28 de fevereiro de 2009

Palavras Partilhadas quer saber mais de Lector in Fabula

Paula Silva, do blog Palavras Partilhadas, da Confraria dos 50, queridamente quer saber mais sobre Lector in Fabula: indicou-nos este prêmio.Mais uma vez, Paula, parabéns pelo prêmio e obrigadíssima pelo reconhecimento !
Associado a este prêmio vêm algumas regras, são elas: - Publicar o link da pessoa que o/a nomeou; - Escrever as regras no blog; - Contar 6 coisas aleatórias sobre si; - Indicar mais seis pessoas e colocar os respectivos links no final do post; - Avise as pessoas que indicou, deixando um comentário nos seus blogs; - Deixe os indicados saberem quando publicar o seu post.
Seis coisas sobre mim: 1. Adoro piquenique e estar ao ar livre; 2. Adoro sorvete Belgian Cholocat Haagen-Dazs; 3. Tenho pavor de monólogos, adoro diálogos; 4. Não vivo longe de livros e música; 5. Adoro descobrir novos olhares e compartilhar com as pessoas, fazer arqueologias; 6. A pressa é inimiga da perfeição, já dizia a minha avó argentina (Nelida).
E queremos saber mais sobre...

25 de fevereiro de 2009

Outra sugestão de leitura para terminar o Carnaval 2009

Falando da Provence, eu não poderia deixar de fora a Toscana, poderia? Recomendo o livro Sob o Sol da Toscana. As páginas de Frances Mayes são leves, interessantes, cheias de receitas saborosas, impressoões e sentimentos. Você pode imaginar cada detalhe narrado por Frances: o interior de Bramasole, as rendas da feira, as cestas, os embutidos, antipasti...quase dá para sentir o aroma, os girassóis e o calor do sol. E agora? Vai de Toscana ou de Provence? Eu já escolhi!
Desejo bom final de Carnaval e boas leituras para todos vocês !

Sugestão de leitura para o fim do Carnaval 2009

Escrevi sobre uma sugestão de filme, mais cedo, para o meu outro blog, o Olhar Nômade. Um filme para terminar o Carnaval de 2009: Um Bom Ano - adaptação do livro de Peter Mayle. O filme tem uma bela fotografia e uma trilha sonora adorável! Aproveito para recomendar os livros de Peter Mayle. Quem não conseguiu abrir um livro, por causa da folia de Carnaval, e quiser aproveitar o weekend, dá tempo! Pega um dos livros de Peter, uma delícia de se ler. Pode aproveitar e planejar as próximas férias: Provence, o que acham?
Confiram a lista de títulos no site da Editora Rocco.
Corra até a livraria mais próxima, não perca tempo!

23 de fevereiro de 2009

Leituras de Carnaval

(Interior da Livraria Timbre)
Carnaval, feriado longo, bom para leituras. Muitos lançamentos, muita coisa boa nas livrarias, sem dúvida. Tive aquele velho problema: livro que fura fila. Foi o caso de Autobiography of a Yogi, de Paramahansa Yogananda, que caiu em minhas mãos outro dia. Uma leitura vagarosa, atenta e reveladora. Para a vida. Ao mesmo tempo, Q-O Caçador de Hereges, do coletivo criativo Luther Blissett (este assunto merece um post em particular).

Sugestões que estão nas livrarias:

A Cidade Ilhada - Milton Hatoum - Companhia das Letras

A Ledora de Rendas - Brunonia Barry - Editora Rocco

Era Outra Vez - Livia Garcia-Roza - Companhia das Letras

Fio das Missangas - Mia Couto - Companhia das Letras

Mapas para Amantes Perdidos - Jack Whyte - Editora Record

O Leitor - Bernhard Schlink - Editora Record

O Tigre Branco - Aravind Adiga - Editora Nova Fronteira

O Último Chef Chinês - Nicole Mones - Suma de Letras

Pensão Eva - Andrea Camilleri - Editora Record

Sua Resposta Vale um Bilhão - Vikas Swarup - Companhia das Letras

20 de fevereiro de 2009

A Hora do Livro e dos Leitores

Bibliotecas fazem usuários do metrô embarcarem na viagem dos livros - Montadas nas estações, bibliotecas já registram 44 mil sócios.Usuários não pagam nada para ler os livros.
Quem passa pelo metrô em quatro grandes cidades brasileiras tem a oportunidade de embarcar em outra viagem: a do conhecimento. Bibliotecas montadas nas estações já registram 44 mil sócios que não pagam nada para ler livros. E o que é melhor: o número de novos leitores está crescendo. Veja o site do Bom Dia Brasil O aposentado Francisco Assis pega mais um livro emprestado. “O barato de ler é que distrai. Você se instrui, você conhece coisas novas e está sempre descobrindo”, afirma o aposentado. No ano passado, a artista plástica Paula Carriconde leu 90 livros apenas da biblioteca do metrô. “É um prazer mental que só a leitura e o conhecimento podem te dar”, afirma. Eles escolhem entre mais de 29 mil livros, de todo tipo e de todo gênero, em estações de metrô de São Paulo, Recife, Porto Alegre e Rio de janeiro.
O projeto foi criado e é administrado pelo Instituto Brasil Leitor (IBL) e tem parceiros e financiadores na iniciativa particular. Nas idas e vindas, entre a saída de casa e a volta, o usuário do metrô lê. E lê cada vez muito. Só no Rio, os empréstimos nas bibliotecas passarem de 48 mil de livros. O levantamento do IBL mostra que o interesse cresce. No último ano, foi de 25%. “É de fácil acesso. É uma biblioteca, pela qual você não tem que pagar para utilizar, o que facilita a vida da gente, porque já está no caminho do trabalho para casa”, comenta a secretária Aline Caldeira. Os livros encantam aposentada Eny de Araújo. “Quem lê não sente solidão. Eu não tenho a solidão na minha vida”, diz. Ela mantém uma caderneta com a lista do que tem lido ultimamente. São páginas e páginas com anotações. Livros ao alcance de todos: Dona Paula vê futuro nisso. “O que o nosso povo mais precisa é alimentar a alma e fazer ele pensar maior e enxergar além do horizonte”, diz a artista plástica.
(Fonte : Portal G1)

Patricia Canarim escreve sobre a leitura no Brasil

Atenção leitores do Lector in Fabula, Patricia Canarim, que faz parte do Coletivo do blog TMS - Tecnologia e Mobilização Social, acaba de publicar post sobre a leitura no Brasil. Menciona, inclusive o Desafio 50 Livros 2009. Clique aqui e leia o post.

Palavras Partilhadas indica Cão como Nós, de Manuel Alegre ( 8º livro de 2009 ... 2332 páginas lidas )

São 117 páginas alegres e comoventes que desnudam o vínculo construído sem palavras entre um Homem e o seu cão ! Kurika ... assim era o nome deste animal dotado de uma personalidade muito especial e retratado como um ser único. Apesar de assumir-se como mais um membro da família, copiando as pessoas que o rodeavam e imitando os seus comportamentos, não deixava de ignorar as regras da casa e criar as suas próprias normas. Página sim, página não, temos os relatos alternados de um narrador que apesar de o saber diferente, durante muito tempo acreditou que o cão era cão e deveria ser convencido de tal realidade. Todavia, com a sua morte, acabou por compreender que aquele era um personagem definitivo no enredo familiar. Era o olhar atento, a alegria, a aproximação silenciosa, o corpo entre os pés, as manifestações durante as apresentações musicais, a empatia, a solidariedade, a presença. Perante esta narrativa simples, dotada de uma linguagem poeticamente viva, é impossível não deixarmo-nos levar pela comoção perante a morte de Kurika. Confesso mesmo que nas derradeiras páginas não pude deixar de sentir aquela 'lágrima no canto do olho' ! Adoooooooooooooooro animais !!! Tenho 2 cães e melhor que ninguém sei e sinto o quanto eles são cães como nós ! ;)
Fragmento do livro:
- Será que o cão tem espírito ?, perguntou-me o filho do meio. Olhei para ele surpreendido. E acabei por responder: - Não sei sequer se nós próprios temos espírito ou se é o espírito que nos tem ou está em nós. - É isso o que eu queria dizer. Olha para ele. Era um fim de tarde de Agosto, o cão estava parado frente ao mar, o pêlo muito luzidio, a cabeça levantada, narinas abertas, sorvendo o ar. - Ele está a cheirar o espírito. O espírito da terra, o espírito do vento, o espírito das águas. "
Manuel Alegre in "Cão Como Nós"
(texto de Paula Silva na íntegra)
Li Cão como Nós há alguns anos atrás, numa edição portuguesa emprestada pelo Dr. Hilton Seda, à epoca em que eu trabalhava na Livraria Timbre.
No Brasil, o livro foi editado em 2008 pela editora Agir.

