13 de julho de 2010

Carolina Pinho comenta Feios, de Scott Westerfeld

Em 1932 Aldous Huxley nos apresentou uma sociedade controlada pela felicidade no clássico “Admirável Mundo Novo”. Em 1949 George Orwell nos mostrou uma sociedade controlada pelo medo em “1984”. Scott Westerfeld pegou elementos dos dois livros, misturou com problemas atuais, colocou nos moldes de um livro para jovens e criou a boa série “Feios”. A historia é passada em um futuro onde todos quando fazem 16 anos são submetidos a operações plásticas e se tornam perfeitos. Em um mundo onde todos são igualmente deslumbrantes tudo é perfeito, não há conflitos. Somos apresentados a essa terra por Tally Youngblood, uma feia, ou seja, alguém com menos de 16 anos que vive contando os dias para a operação que transformará sua aparência e sua vida. Não querendo entregar muito da historia, Tally se vê envolvida em uma trama para destruir os Enfumaçados, pessoas que vivem na natureza e que não se submeteram as cirurgias, e sua trajetória não termina nesse livro, existem mais três que ainda não foram lançados. É impossível não ver as semelhanças com os clássicos de Huxley e Orwell, mesmo que aqui elas estejam em um livro para feito para o público jovem, cheio de aventura e com pitadas de romance. Tally quer ir viver em Nova Perfeição, a cidade onde moram as pessoas depois da operação, lá tudo é perfeito, todos vivem em festas e se divertem o tempo todo, não há brigas. Na Vila Feia, onde Tally mora, ela usa um anel de interface que registra em computadores todos os seus passos, elevadores só são ativados depois de uma leitura da Iris, algo bem próximo do Grande Irmão. Um dos elementos que passa quase despercebido na historia que me remeteu imediatamente a uma das idéias que mais me chamou atenção quando li “1984” é o fato de ninguém nessa sociedade saber escrever a mão. No livro de Orwell os dicionários são reescritos e sempre simplificados para que as pessoas não consigam colocar em palavras a sua revolta ou insatisfação. Não ser capaz de escrever a mão é um controle e um passo na mesma direção.

Comentário de Carolina Pinho na íntegra sobre o livro Feios, de Scott Westerfeld, editado pela Galera Record.

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