29 de abril de 2010

Cavalos Partidos

Assim Jeannette Walls inicia o romance editado pela Nova Fronteira:
Aquelas velhas vacas sabiam, antes de nós, quando ia haver encrenca.
Era um fim de tarde em agosto, o ar estava quente e pesado como costumava ficar na estação das chuvas. Mais cedo, tínhamos visto umas nuvens carregadíssimas perto das colinas Burnt Spring, mas elas foram levadas para o norte. Tinha praticamente terminado as tarefas do dia e estava caminhando na direção do pasto com meu irmão, Buster, e minha irmã, Helen, para levar as vacas para a ordenha. Mas, ao chegarmos lá, aquelas meninas estavam agitadas. Em vez de zanzar em torno da porteira, como sempre faziam na hora da ordenha, elas estavam paradas, de pernas crispadas, rabos esticados, balançando nervosamente as cabeças, tentando ouvir.
Buster e Helen olharam para mim, e, sem uma palavra, ajoelhei no chão e encostei meu ouvido na terra batida. Dava para ouvir um rugido, tão baixo e indistinto que era mais sentido que ouvido. Foi aí que entendi o que as vacas já sabiam: uma enxurrada estava se aproximando.
Assim que me levantei, as vacas saíram em disparada, rumando para a barreira sul da cerca. Quando atingiram a altura do arame farpado, pularam por cima - mais alto e com mais precisão do que jamais tinha visto vacas pulando - e saíram desembestadas na direção de terras mais altas.

28 de abril de 2010

Clarice 90 Anos

Essa citação foi a coisa mais linda que vi hoje no Twitter.
Dar a mão a alguém
foi o que eu sempre esperei da alegria.
-Clarice Lispector-

24 de abril de 2010

Acontece em Buenos Aires...

A 36º Feira Internacional do Livro. Entre os escritores convidados: Alessandro Baricco, Anne Picard, Enrique Vila-Matas, Javíer Moro. O único brasileiro é Vander Lee. Veja mais aqui. Fonte: Ana Enriqueta via blog Olhar Nômade.

23 de abril de 2010

Shopping no Espírito Santo promove Concurso de Twitteratura

Você é capaz de contar uma história em até 140 caracteres? Depois do sucesso da primeira edição do Festival de Twitteratura no Shopping Praia da Costa, com cerca de 300 nanocontos recebidos, o Grupo Sá Cavalcante realiza o II Festival de Twitteratura do Shopping Praia da Costa. O concurso, que reúne criatividade, cultura, humor e, claro, literatura tem ganhado cada vez mais adeptos. A exemplo do Shopping Praia da Costa, a Academia Brasileira de Letras que também se rendeu ao Twitter e criou um concurso semelhante.

A segunda edição da Twitteratura capixaba começou no dia 15 de abril, em comemoração ao aniversário de 1 ano do twitter do Shopping Praia da Costa (@shoppingpcosta). O nanoconto vencedor vai levar pra casa um roteador wireless, o segundo colocado uma webcam, e o terceiro um pendrive de 4GB.

Compondo o corpo de jurados estão a cantora e poetisa Elisa Lucinda, a professora universitária e mestre em estudos literários Darcilia Moysés e o jornalista Caê Guimarães que realiza pesquisas literárias desde 1994.

A twitteratura é divertida e exige intensidade e rapidez de raciocínio, uma vez que critérios difíceis de serem estabelecidos como coesão, coerência e enredo devem ser inseridos em um espaço reduzido. E cortar palavras não é tarefa fácil (que o digam os jornalistas!). O resultado é sempre satisfatório, pois pode-se medir o grau de criatividade e observar as diferentes variações sobre as percepções de cada um da sociedade. Ainda vale destacar que o humor é parte integrante da nova onda, pois, ainda que seja escrita uma história triste, é interessante observar o poder criativo dos participantes.

Para finalizar, vamos testar escrevendo em 140 caracteres: conte as palavras, aperte os espaços e bote a mente para funcionar. Uma história bem contada em até 140 caracteres não deve ser tão difícil.

2ª Twitteratura Shopping Praia da Costa

Envio dos nanocontos: até 30/04

Resultado: 06/05

Entrega da premiação: 07/05

Acesse o Regulamento do 2º Twitteratura do Praia da Costa

Fonte: Karina Porto Firme - Grupo Sá Cavalcante

19 de abril de 2010

Todo Dia é Dia do Livro !