Palavras Partilhadas recebe selo Blog de Ouro

Nossa querida Paula Silva, do blog Palavras Partilhadas, é um exemplo de leitora e blogger. Digo isso não só pelas distinções que recebe, mas pela quantidade de leituras que compartilha com outros leitores, muitos aqui do Lector in Fabula. Companheira de livros, Paula enriquece nossos blogs também com imagens, informações e outras pérolas raras. Parabenizo, então, Palavras Partilhadas pelo selo Blog de Ouro, concedido por Rita Mello. As regras da distinção são as seguintes: Copiar o selo e colocar no blog; Fazer referência ao nome de quem atribuiu o prémio e publicar o respectivo link; Premiar seis blogs que sejam uma inspiração para si; Deixar um comentários nos blogs escolhidos para que saibam que foram premiados.
E os nomeados são:
Olha o Lector in Fabula aí de novo! Obrigada, Paula ! Obrigada, Leitores!

19 de fevereiro de 2009

Li em 2008 e Recomendo

Bernard Werber se torna o segundo autor francês mais vendido no mundo Bolívar Torres, Jornal do Brasil
RIO - O escritor Bernard Werber sempre precisou de uma certa distância para observar a humanidade. Foi analisando nossa espécie por pontos de vistas inusitados que se tornou o segundo autor francês mais vendido no mundo (logo depois de Marc Lévy), com quase 20 milhões de cópias e traduções para 35 línguas. Como comprova o sucesso de sua trilogia As formigas, escrita entre 1991 e 1996, e cujo segundo volume, O dia das formigas, acaba de sair no Brasil (o terceiro, A revolução das formigas, será lançado até o segundo semestre). Best-seller planetário, a obra cruza a sociedade humana com o mundo subterrâneo das formigas, imaginando como os insetos nos veem – e o que diabo estes seres, ultra-organizado e enigmáticos, pensam de nós. – Não podemos entender como funciona um sistema quando estamos dentro dele – analisa Werber, em entrevista ao Jornal do Brasil. – Só podemos realmente enxergar as coisas quando assumimos pontos de vistas exóticos. As ovelhas que estão em um rebanho não veem para onde o grupo vai, a não ser que saiam de lá. Acho necessário que apareçam vigias ou inventores que façam perguntas sobre a direção que toma o rebanho. Mas só podem fazer isso se saírem do ponto de vista normal. Os três volumes de As formigas fogem mesmo da normalidade. A trama se passa na floresta de Fontainebleau e se divide em dois núcleos: o universo dos homens e o das formigas. A aventura humana se desenvolve a partir da figura de Edmond Wells, um eminente mirmecólogo, morto desde o início do primeiro livro, e cujas descobertas revolucionárias sobre os insetos são herdadas pelo sobrinho, Jonathan. Enquanto isso, na mesma floresta uma colônia de formigas, formada por 64 cidades e 18 milhões de indivíduos, começa a se preocupar com a ameaça dos homens. As duas tramas evoluem paralelamente em clima de suspense, numa mistura de thriller com ficção científica, até o explosivo encontro final.
Conto filosófico Quando começou a escrever o primeiro volume, aos 16 anos, Werber não tinha intenção de criar uma trilogia. Mas, quando os críticos apontaram seu livro como uma simples história sobre insetos, o autor se sentiu incompreendido e resolveu dar seguimento à trama. O objetivo era provar que as tais formigas serviam, na verdade, como metáfora para discutir algo mais profundo. – O que me interessa é o homem, o futuro e a humanidade – reitera Werber, que antes de se lançar na carreira de escritor trabalhou 10 anos como jornalista científico. – As formigas são apenas um ponto de vista exótico para falar do homem. A trilogia incorpora temas científicos e filosóficos a gêneros já bastante demarcados da literatura popular. Não por acaso foi adotada no ensino de ciências pelas escolas francesas. Werber flerta com todos os grandes temas da civilização, como sociologia, biologia, mitologia, espiritualidade e ciências políticas, sempre numa narrativa simples, de fácil leitura. Na hora de classificar seus romances, porém, o autor prefere a aproximação com o conto filosófico, gênero imortalizado no século 18 por Voltaire e Jonathan Swift. – Eu gostaria de criar um novo gênero: a ficção filosófica, que seria uma espécie de continuação da ficção científica. A ciência não salvará ninguém. O verdadeiro caminho é a mudança de mentalidade.
Mesmo vendo a trajetória humana com olhos críticos, o escritor não perdeu a esperança em nossa espécie.
Ele próprio se define como um “sonhador”: – O homem ainda está na fase da adolescência – filosofa. – Faz besteiras porque tenta entender. Só espero que não destrua o planeta antes. O sucesso comercial dos livros de Werber (o autor é hoje uma mega-celebridade na Coréia do Sul) não convenceu os críticos. Mas o escritor não se importa com as pedradas do meio literário. Tranquilo, cita o ditado bíblico: “Ninguém é profeta em sua terra”. – É normal que isso aconteça – conforma-se. – Todo fenômeno novo não pode ser reconhecido por um sistema antigo. Se o sistema antigo se entusiasma com um autor, é porque ele se parece com aquilo que já se conhece. Nunca vimos um inovador ser reconhecido vivo...
Escritor admite infuência de Jorge Furtado Depois do sucesso literário, Bernard Werber resolveu se aventurar no cinema. Seu primeiro longa-metragem, Nos amis les terriens (Nossos amigos terráqueos), de 2007, tem inspiração brasileira. O longa observa o comportamento humano do ponto de vista de um extraterrestre, que estaria fazendo um documentário sobre nós. A ideia lembra o cultuado curta-metragem do diretor gaúcho Jorge Furtado, Ilha das Flores. A partir da trajetória de um tomate, desde o seu ponto de origem (o plantio na terra do Sr. Suzuki) até seu ponto final (a descarga pública para alimentar porcos e pessoas pobres), o curta mostrava de forma didática o comportamento da nossa espécie, como se apresentasse a Terra a um visitante interplanetário. A proximidade entre as obras não é coincidência. – Eu vi Ilha das Flores depois de ter escrito o roteiro do meu curta-metragem de estréia – admite Werber. – Adorei desde o começo. Para mim é “A” referência em curtas. O diretor-escritor diz que compartilha com o colega gaúcho o gosto pelo inusitado. – Eu e Furtado temos as mesmas preocupações – avalia. – Queremos saber quem são os humanos. E como conseguimos fazer coisas tão estranhas! Fiz o longa-metragem imaginando como ele próprio o faria se houvesse tido condições.
Furtado, que ainda não leu a obra de Werber, buscou, em Ilha das Flores, um ângulo inusitado para falar da miséria. Tudo porque os brasileiros, tão acostumados em vê-la todos os dias, deixaram de se chocar com as injustiças sociais. – Sobre a questão do “ponto de vista exótico” mencionada por Werber, minhas claras influências para o Ilha foram Kurt Vonnegut Jr. e Alain Resnais – lembra Furtado.

É importante saber o que acontece no mercado editorial brasileiro

Nova Diretoria na Câmara Brasileira do Livro (CBL)
PublishNews - 18/02/2009 - Por Ricardo Costa
Depois de uma disputa forte durante o período de “propaganda eleitoral”, chegou ao fim nesta tarde o processo de eleição da nova diretoria da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Ao encerrar as votações, o presidente da Assembléia, Eduardo Blusher (Editora Blusher), ressaltou: “Estão de parabéns as duas chapas, que se comportaram de maneira corretíssima no dia de hoje”. Com um total de 238 votos, a chapa Trabalho&Seriedade, liderada por Rosely Boschini (Editora Gente), foi reeleita com 77,73% dos votos (185 votos). Além de São Paulo, as eleições ocorreram também no Rio de Janeiro, na sede do SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e em Belo Horizonte, na Câmara Mineira do Livro. Ao final da contagem dos votos, em sua palavra à assembléia, Armando Antongini, que encabeçou a chapa Mudança&Participação, declarou: “Não há vencidos ou vencedores. Quem ganhou hoje foi o livro e a literatura”. A assembléia foi finalizada com a posse da nova diretoria e a presidente reeleita, Rosely, dirigiu-se ao grupo ressaltando a importância da união de todos para o contínuo crescimento e fortalecimento do livro e da literatura. “Acredito que a gente só vira o jogo – no Brasil e no mundo – com a leitura.” Em março de 2007, ela foi a primeira mulher a assumir a presidência da Câmara em 62 anos de história. Entre as propostas da nova diretoria, estão o fortalecimento da representatividade da entidade perante o Governo Federal e o Congresso; a reformulação do projeto da Bienal Internacional do Livro de São Paulo; participação ativa na modernização da lei que regula os direitos autorais no País; expansão do circuito nacional de feiras de livro e festivais literários,o desenvolvimento de mercados regionais e a implementação de políticas públicas e de ações voltadas para a formação de novos leitores.
PublishNews Entrevista - 18/02/2009 - Por Ricardo Costa
PN: Qual sua impressão do processo eleitoral?
Rosely Boschini : O processo foi muito importante porque fez a Câmara ter maior participação dos associados. Fiquei feliz porque a urna é a manifestação maior dessa participação.
PN: O que você vê nos próximos dois anos?
Rosely Boschini : Muito trabalho. Com o atual cenário econômico, e considerando que o livro e a leitura não fazem parte da cesta básica do brasileiro, a Câmara tem a responsabilidade de atuar para ampliar o mercado e a base de leitores.
PN: A bienal foi um tópico bastante presente durante a campanha. O que você tem a dizer sobre ela?
Rosely Boschini : Queremos repensar profundamente a bienal. Montamos um dossiê completo das reuniões de avaliação com os participantes, pesquisas com o público e nossas observações do evento. Agora pretendemos montar uma comissão bem representativa dos vários setores e pessoas envolvidas na realização da bienal. Queremos a participação da Libre e de pessoas de fora do mercado para trazer uma visão mais aberta do evento. Sempre privilegiando o grande público e a visibilidade da bienal.
PN:Poderia nos dar uma palavra final ao mercado?
Rosely Boschini : A única maneira de mudar e melhorar é se tivermos união. Vamos aproveitar a boa relação da Câmara com as diversas partes da cadeia produtiva do livro e unir todos num esforço único para fortalecer a literatura no Brasil. Minha mensagem é de união. Acredito que a gente só vira o jogo – no país e no mundo – com a leitura.

