei como prática. Vez em quando perco uns livros. Mas sempre pelo bairro onde moro no Rio de Janeiro. Logo, se você é de Laranjeiras, fique atento, pode achar um livro perdido por ai. Agora a idéia é incentivar outras pessoas a perderem livros, quanto mais livros caminhantes, mais incentivo à leitura, mais pessoas felizes e sim, acredito num país melhor.Ah, fiquem atentos, semana que vem, no dia 20/01, vou perder outro livro!!!!

Entre Aspas indica sua leitura

"Carreguei Jano até o sofá. Os olhos entreabertos, virados para o teto,me assustaram.Chumaços de algodão, em frasco de álcool e duas ampolas quebradas sobre a mesa de centro. Subi até os quartos. Ninguém. Procurei Macau nos fundoas da casa, não vi o DKW. Quando voltei, Fogo farejava a cabeça do dono. Gemeu, erguendo os olhos amarelos e murchos para mim. Peguei o pulso de Jano e senti uma palpitação fraca, demorada. Não sei quanto tempo fiquei ali, ouvindo ganidos, perto dos dois: quatro olhos que já não se encontravam.Parecia que toda uma época se deitara para sempre”. Milton Hatoum in Cinzas do Norte .
Fico muito feliz e só tenho a agradecer o carinho do meu leitor Arquilau, por ter me concedido a possibilidade de ler esse romance fabuloso. Como muito bem descrito na orelha: belo, amargo e maduro. Adorei. O livro foi um presente de um leitor querido depois de ter me visto postar um outro texto de Hatoum. Já naquele gostei muito do modo de escrever e das palavras escolhidas. Neste romance, isso se reafirmou. Brasileiro, com impressões nacionais fortes de Manaus e Rio de Janeiro, conta a história de dois amigos, Lavo e Mundo, que perdurou pela vida toda e quem sabe além, unidos pelos traços dos desenhos e palavras. É uma história densa, profunda, muito marcante e que prende do início ao fim. Gostei muito e com certeza, vou ler mais do autor. O próximo é Dois Irmãos, está na lista das próximas leituras. (Texto de Lyani na íntegra)
Sobre Milton Hatoum :Descendente de libaneses, ensinou literatura na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e na Universidade da Califórnia em Berkeley. Escreveu quatro romances: Relato de um Certo Oriente, Dois Irmãos, Cinzas do Norte (vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura e todos os três primeiros ganhadores do Prêmio Jabuti de melhor romance) e Órfãos do Eldorado. Seus livros já venderam mais de 200 mil exemplares no Brasil e foram traduzidos em oito países.
(Fonte: Wikipedia)