Sábado na livraria é uma homenagem da editora Cosac Naify a este lugar tão familiar a nós e aos amantes da literatura. O lançamento convida os leitores a uma prática muito prazerosa: visitar a loja sem pressa, descobrir tesouros escondidos nas prateleiras, mergulhar na leitura de um título, mesmo sem comprá-lo. Na quarta capa, Bernardo Ajzenberg, escritor e dono do Sebo Avalovara, em São Paulo, define: “livraria é como parque de diversões: encanta e gera encontros. Ou como cinema: incrível variedade de temas, magia das surpresas”. Tematizando a livraria como local de convívio e transformação, Sylvie Neeman conta a história de uma menina que cultiva o hábito de ir à livraria e se perder em meio aos livros. Assim como ela, um senhor é frequentador assíduo do lugar. Mas, enquanto a garota devora e dá risada com os quadrinhos, o velho se debruça, emocionado, sobre um enorme livro de guerra. As ilustrações a óleo do premiado Olivier Tallec revelam essa atmosfera onírica da livraria, misturando às prateleiras cenas dos livros lidos pelos personagens. Juntos, escritora e ilustrador nos conduzem por um percurso misterioso e inesperado ao longo desses sábados na livraria. (Texto da Editora Cosac Naify).
Detalhe: A tradução do título original é Quarta-Feira na Livraria, pois na Suíça Mercredi é o dia Off que as crianças têm. Interessante a tradução considerar o contexto brasileiro.

18 de abril de 2010

Personal Library Kit

Um kit para acompanhar empréstimos de livros. Uauuu ! Vem com carimbo, fichas, almofadinha e tudo. Presente de Admário Braune, que acaba de chegar de Nova Iorque! Thanks, dear!

15 de abril de 2010

Da telinha para as páginas

Richard Castle, o charmoso escritor, protagonista da série “Castle” saiu da telinha para habitar as estantes. Como forma de marketing para a série que retrata um escritor que acompanha os casos de uma detetive de homicídios em Nova York como pesquisa para seus livros o canal americano ABC lançou o livro “Heat Wave”. Isso mesmo o livro que Castle está escrevendo durante toda a primeira temporada foi lançado e é um bom livro. “Heat Wave” marca o primeiro livro com a personagem Nikki Heat, criada por Castle e baseada em Kate Beckett, a detetive que ele acompanha. A história gira em torno da investigação do assassinato de magnata do setor imobiliário. Para se parecer ainda mais coma série Heat esta sendo acompanhada pelo jornalista Jameson Rook que está escrevendo uma matéria sobre a polícia de Nova York. A dinâmica entre Heat e Rook é bem parecida com a de Castle e Beckett, mas nas páginas do livro Beckett é bem mais durona e Rook um pouco menos confiante. Para os fãs da série que torcem para um relacionamento entre Beckett e Castle e imaginam como ele seria vão gostar bastante de certos momentos do livro. Heat, assim como Beckett, teve a mãe assassinada, mas o livro só explora os efeitos psicológicos que essa morte brutal tem na personagem. Diferente de Castle, Rook não sabe do acontecido e não tenta solucionar esse caso, mas nas páginas fica claro que esse será um tema recorrente na série de livros e que ainda vai aparecer muito em quanto Heat tiver páginas para viver. Os coadjuvantes também não foram esquecidos o capitão, Esposito e Ryan estão lá retratados e são como seus personagens da série. Até mesmo Martha, a mãe de Castle, tem uma pequena aparição. O mais divertido para os fãs da série é reconhecer as situações que as inspiraram e que foram vividas na telinha. “Heat Wave” é como um capítulo grande de “Castle” que dá um pouco mais de profundidade a Beckett. Afinal a série tem como personagem principal o escritor e o livro a detetive, um acaba complementando o outro. O livro é exatamente como é mostrado na série, a dedicatória aos policiais, a orelha do livro enaltecendo os sucessos de Castle, até mesmo a foto do ator Nathan Fillion, que vive o escritor, está na contra-capa. Na página de agradecimento, quase no fim, tem um agradecimento aos atores da série. “Heat Wave” é uma ótima peça de propaganda e agrada os fãs em cheio. Durante a segunda temporada Castle lança “Heat Wave” e já começa a escrever um novo romance da série policial, o novo livro se chamará “Naked Heat” e será lançado nos EUA em setembro.

Colaboração de Carolina Pinho para o Lector in Fabula.