17 de fevereiro de 2009

Dica de Livro

Achei interessante a informação sobre o Almanaque Tipográfico Brasileiro, tanto que desejo compartilhar com os leitores do Lector in Fabula.
Almanaque Tipográfico Brasileiro Autor: Carlos M. Horcades (org.) Páginas: 120 Edição: 1ª Ano: 2009 Preço: R$ 60,00
Juntar a graça de um almanaque, com seu festival de textos curtos e curiosos, ao mundo da tipografia. Esta é proposta do Almanaque Tipográfico Brasileiro, sob organização de Carlos M. Horcades. Os autores são todos especialistas na arte da escrita – vale dizer, do escrever bem, com sabor, e do saber transformar as letras em objetos visuais. Entre eles, o jornalista e escritor Fernando Morais, o dramaturgo Roberto Athayde, os designers Alexandre Salomon, Julieta Sobral, a dupla Elesbão e Haroldinho, o editor Plinio Martins Filho, o tipógrafo Cláudio Rocha, o poeta Guilherme Mansur, e muitos outros. O resultado deste encontro é uma deliciosa e divertida publicação que reúne artigos, curiosidades, brincadeiras e jogos, abordando diversos aspectos do campo da tipografia. No primeiro texto do livro, Cesar G. Villela lembra alguns dos bons e velhos almanaques, como o do Globo Juvenil, ou o do Biotônico Fontoura entre outros. Uma farra para o olho e para a inteligência. Para o olho, pelos motivos óbvios: cada tipologia tem uma cara própria, explorando a praticidade e a beleza, e o Almanaque – seguindo o modelo tradicional – está recheado de ilustrações (como os incríveis símbolos e logotipos criados pelas gêmeas Maria de Lourdes e Maria Francina, imagens que sempre exploram a duplicidade e o espelhamento). Para a inteligência, pois a história da tipografia vai sendo contada a cada página de forma despretensiosa. Mas o livro não fica apenas nas primeiras letras da tipografia, quando tudo ainda estava começando. Ele também aborda diversos estilos tipográficos que nós encontramos nos grafites da cidade, como aqueles pichados nos altos dos prédios e que poucos conseguem decifrar. Numa página dupla, o Almanaque apresenta alguns grafismos criados pelo grupo de artistas-designers Flesh Beck Crew. Outro artigo que merece destaque é o que trata das "letras urbanas". Em "A Versatilidade do Stencil", Bruno Porto explica que o stencil "é um molde vazado em acetato, plástico ou outro material resistente onde, ao se aplicar tinta com pincel, pilot, rolinho, spray, esponja etc., obtém-se uma imagem positiva de um desenho, pictórico ou simbólico". Embora a técnica seja antiga, podemos encontrar cartazes e pichações feitas dessa forma em qualquer canto da cidade, com suas letras coloridas e tinta espalhada. Claro, para o Almanaque ficar completo, o escritor Fernando Morais reuniu vários palíndromos (frases que podem ser lidas de trás para frente, muitas delas criadas pelo jornalista Cláudio Julio Tognolli). São duas páginas inteiras com esses jogos de palavras como "A porta rangia à ignara tropa", ou "Amar a muda de uma rama" e tantos outros. Carlos M. Horcades é designer, fotógrafo, professor de tipografia e autor do livro A Evolução da Escrita: História Ilustrada.

(Texto da Editora)

Clube da Luluzinha indica seu 4º livro de 2009

4º livro na lista de leituras de 2009, O Menino que vendia palavras, chegou a minha mão por uma "encomenda" da escola onde leciono. Em ano de alteração dos conteúdos curriculares e mudança ortográfica, todas as ferramentas devem ser utilizadas para tornar a adaptação de todos (professores, pais e alunos) mas tranquila e divertida... Portanto, me foi destinada a tarefa de transformar este delicioso livro em peça de teatro! tomara que eu acerte...Bom, para saber mais....

"Um livro infanto-juvenil de Ignácio de Loyola Brandão.O protagonista deste livro é um menino que tem muito orgulho de seu pai, um homem culto, inteligente e que conhece as palavras como ninguém. Se os amigos do menino querem saber o significado de alguma palavra, é ao pai dele que sempre recorrem. Quer saber o que é epitélio? Alforje? Lunático? Ele sempre tem uma resposta.A curiosidade dos amigos é tão grande que o menino logo percebe: e se começasse a negociar o significado das palavras? Gorgolão? Vale uma fotografia de um navio de guerra. Enfado? Um sorvete de picolé, trazido pelo dono da sorveteria. Pantomima? Um chiclete.E assim começa seu “negocinho” no bairro, escondido do pai, é claro. O menino, sempre com um humor leve e envolvente, descobre como é importante conhecer as palavras, pois assim ele vai saber conversar, orientar as pessoas, explicar suas idéias e sentimentos, desempenhar melhor suas tarefas, progredir na vida, entender todas as histórias que lê e até mesmo convencer uma menina a namorá-lo! E, assim, vai aprendendo essas e outras lições valiosas e percebendo com seu pai o quanto a leitura é necessária, pois quanto mais palavras você conhece e usa, mais fácil e interessante fica a sua vida.Para escrever esta história, o jornalista Ignácio de Loyola Brandão inspirou-se em sua própria infância, na cidade de Araraquara, interior de São Paulo, nos anos 40. Seu pai, assim como o pai do personagem do livro, era um apaixonado pelas palavras que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes. Segundo Ignácio conta, foi o pai quem o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. E revela outra verdade: sim, ele chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas." (fonte: Editora Objetiva)

p.s. eu também sou de Araraquara! daí, os textos do Ignácio serem tão próximos ao universo dos meus alunos!...

p.p.s. eu RECOMENDO!

p.p.p.s. curiosidade: eu já trabalhei organizando a biblioteca particular do Ignácio.

p.p.p.p.s. esses tantos p.s. são influencia do 5º livro... aguardem!

(Texto de Zandali na íntegra)

Mais um mimo concedido por Palavras Partilhadas a Lector in Fabula

O blog Palavras Partilhadas, de Paula Silva, merecidamente recebeu mais um reconhecimento: o selo "Vale a Pena Acompanhar este Blog". O mimo foi concedido à Paula por Paula, Isabel Maia e Projecto/Lê ! Uma das regras é escolher 15 Blogs para entregar os prêmios. Os nomeados são:
Olha o Lector in Fabula aí de novo! Obrigadíssima, Paula! Parabéns para nós todas e muito obrigada aos nossos leitores.

16 de fevereiro de 2009

Livraria Timbre

Agora ela está completa, sem plástico no letreiro. Não está linda?

Projecto Clarice, de Patricia Lino (Portugal)

Convido todos os leitores de Lector in Fabula a visitarem o site Projecto Clarice, de Patricia Lino, notícia já divulgada anteriormente por nós. Conheçam a iniciativa que está tornando Clarice Lispector popular em Portugal.

Os teus, os meus, os nossos, os vossos... livros

Eles nos cercam como amigos que não desistem de nós. Estão em nossas bolsas, malas, mãos, pés, estantes de nossa casa, estantes de nossa livraria predileta, cama, às vezes perdidos. Aonde mais poderiam estar? Cada livro tem uma chave para a fechadura da porta do leitor. Uns abrem, outros não. Estão no mundo de todas as formas: impressos, eletrônicos, etc. E resistem ao tempo, às novas tecnologias, às crises. Os teus, os meus, os nossos, os vossos livros.

15 de fevereiro de 2009

14 de fevereiro de 2009

Companhia das Letras lança mais um título de Mia Couto

Valor Econômico - 13/02/2009 - Por Flávia Cesarino Costa
O Fio das Missangas (assim mesmo, com dois esses e não cedilha) é mais um livro de contos com a fina escritura do autor moçambicano Mia Couto. São pequenas histórias de desencontro, abandono ou desacerto, a maioria delas do ponto de vista feminino. Mulheres que contam como são caladas, descartadas ou condenadas à invisibilidade. Deixadas de lado, sugadas, privadas de amor e de afetos, com medo de ser explosivamente felizes. Como miçangas, essas histórias desfilam um delicado artesanato de emoções, conectadas pelo fio de uma prosa embebida de poesia, tecida com a invenção de múltiplos neologismos e termos reinventados, como é de costume nos escritos do autor. Já se disse da influência evidente de Guimarães Rosa. Mas se Rosa às vezes tende ao obscuro, Couto constrói uma ponte carinhosa com o próprio leitor, deixando claro o caminho trilhado pelas palavras pensadas até sua impressão sonora no papel.

Livro de Ángeles Mastretta adaptado para cinema tem estréia marcada no Brasil

Valor Econômico - 13/02/2009 - Por Claudia Daré
A escritora Ángeles Mastretta ganhou o mundo com seus livros centrados em personagens femininos. O sucesso de sua primeira novela, Arranca-me a vida (Objetiva, 288 pp., R$ 41,90), e de sua adaptação para o cinema ultrapassou todas as fronteiras de sucesso que essa escritora e jornalista de 59 anos, dona-de-casa e mãe de família, um dia ousou imaginar. No fim do mês, a versão cinematográfica de seu livro poderá ser conferida pelos brasileiros. As mulheres de Ángeles são mexicanas como ela, mas universais. São fortes e corajosas, rebeldes e desafiadoras. Remetem a Frida Kahlo, uma de suas compatriotas mais impactantes, mas também se parecem com a vizinha de qualquer um de nós. "Sou otimista por natureza e gosto de contar histórias em que os personagens se deem bem. Tenho de passar muito tempo com eles e não quero passar muito tempo com uma tonta!", disse em entrevista ao Valor. Foi com essa disposição que nasceu Catalina, a protagonista de Arranca-me a vida, escrita em 1985. Com a garantia de que o livro seria publicado e um cheque na bolsa, Ángeles levou dois anos para terminar a história que a consagrou. Rendeu-lhe o Prêmio Mazatlán de Literatura e despertou o interesse de Chris Sievernich, produtor alemão dos filmes de Wim Wenders

11 de fevereiro de 2009

Sobre O Leitor - por Paula Silva, do blog Palavras Partilhadas

'Der Vorleser' ... em alemão. Título original. 'Le Liseur' ... em francês. Palavra aveludada e mais sensual do que 'Le Lecteur'. 'Il Lettore Pubblico' ... em italiano. Na minha opinião, tradução mais fiel ao contexto, por referir-se a um leitor que lê diante de outra pessoa, e sente prazer nesse acto ! Conta-nos a história de Michael Berg e do seu relacionamento com Hanna Schmitz. Hanna, de 36 anos inicia Michael, de 15, nos segredos da sexualidade. Esta relação obedece a um ritual ... antes de se amarem, banham-se e ele lê para ela livros como Emília Galotti de Schiller ou Guerra e Paz, com todas as exposições de Tolstoi sobre a História, os grandes homens, o Amor e o Casamento. Michael fica fascinado com esta mulher madura até que de repente deixa de saber dela ! Jamais a esquecerá e jamais esquecerá que leu para ela, em voz alta, autores clássicos como Rilke ou Goethe. Anos depois, já na faculdade onde estuda Direito, resolve participar num grupo de trabalho que estuda um caso de acusação a guardas dos campos de concentração. Hanna é uma das acusadas. Condenada a prisão perpétua, recebe de Michael, que nunca a visita, fitas com gravações de Odisseia; contos de Schnitzler e de Tchekov; poesia de Keller e Fontane, Heine e Morike e textos de Kafka, Frisch, Johnson, Bachmann, Lenz ou Zweig. Deparei-me não com uma história de amor e muito menos romântica, mas com uma história de descobertas. De amor esquecido no interior do corpo, prematuramente desenraizado, vivido conforme é possível e conforme o quanto se está disposto a enfrentar os monstros. É mais do que um simples romance com narrativa linear. É um livro cheio de ses, imbuído de pontas soltas, de mal entendidos, de perguntas mal feitas, de respostas nulas. É o abandonar-se a si e ao peso da solidão voluntariamente. Fiquei presa do princípio ao fim, quando Schlink coloca em êxtase a leitura em voz alta dos clássicos, a paixão pelas histórias dos livros, o banho e o amor, relegando para segundo plano os temas da reunificação da Alemanha, lembranças brutais do holocausto ou fugas fantasistas. Confesso que emocionei-me com o final ! Senti um aperto no estômago, esperava algo trágico, mas não propriamente aquele impacto ao virar a página !
(Texto de Paula Silva na íntegra, post de 2008)

Eu só queria saber de onde tiram esses números...

Sempre me pergunto de onde tiram os números que apontam para os livros mais vendidos. Assim como qual o critério e processo de apuração. Vocês nunca se perguntam isso?
Mais Vendidos
O Globo - 11/02/2009
Por Ancelmo Gois
O livro 1808 (Planeta), de Laurentino Gomes, sobre a fuga da família real para o Brasil, já vendeu 500 mil exemplares. O próximo livro do coleguinha sairá em setembro de 2010. Será sobre a Independência do Brasil, informa Ancelmo Gois.

Livros nas praças

Projeto disponibiliza livros em praças públicas
A prefeitura de Canoas, no Rio Grande do Sul, está promovendo uma oportunidade a mais para o acesso à leitura. O projeto Sacola Itinerante leva livros para a comunidade ler em praças públicas, durante o projeto Caravana Cultural. Todos os sábados à tarde, os moradores podem retirar títulos gratuitamente para leitura no local do evento. Os espaços, montados nas praças onde acontece o Prefeitura na Rua, são convidativos. Almofadas, tapetes e cadeiras ficam à disposição dos leitores, que podem escolher entre livros de literatura, gibis e obras dedicadas às crianças. De acordo com o diretor de Cultura, Eduardo Paim, o acervo, com 150 títulos, está sendo bastante procurado pela comunidade. "Na última edição, estendemos o horário para contemplar uma menina de nove anos que queria mostrar o livro que tinha lido para a mãe", comenta. Conforme matéria publicada no jornal Diário de Canoas, o projeto Sacola Itinerante surgiu da iniciativa dos escritores locais em divulgar obras para a população. Quem quiser fazer doações, principalmente de gibis, pode procurar a secretaria no Conjunto Comercial Canoas (Rua: 15 de janeiro, 481, sala 401 – Centro. Canoas/RS).
Fonte: PublishNews

Assistam: O Leitor

Não deixem de assistir este filme delicado e sensível.
Uma adaptação do livro de Bernhard Schlink.

10 de fevereiro de 2009

Timbre c’est rouge !