12 de abril de 2010

Prêmio Pulitzer 2010 - Vencedores

Saiu hoje o resultado do prêmio Pulitzer, que homenageia as melhores reportagens publicadas nos Estados Unidos, além de obras literárias e musicais no último ano. Um júri de 102 pessoas seleciona os melhores trabalhos jornalísticos (em 14 das 21 categorias), literários e musicais publicados nos EUA. Cada ganhador recebe US$ 10 mil, com exceção do prêmio dedicado ao Serviço Público, que consiste em uma medalha.

A lista é a seguinte:

Na categoria literatura, cartas, teatro e música

Ficção – “Tinkers” de Paul Harding

Peça / musical – “Next to normal”, música de Tom Kitt, livro e letras de Brian Yorkey

História – “Lords of finance: the bankers who broke the world” de Liaquat Ahamed

Biografia – “The first tycoon: The epic life of Cornelius Vanderbilt” de T.J. Stiles

Poesia – “Versed” de Rae Armantrout

Não-ficção geral – “The dead hand: the untold story of the cold war arms race and its dangerous legacy” de David E. Hoffman

Música – “Violin concerto” de Jennifer Higdon

No jornalismo:

Serviço público - Bristol (Va.) Herald Courier

Reportagem últimas notícias- The Seattle Times Staff

Reportagem investigativa - Barbara Laker e Wendy Ruderman do Philadelphia Daily News and Sheri Fink of ProPublica, em colaboração com a The New York Times Magazine

Reportagem educativa - Michael Moss and members of The New York Times Staff

Reportagem local - Raquel Rutledge do Milwaukee Journal Sentinel

Reportagem nacional - Matt Richtel e membros do The New York Times

Reportagem internacional - Anthony Shadid do The Washington Post

Grande reportagem - Gene Weingarten do The Washington Post

Artigos - Kathleen Parker do The Washington Post

Críticas - Sarah Kaufman do The Washington Post

Editorial - Tod Robberson, Colleen McCain Nelson e William McKenzie do The Dallas Morning News

Cartoon editorial- Mark Fiore, que apareceu no SFGate.com

Fotografia últimas notícias- Mary Chind do The Des Moines Register

Fotografia não-factual - Craig F. Walker do The Denver Post

Citação especial: Hank Williams

Fonte: G1

Os Homens que não amavam as mulheres - Vol. 1 da Série Millennium

Em breve nos cinemas!

11 de abril de 2010

Doutor Pasavento

Da leitura de Enrique Vila-Matas:
"Há episódios de nossa vida ditados por uma discreta lei que nos escapa".
"Não sei se todo mundo sabe, quando se fica sozinho durante muito tempo, a gente descobre cada vez mais coisas onde para os outros não há nada."

9 de abril de 2010

Comecei a ler...

Doutor Pasavento, do escritor catalão Enrique Vila-Matas.
"E eu, com quem me pareço? Certamente tenho algo de eqilibrista que, numa alameda do fim do mundo, está caminhando pela beira do abismo. E acho que me movo como um explorador que avança no vazio. Não sei, trabalho em meio a trevas e tudo é misterioso. Só sei que me fascina escrever sobre o mistério de que existia o mistério da existência do mundo, porque adoro a aventura que há em todo texto que se põe em marcha, porque adoro o abismo, o próprio mistério, e adoro, sobretudo, essa linha de sombra que, ao ser atravessada, nos coloca no território do desconhecido(...)"
Este é um trecho da contracapa do livro que comecei a ler. Adoro contracapas e acho de um talento aquele ou aquela que sabe escrever uma contracapa sedutora como esta - impossível não desejar entrar neste livro, foi o que aconteceu comigo! Parabéns ao tradutor José Geraldo Couto, que soube passar para o português o contundente idioma catalão.
Entro em mais uma aventura. Quando acabar, falo da leitura!

6 de abril de 2010

A Vida de Isak Dinesen - Karen Blixen

Hoje, eu estava arrumando meus livros. De tempo em tempo, me desfaço de alguns, como se precisasse renovar a bagagem. Nada contra bibliotecas. Reencontro alguns livros, algumas histórias, alguns escritores... Karen Blixen é mais conhecida pelo filme baseado em seu conto A Festa de Babete, publicado originalmente no volume Anedotas do Destino. Conhecemos também uma pequena parte da vida desta escritora dinamarquesa por meio do filme Out of Africa ou Entre Dois Amores, estrelado por Robert Redford e Meryl Streep. Leio e releio Fazenda Africa, um dos meus livros favoritos. Adoro a parte do Túmulo dos Leões, quando o túmulo de Denys, nas colinas de Ngong, é visitado ao entardecer por leões africanos. Gosto também de ler A Vida de Isak Dinesen, escrito por Judith Thurman, o livro em que se baseou o filme Entre Dois Amores. Minha edição está caindo aos pedaços, mas permanece comigo, para a hora de novamente relê-la.