Pela primeira vez, em trinta anos, a Livraria Timbre permaneceu uma semana fechada para obras. Lector in Fabula, na última segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009, passou por lá e conferiu o resultado. Aproveitamos e fizemos uma breve entrevista com Christiana Machado, a nossa querida Kiki.
Lector in Fabula: Kiki, como surgiu a idéia da obra ¿
Kiki: A idéia surgiu há seis meses atrás. Como em 2009 a livraria faz 30 anos, pensamos que seria um presente celebrar a data com um sopro de ar fresco, uma renovada. Desde então, sentamos com a arquiteta Lia Siqueira para delinear o projeto.
LF: Qual o conceito do projeto ¿
Kiki: O conceito foi manter a identidade da livraria, mas com um ar de modernidade. Manter o padrão da vitrine e conservar o formato da nossa fachada, mas tudo com movimento. A madeira com textura e em diferentes formatos deu leveza e dinâmica à estrutura externa. A luz valorizou o espaço interno e criou uma atmosfera acolhedora. Mas a grande surpresa foi o impacto do vermelho na estrutura da fachada e das vitrines. Foi o toque final de modernidade e movimento constante, tudo que desejávamos.
LF: Como foi ficar uma semana de portas fechadas durante a obra ¿
Kiki: Nossa, foi um período de ansiedade e expectativa. Tive que domar a minha ansiedade até a hora de ver o projeto virar realidade.
LF : Qual tem sido a reação dos clientes ¿
Kiki: Muito boa, com muitos elogios ao novo ambiente da livraria. Engraçado, as pessoas perguntam se mechemos na estrutura, todo mundo está dizendo que a livraria está maior. Procuramos renovar sem descaracterizar a Timbre que todos conhecem.
LF: Vai ter festa para comemorar ¿
Kiki: Quanto a comemorar, sim, estamos pensando em março, mas não decidimos ainda a data, para celebrarmos com clientes, amigos e editores la vie en rouge !!!!!!
Lector in Fabula: Particularmente, fiquei encantada com o resultado da obra. As luminárias internas são feitas de aço esmerilhado, numa cor particular que acolhe. O havana do carpete é lindo! Alongou o ambiente. Há novas prateleiras no lugar onde moram os pocket books. O vermellho da vitrine e da fachada são de encantar. Aliás, a nova vitrine deu uma profundidade à livraria - os livros parecem flutuar na nova estrutura.
Parabéns para Kiki, que mais uma vez prepara a sua livraria para receber seus clientes com leveza, conforto e aconchego. A livraria faz aniversário, mas quem ganha presente são os seus freqüentadores.
Não deixem de visitar a Timbre e juntos celebrar seus 30 anos de excelente serviço e maravilhosas leituras.

Timbre 30 Anos - Um Sopro de Modernidade

Ontem, a Livraria Timbre reabriu, depois de uma semana de obras. Estas são as primeiras imagens. Ainda hoje, entrevista com Christiana Machado. Clique nas fotos e veja em detalhe.

9 de fevereiro de 2009

Palavras Partilhadas indica seu 7º livro de 2009

O enredo é simples, envolvente e muito inteligente: no último quartel do Séc XIX em Veneza, no café Sorrento, tem lugar um encontro entre o médico austríaco Josef Breuer ( um dos pais da Psicanálise ) e a insinuante jovem russa Lou Salomé. Esta pede-lhe que trate de um ex-amigo dela, Friedrich Nietzsche ( um dos 'monstros' da filosofia alemã ), mas sem o conhecimento deste. Para que isto ocorra, Breuer aplica uma táctica pouco convencional: pede para que Nietzsche seja o médico de sua alma atormentada, pois tem constantes devaneios sexuais com a ex-paciente Anna O. e em troca, tratará das dores de cabeça compulsivas do filósofo, tentando descobrir se realmente planeia suicidar-se. Com base num contexto histórico interessante e numa riqueza de detalhes dos costumes sociais da época, deparei-me com um encontro entre três grandes personalidades do Séc XIX: Josef Breuer, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. Três personalidades históricas, onde uma ínfima parte de suas essências é resgatada nesta obra através das suas ideias. Recorrendo a um discurso fluido e a uma linguagem simples, Yalom construiu uma narrativa intrigante, ainda que linear ! Interagindo ocorrências ficcionais com realidades, são-nos apresentadas visões filosóficas, discussões sobre psicanálise e as dores da alma. Ao longo dos capítulos assistimos a uma verdadeira sucessão de diálogos construtivos e enriquecedores, tão duros como inteligentes, similares a um autêntico jogo de xadrez psicológico. E é precisamente através destes diálogos psico-filosóficos que ficamos a conhecer, ainda que de forma algo superficial, os principais conceitos nietzscheanos e os essenciais pressupostos psicanalíticos. Genial a argúcia argumentativa de Nietzsche, médico das almas, cruel cirurgião da mente, que ao conseguir penetrar nos labirínticos meandros da psique de Breuer, encaminha-o para um exercício de auto-consciência. Neste romance, deparamo-nos não com um duelo entre a filosofia e a psicologia, mas com uma troca, que nos é apresentada de forma directa e sem devaneios literários, de métodos e experiências entre as duas ciências, representadas por dois de seus mais importantes expoentes, aqui envolvidos numa brilhante permuta intelectual em que ambos são terapeutas e pacientes. Li este livro porque sempre gostei bastante de filosofia, e embora seja de leitura fácil, é altamente recomendável aos amantes da literatura e do pensamento. Faz-nos pensar nas coisas simples da vida, tais como que o Homem necessita de estar inserido numa sociedade, ou seja, precisa de amigos, da família, do trabalho. É-lhe indispensável interagir com os outros, confessar os seus pecados e/ou desejos, ajudar e ser ajudado. Só assim poderá limpar a sua consciência dos 'lixos' que tanto perturbam a paz mental do Homem.
Para concluir, apenas dizer que "Quando Nietzsche Chorou" despertou o meu interesse para a leitura de pelo menos quatro obras, que tenciono vir a ler em tempos muito próximos ! ;)
E são elas:
- "Assim falou Zaratustra" de Nietzsche
- "Filosofia do Inconsciente" de Hartmann- "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade" de Freud
- "A paixão do jovem Werther" de Goethe
(Texto de Paula Silva na íntegra)
Ficha Técnica (para leitores brasileiros):
Quando Nietzsche Chorou
Irvin D. Yalom
Ediouro

Isso é Coisa de Lilly indica seu 5º livro de 2009

A Conspiração Franciscana é um livro de ficção, mas inspirado em fatos reais. Conta que em 1230 os Franciscanos ocultaram o local exato da tumba de São Francisco de Assis por mais de 600 anos. Frei Leo, que era amigo e secretário de São Francisco, escreve uma carta de despedida para seu amigo Conrad, um frei eremita. A carta chega a suas mãos através de Amata, uma jovem com um passado violento à procura de vingança. A mensagem é enigmática e versa sobre o corpo desaparecido do santo e lança dúvidas sobre a origem de suas chagas. Decidido a desvendar o mistério, Conrad sai de seu isolamento para encontrar a chave para decifrá-lo. A trama vai se desenvolvendo com muitas estórias paralelas, com um retrato fiel de como era a Europa na Idade Média. Parenteses: nós que fomos criadas com estórias de princesas e fadas, não as imaginamos vivendo em meio à sujeira e sem higiene. Lendo este livro, vi que a ordem à qual pertencia frei Conrad achava o banho um um ato pecaminoso, uma luxúria. Fecha parênteses. Voltando às estórias paralelas: conhecemos a tragédia que cerca a vida de Amata e como ela finalmente encontra sua felicidade. Frei Conrad, na sua busca pela verdade, sofre torturas e perseguições, reencontra a mulher que sempre amou e torna-se famoso por suas pregações.
(Texto de Lilly na íntegra)
Ficha Técnica:
A Conspiração Franciscana
Autor: John Sack
440 páginas
Editora Sextante

Surpresa da Livraria Timbre

A surpresa da Livraria Timbre será revelada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009, a partir das 10:00hs. Eu é que não vou estragar esse presente. Só amanhã publicarei as outras fotos e uma entrevista com Christiana Machado, a nossa querida Kiki. Passem lá e confiram in loco! Shopping da Gávea, 2º Piso, Loja 221, Rio de Janeiro.

7 de fevereiro de 2009

Mais dia, menos dia : Google disponibilizará livros no celular

Google oferecerá livros digitalizados para telefones celulares
A Google está colocando a sua vasta biblioteca de livros digitalizados (e-books) à disposição dos usuários de telefones celulares. "Temos o prazer de poder anunciar o lançamento de uma versão móvel da busca de livros pelo Google, colocando à disposição do público mais de 1,5 milhão de livros de domínio público nos Estados Unidos (e quase meio milhão em outros países) para que você possa lê-los", informou a empresa. A gigante da internet divulgou na quinta-feira no blog de seu sistema de buscas de livros (Google Book Search), que as versões móveis dos livros podem ser lidas em dispositivos como o Apple iPhone ou o T-Mobile G1, que é operado com o software Android, da Google. "Estas novas edições móveis estão otimizadas para serem lidas em tela pequena", indicou a Google. "Acreditamos que com este lançamento estamos dando um passo importante para um acesso mais universal aos livros", acrescentou.
Fonte: AFP
Leia também:

Zandali, do Clube da Luluzinha, indica seu 3º livro de 2009

Este furou fila.... e a culpa toda é das indicações de leitura da Confraria dos 50! Desde que o blog Palavras Partilhadas comentou Sapatos de Rebuçado (Sapatinhos Vermelhos, no Brasil), uma continuação de Chocolat de Joanne Harris, fiquei tentada! Lembre-me do filme, com Juliette Binoche e Johnny Deep. Lembre-me da imagem do chocolate derretido na panela e o quanto esse cheiro mexia com os moradores da pequena cidade (fictícia) francesa chamada Lansquenet-sous-Tannes. Seduzida pela idéia da sinestesia que o livro propõe, deparei-me com um universo complexo de uma cidade católica de valores rígidos e uma mulher jovem, que não compatilha desses valores e, estando ali, acaba por interferir na vida dos moradores mesmo que estes não queriam... A aspiral formada pelo espesso líquido derretido na panela, assemelha-se a energia que passa a mover e alterar a vida pacata dos cidadãos de Lansquenet-sous-Tannes. E então, o dilema: como estabelecer relações pessoais sem as responsabilidades que isto implica? Como não ser responsável por aquilo que cativas? E assim, em meio ao deleite das sensações aromáticas e gustativas da Chocolaterie, me dou conta da difícil arte de conviver!
(Texto de Clube da Luluzinha na íntegra)

6 de fevereiro de 2009

Informação de Primeira mais uma vez convida leitores para Desafio 50 Livros 2009

O blog Informação de Primeira, de Vilma Goulart, mais uma vez divulga o Desafio 50 Livros 2009 e o nosso selo para seus leitores. Aproveito para convidar a todos os leitores de Lector in Fabula para visitar Informação de Primeira e saber o que de melhor acontece na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro - com o blog da Vilma, sua agenda não terá uma data disponível.

Blogs em alta

Acesso a blogs no Brasil cresceu 22% em dezembro, segundo o Ibope
O interesse do internauta brasileiro pela leitura de blogs continua aumentando. De acordo com dados do Ibope/NetRatings, em dezembro do ano passado, 11,6 milhões de usuários acessaram as páginas. Se comparado ao mesmo período de 2007, que registrou 9,5 milhões de visitas, o resultado comprova crescimento de 22% no setor. A pesquisa mostrou, também, que o número de pessoas que acessam a internet de suas casas passou de 21,4 milhões para 24,5 milhões, um aumento de 14,5%. O mês de maior visitação da blogosfera foi novembro de 2008, quando 12,4 milhões de internautas visitaram blogs do Brasil. Desse total, 51% navegavam a partir de suas residências.
(Fonte: João Casotti - http://www.nosdacomunicacao.com/)

Palavras Partilhadas - Troféu "Pedagogia do Afecto"

Parabéns ao blog Palavras Partilhas (Portugal) que recebeu o troféu "Pedagogia do Afecto", concedido aos blogs que tenham compromisso e afecto com a Educação e leituras. Não deixe de ler o post de Palavras Partilhadas sobre o recebimento do troféu.
Cabe ao Palavras Partilhadas indicaro 10 blogs. Lector in Fabula é um deles.

5 de fevereiro de 2009

Cybook (leitor digital de livros) é lançado em Portugal

Saiu no PublisNews:
A Bookeen tem desde janeiro disponível no mercado o primeiro leitor de livros digitais à venda em Portugal, descrito pela companhia como uma ferramenta que "potencia uma nova forma de ler". O Cybook, nome do aparelho, é licenciado em Portugal através da PIXmania, uma empresa multinacional de dispositivos eletrônicos com lojas em Lisboa e Porto. Em território norte-americano, a cadeia Amazon comercializa desde novembro de 2007 o Kindle, leitor digital que permite o armazenamento de 200 títulos sem ilustrações. O uso simples, a conectividade wireless que permite a navegação direta na loja Kindler e a garantia de que o livro adquirido é entregue virtualmente em menos de um minuto são algumas das armas que a multinacional sustenta na apresentação do Kindle.
Leia a matéria.

A leitura pode ser um vício "impunido"

Wilson Martins, crítico literário, JB Online
30/01/2009
RIO - A infância, com os livros coloridos, e logo a adolescência, é a idade ideal para incutir nas crianças o vício da leitura – vício impunido, como o chamava Valery Larbaud. A imprensa, nas palavras do papa Gregório XVI, é uma arte execranda e detestável, ou se preferirmos a linguagem litúrgica haec detestabilis atque execranda, condenação que a acompanhou desde as origens. O que, aliás, continua até hoje: viciado irrecuperável, Annibal Augusto Gama refere que, “há cerca de sessenta anos, no pátio do Colégio dos Maristas, em Franca, os irmãos mandavam queimar uma boa centena de livros tidos como deletérios, entre eles alguns de Monteiro Lobato”, incinerado simbolicamente através dos tempos. A meiga Cecília Meireles qualificava de “detestáveis” os seus personagens, retomando, talvez sem querer, o vocabulário papal, enquanto os seus livros eram proibidos durante o Estado Novo de 1937: “o procurador Dr. Clóvis Kruel de Morais afirmava que o texto [de Peter Pan] era perigoso e alimentava nos espíritos infantis, 'injustificavelmente', um sentimento errôneo quanto ao governo do país' e 'incutia às crianças brasileiras a nossa inferioridade, desde o ambiente em que são colocadas até os mimos que lhes dão'” (Annibal Augusto Gama. Os diamantes de Ofir. Ribeirão Preto, SP: Funpec, 2008 e Marisa Lajolo/ João Luís Ceccantini, orgs. Monteiro Lobato de livro a livro. São Paulo: Imprensa Oficial, 2008). Assim, a leitura pode ser um vício impunido e escondido, como todos os vícios, não sendo poucas as punições que a escrita e seus autores vieram sofrendo, na fogueira, nas prisões e no exílio, “desde que há homens e que escrevem”, para repetir as palavras de La Bruyère. É verdade que o procurador Kruel tinha razão: é nos mais tenros anos que devemos expor as crianças ao vício da leitura. Foi o que aconteceu com Annibal Augusto Gama: “O amor dos livros nasceu em mim quando, ainda menino, mal conseguia ler as palavras impressas. Daí para a frente, tive-os sempre comigo”. Contudo, é preciso evitar o irreparável erro pedagógico praticado nas escolas com a obstinação dos bens intencionais, que consiste em tentar despertar o “amor à leitura” com Camões e Machado de Assis impostos às crianças e adolescentes mentalmente imaturos. Os chamados “grandes escritores” só serão aceitos por inteligências literariamente educadas: “Há livros que devem ser lidos na juventude, outros na maturidade, e ainda outros na velhice. Cada um exige a época própria do leitor” (Annibal Augusto Gama). Livros que despertam o amor e, logo mais, o vício da leitura são, na adolescência, as novelas policiais e as narrativas de aventuras, que estimulam a inteligência e a ginástica mental, pondo o espírito a trabalhar, não os que o adormecem: “Quem teve a felicidade, em sua juventude, de ler essas novelas, descobrir o mundo através delas, debruçando-se também sobre a obra de Júlio Verne, sabe do que se trata”. É a biblioteca imaginária da coleção Terramarear, da Coleção Amarela e dos livros de Conan Doyle, os Negreiros da Jamaica, As minas de Salomão (o que hoje já se sabe não ter sido escrito por Eça de Queiroz), mais Jack London e Mayne Reid, sem esquecer Emílio Salgari, cujo sobrenome os nativos de sua província natal pronunciam como proparoxítono. Em lugar de supor que adolescentes de todas as idades (inclusive a mental) interessam-se por Dom Casmurro e conseguem entendê-lo, será possível introduzir José de Alencar pelas Minas de prata, não pelo Guarani. A verdade é que cada livro não é um texto, mas um palimpsesto, no qual lemos ou relemos em filigrana todas as nossas leituras anteriores. Não há leituras definitivas: “A leitura de um livro antes lido e relido, e que, anos mais tarde você torna a pegar e a lê-lo de novo, da primeira à última página, esmoendo-o, analisando com exatidão cada frase, compreendendo tudo, interpretando cada passagem, descobrindo o que permanecia obscuro ou duvidoso, de tal sorte que, ao cabo, possa afirmar 'este eu assimilei inteiramente, não há nada mais, em todo ele, que eu não saiba'”. O verdadeiro leitor não tem “livro único”, mais importante que os demais, e, por isso, não pode responder a essa pergunta dos jornalistas. E, muito menos, o livro folclórico que levaria para a ilha deserta, lugar, aliás, em que se pode pensar em tudo, menos na leitura. Nesse caso, Annibal Augusto Gama repete a resposta conhecida: “Atirados na ilha, dificilmente teremos ânimo para leituras, devendo procurar, antes de mais nada, os paus para fazer um barco que nos leve de volta (...)”. O único livro a levar para a ilha é o manual de fabricação de canoas; os não-leitores denunciam-se desde logo ao declarar que levariam a Divina comédia ou as obras completas de Shakespeare, que provavelmente jamais haviam lido.