5 de abril de 2010

O Iluminado, por Carolina Pinho - Especialmente para o Lector in Fabula

Arrumo meus livros de duas formas, os já apreciados estão nas varias estantes agrupados por categorias que fazem sentido no nomes mas nem sempre no conteúdo por exemplo na estante de escritores portugueses estão a obra de Agualusa e Mia Couto e ¨Carmem¨' divide espaço com a “Historia social do jazz” e não com “O Anjo Pornográfico”. Já livros ainda não lidos ficam em pilhas que tem uma lógica própria que não respeita essa organização. Uma das pilhas é a de livros que foram adaptados para cinema ou a TV, foi dela que saíram títulos que estão entre os meus favoritos como “Fazenda Africana”, “Reparação” e “Agosto”. O quinto livro que li esse ano ( eu sei, eu sei, nesse ritmo não vou chegar nem perto dos 50 do desafio) também saiu dessa pilha e é um clássico do terror, “O iluminado” de Stephen King.

Esse é um caso de livro que é bem mais conhecido por sua adaptação para o cinema e toda uma mítica de terror na cultura pop do que pelo livro em si. A adaptação de Stanley Kubrick é um clássico do terror e tenho que confessar que mesmo que a descrição feita por King de Jack Torrence não se parece em nada com Jack Nicholson é impossível visualizar outro rosto que não seja o do ator. Como qualquer adaptação o filme come alguns elementos importantes para a história, mas a essência do que é contado está lá, um hotel assombrado por todo o mal que já aconteceu em suas dependências assombra uma família isolada pelo inverno, leva o pai a loucura porque quer ter ao seu lado o poder do iluminado Danny, um menino de apenas 5 anos.

O sucesso do filme e da própria obra de King fez com que se criasse ao redor desse livro uma lenda de que ele é aterrorizante. Qual fã de “Friends” não lembra de Joey colocando “O Iluminado” no congelador por que estava com medo do que estava lendo? O livro é tenso, bastante tenso, as alucinações de Jack, o hotel perseguindo Danny, deixa o leitor com um certo medo, mas não é nada que tenha feito com que eu tivesse vontade de seguir o exemplo de Joey.

A experiencia de ler esse clássico ainda foi melhor porque encontrei uma edição da Ponto de Leitura, pocket como deve ser, barato, pequeno e leve, mesmo se tratando de um livro de mais de 500 paginas. Eu que leio em qualquer oportunidade, como fila de banco, ponto de ônibus e metrô, e para isso carrego livro pra cima e a baixo na bolsa acho os livros brasileiros pesadíssimos.

4 de abril de 2010

Marina Fiorato

Uma das leituras de que mais gosto é a leitura de romances históricos. Alguns leves, outro mais pesados. Se traz informação histórica e é bem escrito, vale a pena. Na memória, Maurice Druon, que escreveu Os Reis Malditos; Jean Plaidy, que escreveu A Saga dos Plantagenetas, entre outros; Muriel Romana, que escreveu sobre Marco Polo; Valerio Massimo Manfredi, que escreveu belamente sobre Alexandre, O Grande; e Christina Jacq, que fez ressurgir todos os romances anteriores. Do rol de leituras de 2009, trago O Soprador de Vidro, de Marina Fiorato. Há dois protagonistas, cuja histórias desenvolvem-se alternadamente ao longo dos capítulos. Tudo se passa nos dias de hoje e no século XVII, em Murano. Muita informação curiosa, por exemplo, eu não sabia que os candelabros eram transportados em barris cheios de água - para não quebrar! Sabia da importância da arte do vidro para a economia italiana, mas não sabia o quanto. Outro romance da autora que foi traduzido para o português é A Dama das Amêndoas, que não li. Mas recomendo O Soprador de Vidro, com muito prazer!

1 de abril de 2010

Além do Twitter e do Youtube, editoras apostam no Facebook

Muitas editoras brasileiras já estão no Twitter para divulgar seus lançamentos e fazer promoções. A Sextante, por exemplo, inovou ao lançar O Símbolo Perdido, de Dan Brown, toda pelo Twitter - e deu certo! A editora Record exibe no seu canal do Youtube os trailers dos livros lançados. A Bertrand Brasil já está no Facebook. Particularmente, achava que o Facebook não emplacaria no Brasil, mas percebo que devo rever a opinião. Tempos de convergência.