Ainda sobre a Revolução do Livro

Encontrei esse artigo divulgado no Twitter pelo Jose Afonso Furtado (Portugal). O artigo está, por sua vez, no blog El Ojo Fisgón, de Martín Gómez. Como estamos cá no Brasil com as matérias sobre a contínua revolução do livro, achei pertinente trazê-lo para todos os leitores.
Quienes en estos tiempos tan convulsionados pueden darse el lujo de desarrollar reflexiones de largo aliento parecen tener la capacidad de no perder la perspectiva en medio de la avalancha de transformaciones que pueden llegar a producirse en períodos tan breves en campos como el desarrollo de las nuevas tecnologías. Éste es el caso de Joaquín Rodríguez, quien en una entrada reciente de Los futuros del libro nos ofrece algunas consideraciones con respecto tanto a las ventajas de los libros digitales como a las dudas que éstos suscitan a propósito del proyecto Palabras mayores de la agencia literaria Carmen Balcells —del que tanto se habla últimamente y que hace poco José Antonio Millán analizó en detalle en Libros y bitios—.El valor de la reflexión que plantea Joaquín es que en lugar de quedarse en el terreno de lo obvio y de los hechos ya conocidos por todos los que estamos interesados en este tema, hace algunas consideraciones interesantes acerca de ciertos aspectos mucho más complejos e inciertos de la cuestión que tienen que ver con el valor simbólico de cada soporte debido al vínculo emocional que como personas y como cultura establecemos con él, con su ergonomía o con su impacto sobre la forma como leemos y sobre nuestra comprensión de lectura. Y está claro que, por lo menos en nuestro medio, sólo unos pocos están en capacidad de hacer un aporte de este tipo —aparte de Joaquín y José Antonio pienso en Enrique Dans y en Javier Celaya, por ejemplo—.
Dice Joaquín en su entrada “Grandes cambios (digitales) a la vista”: Puede, sin embargo, que el tiempo de sostener mi tesis [según la cual “el futuro del libro es plural y que esa multiplicidad depende de dos factores fundamentales: la naturaleza del contenido digitalizable y la manera en que se consume o utiliza”] haya pasado o esté en trance de hacerlo. No pasaría nada, porque un blog no es otra cosa que un laboratorio de ideas a medio cocinar que valida o refuta sus hipótesis a medida que la realidad va imponiendo los hechos, pero aunque eso pudiera suceder, sigo pensando que existen dudas razonables que nos pueden seguir haciendo pensar que la explotación estrictamente digital de contenidos literarios es de una naturaleza distinta a la del resto de los contenidos.
Me atreveré a enunciar, por eso, argumentos a favor y en contra de mi propia suposición. Comenzaré por las ventajas obvias:
1. Cualquier clase de contenido se produce ya digitalmente; 2. Su distribución digital es inmediata, no produce gastos adicionales de ninguna índole, y el concepto de agotado o descatalogado desaparece; 3. En todo caso, es un canal complementario o alternativo, no necesariamente exclusivo; 4. Los costes generales para los editores se abaratan, al poder prescindir de todos los gastos asociados a la producción, comercialización y distribución, al menos en gran medida; 5. Los precios para los compradores se reducen y la oferta, potencialmente, es ilimitada; 6. Los autores reciben, en concepto de derechos, una cantidad muy superior a la que obtienen por la venta de sus libros en papel; 7. Los nativos digitales, las generaciones nacidas en contacto permanente con los medios de producción y comunicación digital, encuentran en esta clase de intercambio y circulación de contenidos algo complemente natural, porque es su soporte connatural.
Y, sin embargo, ¿qué dudas razonables seguirían persistiendo? ¿Por qué ese cambio, más allá de las resistencias gremiales y las inercias empresariales, no cristaliza?:
1. Los libros electrónicos han demostrado su evanescencia, su mortalidad. La primera generación de libros electrónicos desapareció en muy pocos años y buena parte de los actuales también lo hará; 2. Algunos de los libros electrónicos que luchan por perdurar son de tecnología propietaria, en contra del principio que el libro sentó hace cinco siglos: formatos y códigos abiertos, interfaz consistente y duradero, dispositivos textuales adecuados a los procesos de racionalización humanos; 3. El significado de un texto depende de su expresión formal, de su encarnación material, de su representación espacial. El hecho de que un libro electrónico no sea todavía capaz de manejar esas "sutilezas" formales hace que todos los textos sean el mismo texto y que, por tanto, los significados se entremezclen, se confundan; 4. Un libro electrónico no tiene más remedio que forzar el formato original de un texto, uniformizarlo, deformarlo, desfigurarlo, y en esa operación inevitable algo intangible se pierde por el camino. La cuestión no es tanto la de su potencialidad (pueden acoger textos en diversos formatos), como la de su idoneidad para hacerlo; 5. Los jóvenes de la generación digital conviven con absoluta naturalidad con esos nuevos soportes, pero no sabemos todavía a qué clase de cerebro lector abocan las operaciones que están realizando. Puede que mejores, o quizás no; 6. Desde luego, a los que manejamos ejemplares en papel de determinadas obras, nos sigue pareciendo (me permito generalizar) que el papel encuadernado entre cartones preserva la identidad e individualidad de la obra completa, y mientras ese concepto de obra integral siga teniendo sentido, seguiremos acopiando ejemplares en papel; 7. El libro en papel está construido de tal forma que respeta el orden del discurso, el orden sucesivo de su racionalización, y está diseñado para amparar un tipo de relación que el libro electrónico todavía no puede propiciar: un tipo de relación íntima, introspectiva, silenciosa, entre el lector y el contenido, de manera que tanto nuestra disposición corporal, física, como intelectual y anímica, está determinada por esa relación casi fraternal entre el soporte y el lector.
Creo que estas consideraciones de Joaquín contribuyen a darle nuevos aires y rumbos a la discusión sobre los lectores digitales que armaron Roberto Angulo, Jorge, el editor Enrique Redel, de Impedimenta, y Martín Franco —y sobre la cual también se pronunciaron por otras vías Carola Moreno, de Barataria, Neus Arqués y María Moreno, de Veintisiete letras— a raíz de mis entradas “el sony reader en acción: primeras impresiones” y “dos miradas al negocio digital de carmen balcells: josé antonio millán y el país”.
(Post,na íntegra, reproduzido do blog El Ojo Fisgón)

4 de fevereiro de 2009

Fundação Biblioteca Nacional recebe doações

Biblioteca recebe 50 mil livros
Uma doação de 50 mil livros foi feita à Biblioteca Nacional, que irá repassar as publicações ao Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, e posteriormente serão distribuídos para estas instituições em todo o País. A ação foi do projeto Ecofuturo, que há 10 anos trabalha em parceria para colocar o livro no cotidiano dos brasileiros. Desse total, 10.850 publicações são do próprio Ecofuturo e tratam de história do Brasil, sustentabilidade, conteúdos pedagógicos para promover leitura e escrita.
Fonte: PublishNews e Boletim BN - 03/02/2009

Isso é Coisa de Lilly indica o 4º livro de 2009

A Pedra da Benção
Editora Nova Era
(546 páginas)
Qual é a relação entre: Mulher Alta, um dos primeiros humanos a habitar o mundo, a 100 mil anos na África; Laliari uma mulher do Oriente Próximo, a 35 mil anos; Avram, um menino de 16 anos, que vivia no vale do rio Jordão a 10 mil anos; Amélia, uma cristã nova que morou em Roma em 64 D.C; Madre Winifred, uma prioresa de um pobre convento na Inglaterra no ano 1022; Katharina Bauer, uma órfã à procura de sua família, na Alemanha em 1520; Brigitte Bellafontaine, uma fazendeira que morava na Ilha de Martinica em 1720; Mathew Lively, um agente funerário que cruzou o oeste americano em 1848? Todas estas pessoas tiveram suas vidas modificadas pela presença da Pedra da Benção, um lindo cristal azul que caiu na terra a 3 milhões de anos. Para cada uma destas pessoas, a pedra serviu de amuleto de fertilidade, poder, fé , beleza, oráculo.
O que eu achei muito interessante é que a escritora, ao contar a saga de cada um dos personagens, nos transporta àquela data e local através de uma pesquisa profunda de cada época descrita. Ao cessar aquela narrativa, uma outra começa , uma nova saga de uma outra estirpe ou raça, novamente a descrição com riqueza de detalhes. Eu levava um susto ao ser transportada de uma época à outra, e cada uma era pintada com cores e cenas fortes. Imaginei a Sra. Amélia coberta de sedas e usando o valioso colar de cristal, que havia pertencido a uma rainha adúltera, e que o marido a obrigava a usar para que ela se lembrasse sempre do adultério cometido. Um colar que ela odiava pois a expunha ao público como adúltera e que quando abraçou a nova fé, passou a ostentar com orgulho, pois via ali dentro da gema Jesus de braços abertos. Aliás, isso também é importante: cada pessoa via na pedra da Benção o que buscava.
Este é o tipo de livro que você lê sem parar e quando vai chegando ao final fica “economizando” para não acabar.
A minha opinião é que todas as pessoas que estão na jornada dos 50 livros vão ficar com vontade de ler A Pedra da Benção.
(Texto de Lilly na íntegra)

Entre Aspas concede selos ao blog Lector in Fabula

Hoje, tive a feliz notícia de que o blog Entre Aspas, que faz parte da Confraria dos 50, recebeu dois selos pela qualidade de seu trabalho, sua dedicação, sua informação e mobilização. Significa, assim como o Prêmio Dardos, que o blog chancelado transmite valores culturais, éticos, literários, pessoais, que demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre as suas palavras. Isso promove a confraternização entre os bloggers, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor.
Recebendo o selo, "Entre Aspas" pode indicar 15 outros blogs. Lector in Fabula está na lista dos 15. Desejo compartilhar com os leitores a felicidade deste reconhecimento colateral.
Solicito aos leitores que continuem participando com seus comentários e opiniões, para que se seja construída uma rede sem fronteiras neste mundo da arte que é a literatura.
E agradeço, particularmente, à Lyani e ao Entre Aspas" pela indicação. Aproveitem e leiam o post de Lyani para saber quem são os outro 14 indicados.
Para finalizar este post de reconhecimento e agradecimento, um fragmento de Jorge Luis Borges, in Um Ensaio Autobiográfico:
Suponho que já escrevi meus melhores livros. Isso me dá uma espécie de tranquila satisfação e serenidade. No entanto, não acho que tenha escrito tudo. De algum modo, sinto a juventude mais próxima de mim hoje do que quando era um homem jovem. Não considero mais a felicidade inatingível, como eu acreditava tempos atrás. Agora sei que pode acontecer a qualquer momento, mas nunca se deve procurá-la. Quanto ao fracasso e à fama, parecem-me totalmente irrelevantes e não me preocupam. Agora o que procuro é a paz, o prazer do pensamento e da amizade. E, ainda que pareça demasiado ambicioso, a sensação de amar e ser amado.

Always Sontag

Hoje em dia, os estudos literários utilizam a vida do escritor para iluminar a obra. Não iluminar à toa, mas, para esclarecer pontos.Saiu no The New York Times um ensaio de Luc Sante sobre o início de carreira de Susan Sontag. Trouxe para vocês. Espero que não se importem de lê-lo no original, em inglês.
Sontag: The Precocious Years
By LUC SANTE Published: January 29, 2009
You might say there are two kinds of writers: those who keep a journal in the hope that its contents might someday be published, and those who do not keep a journal for fear that its contents might someday be published. In other words, no journal-keeping by a writer who harbors any sort of ambition is going to be entirely innocent. The complicated, somewhat voyeuristic thrill the reader might derive from seemingly prying open the author’s desk drawer is therefore, to a certain extent, a fiction in which both parties are complicit. This notion inescapably comes to mind when one reads the entries by the young Susan Sontag collected in Reborn: Journals and Notebooks 1947-1963 (Farrar, Straus & Giroux, $25). Like any author’s journal worth reading, it contains items that anticipate prominent themes of her later published work, as well as others that seem terribly private. What’s unusual, maybe, is that sometimes the intellectual items sound more naked and the private items more hedged. The situation is far from simple anyway. As Sontag’s son, David Rieff, who edited the volume, explains in his very moving preface, she left no instructions as to what should be done with her journals — “she continued to believe until only a few weeks before her death that she was going to survive.” For that matter, “at least in her later life, my mother was not in any way a self-revealing person. In particular, she avoided to the extent she could, without denying it, any discussion of her own homosexuality or any acknowledgment of her own ambition.” And those two matters constitute by far the largest themes in the book.
In the end, Rieff decided that Sontag’s narrative of self-creation trumped any concern for discretion. The oddly evangelical-sounding title comes from an entry made in 1949, when she was 16: “Everything begins from now — I am reborn.” She is referring to sexuality, or at least to an acceptance of her physical self and a general feeling of carpe diem, but the sensation pervades the whole book. She was, in Rieff’s words, an “ambitious young person from the deep provinces who wants to become a person of significance in the capital,” and self-education in all senses of the term apparently occupied her every moment.
Her age is always at the fore. She is a mere 14 in the first entry, a thumping declaration of beliefs (atheism, socialism and “the only difference between human beings is intelligence”), and only 30 at the end, and her blend of sophistication and naïveté is such that she sounds more often like a much older person whose judgment is sometimes questionable than like a youngster in oversize clothing. Still, the sort of youthful zeal that leads her to peremptory judgments and furious imperatives — “Somewhere . . . I confessed a disappointment with the Mann ‘[Doctor] Faustus.’ . . . This was a uniquely undisguised evidence of the quality of my critical sensibility!”; “Read Condillac!” — never left her, in writing or in conversation. (I encountered her on various social occasions but didn’t know her well.)
She was always serious to a fault. Even if, later on, she was able to examine and analyze certain aspects of popular culture (as in “Notes on Camp,” 1964), she could undertake such a thing only in service to a higher goal — she was immune to subintellectual cultural pleasures. “How to defend the aesthetic experience?” she asks at 16, wanting it to consist of “more than pleasure,” although eight years later, in a rare moment of slippage, she confesses to “a kind of foolish pride which comes from dieting on high culture for too long.” Even as the narrative of the journals shows her consistently growing, broadening her focus, her dedication to high culture remains severe and unwavering — it is her church, which must be defended from half-measures and backsliding and squalid ease. She dismisses Faulkner’s “Light in August” as a type of “vulgar writing” and decides that by comparison to Kafka, “Joyce is so stupid.” She did not wait to be asked to become a gatekeeper, but took on the job before she had proper access to the gate.
In pointed contrast to this intellectual assurance, the emotional side of her education is touchingly uncertain and halting. She realizes at 15 that she has “lesbian tendencies,” then alternates between giving herself over to them and (in the spirit of the time) attempting to fight them: “I wanted so much to feel a physical attraction for him and prove, at least, that I am bisexual.” She remains a model student, for example making detailed lists of gay slang terms and lore, but homosexuality also causes her to engage with the concrete details of life — for instance, in her evocations of gay bars in late 1940s San Francisco — in ways that her high-mindedness curtails in other areas. She is eager and ardent, but self-lacerating, unsure that she deserves love and sex. She falls in love serially, but the tall, merciless H. soon comes to dominate her life — H. first appears in the Bay Area in 1949 and will reappear a decade later in Europe, still treating Sontag badly and trampling on her self-questioning passion.
Then Sontag marries. The sequence of events is breathtakingly abrupt. She moves to attend the University of Chicago on a scholarship in the fall of 1949. In November she writes, “A wonderful opportunity was offered me — to do some research work for a soc[iology] instructor named Philip Rieff.” In the next entry, Dec. 2: “I am engaged to Philip Rieff.” A few pages later, after a trip to California to interview Thomas Mann, comes the entry of Jan. 3, 1950: “I marry Philip with full consciousness + fear of my will toward self-destructiveness.” And then she is on to “War and Peace” and Balzac and lists of works on theology. Her decision to marry Rieff is never explained or examined, and in fact she says nothing more about the matter, barring an ambiguous recounted dream, until she begins fulminating against the institution of marriage in 1956. The intervening years barely exist in the journals — five years dissolve in nine pages. The birth of her son in 1952 goes unrecorded; he makes his first appearance in an aside.
She comes to life again in 1956, or perhaps it is the journal that does, once again brimming with reading lists and self-exhortations and accounts of intellectual conversations. A year later she has accepted a scholarship to Oxford, and she leaves her husband and son. We understand that there are tears and scenes — Rieff had wanted her trip to coincide with an appointment of his own abroad — but are swept up in her exhilaration: she has been sprung from jail. For a while, the pleasures of the journal become almost entirely narrative. She soon leaves Oxford for the greener pastures of Paris, and there she is reawakened, happily tossed in a whirlwind of intellectual, social and sexual activity. She renews with H., which is probably not the best idea in retrospect, but eventually she links with H.’s ex, the playwright Maria Irene Fornes, who is a much better match for her. In 1959 she returns to the United States, to New York City, where she gains custody of her son and begins writing professionally, editing and teaching. We leave her poised on the brink of her great public career.
“Reborn” is in some ways less like a normal book and more like a person — it is consistent in its deepest reaches, but subject to enormous mood swings. Some very large matters are barely glimpsed, whizzing by at terrific speed, while sundry smaller ones are examined in exhaustive detail. Motives often have to be guessed, and important players enter and exit summarily, without introduction. Various opinions and exhortations — or crotchets or tics — are repeated to the point where it takes a great deal of good will or simple affection to tolerate them. But Sontag does successfully elicit the reader’s good will and affection. We may never have seen her in quite this light — fully human and as flawed as any of us. We may want to go reread some of her more lapidary work, now appreciating the vulnerable soul that shared a body with that radical will.