24 de outubro de 2010

Carolina Pinho compartilha leitura de O tempo entre costuras

O ótimo livro de estréia de Maria Dueñas retrata o protetorado espanhol no Marrocos durante a guerra civil espanhola e a segunda guerra mundial. A escrita envolvente narra a trajetória de Sira através dos anos.“Tempo entre Costuras”, além de um romance de formação, é também uma novela de espionagem. Posso até dizer que é um romance de formação de espiã. Sira, nossa heroína, é uma jovem aprendiz de costureira no início da trama e por uma série de circunstâncias acaba no Marrocos com um grande dívida. A necessidade de limpar seu nome e de sobreviver faz com que Sira se envolva em alguns esquemas ilegais para criar seu Chez Sira, um ateliê de costura para a elite do protetorado. É quando Sira ganha um "h" ao final do nome que os personagens fictícios passam a cruzar com importantes personagens históricos. É nesse momento também que somos lembrados do papel da península Ibérica durante a Segunda Guerra. Portugal e Espanha ficaram infestados de espiões tanto Aliados quanto do Eixo, uma situação que poderia gerar muitas histórias. Aqui Dueñas explora a situação de Portugal com uma ida de Sira a Lisboa. Essa passagem me fez lembrar de outro bom livro que fala sobre o mesmo período, o muito bom “Enquanto o Ditador Dormia”. Voltando as costura de Sira, o livro ganha outro ritmo depois que o ateliê se muda para Madri e a trama de espionagem se intensifica. É verdade que muitas histórias e ainda mais personagens secundários são simplesmente esquecidos, isso deixa o leitor com um gostinho de quero mais. Isso é um problema, mas acho que mais grave é o fato de que o livro acaba em um momento quente da história. Entendo que Dueñas termina o livro em um momento em que Sira toma as rédias de sua vida, mas ela escreveu algo mais do que simplesmente um romance de formação e ela parece não perceber isso.

“Tempo Entre Costuras” é um ótimo livro, envolvente mesmo, mas ao deixar algumas histórias incompletas e não desenvolver mais a trama de espionagem tira um pouco o brilho do livro.

21 de outubro de 2010

A Revolta de Atlas

Este não pode ficar do lado de fora da Lista de Leituras de 2010!

Na mitologia grega, o titã Atlas recebe de Zeus o castigo eterno de carregar nos ombros o peso dos céus. Neste clássico romance de Ayn Rand, os pensadores, os inovadores e os indivíduos criativos suportam o peso de um mundo decadente enquanto são explorados por parasitas que não reconhecem o valor do trabalho e da produtividade e que se valem da corrupção, da mediocridade e da burocracia para impedir o progresso individual e da sociedade. Mas até quando eles vão aguentar? Considerado o livro mais influente nos Estados Unidos depois da Bíblia, segundo a Biblioteca do Congresso americano, A revolta de Atlas é um romance monumental. A história se passa numa época imprecisa, quando as forças políticas de esquerda estão no poder. Último baluarte do que ainda resta do capitalismo num mundo infestado de repúblicas populares, os Estados Unidos estão em decadência e sua economia caminha para o colapso. Nesse cenário desolador em que a intervenção estatal se sobrepõe a qualquer iniciativa privada de reerguer a economia, os principais líderes da indústria, do empresariado, das ciências e das artes começam a sumir sem deixar pistas. Com medidas arbitrárias e leis manipuladas, o Estado logo se apossa de suas propriedades e invenções, mas não é capaz de manter a lucratividade de seus negócios. Mas a greve de cérebros motivada por um Estado improdutivo à beira da ruína vai cobrar um preço muito alto. E é o homem – e toda a sociedade – quem irá pagar. Ayn Rand traça um panorama estarrecedor de uma realidade em que o desaparecimento das mentes criativas põe em xeque toda a existência. Com personagens fascinantes, como o gênio criador que se transforma num playboy irresponsável, o poderoso industrial do aço que não sabe que trabalha para a própria destruição e a mulher de fibra que tenta recuperar uma ferrovia transcontinental, a autora apresenta os princípios de sua filosofia: a defesa da razão, do individualismo, do livre mercado e da liberdade de expressão, bem como os valores segundo os quais o homem deve viver – a racionalidade, a honestidade, a justiça, a independência, a integridade, a produtividade e o orgulho. Best-seller há mais de 50 anos, com 11 milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro, A revolta de Atlas – publicado no Brasil na década de 1980 com o título Quem é John Galt? – desafia algumas das crenças mais arraigadas da sociedade atual. Sua mensagem transformadora conquistou uma legião de leitores e fãs: cada indivíduo é responsável por suas ações e por buscar a liberdade e a felicidade como valores supremos.

14 de outubro de 2010

10 de outubro de 2010

8 de outubro de 2010

O desafio de ler Ian McEwan


Mas acho que desta vez vai...ontem chegou à Livraria Timbre o lançamento: Solar. Apesar da capa trazer um urso polar morto, que tem tudo a ver com o título, ela tem um efeito interessante que só ao vivo e a cores pode ser percebido.

Trecho da Editora Companhia das Letras:

O ano é 2000. A maré de más notícias sobre o clima e o aquecimento global inunda o noticiário. Impossível ignorar o destino trágico do planeta Terra, traçado pelos especialistas com funesto alarde. Michael Beard, cientista consagrado e prêmio Nobel de física, não parece nada preocupado. Seus interesses atuais se limitam a fantasias eróticas - concretizadas ou não -, bebida e mesa farta, de preferência repleta de guloseimas pouco recomendáveis para um homem de sua idade. Autoindulgente e cínico, Beard não se comove mais com as homenagens que lhe são periodicamente oferecidas, apesar de apreciar as quantias que costumam acompanhá-las. Entrementes, o governo britânico, preocupado com as repercussões eleitorais do aquecimento global, resolve criar o Centro Nacional de Energia Renovável, e Beard é convenientemente convidado para sua presidência. Alheio, rodeado de pós-graduandos inexperientes e às voltas com um malfadado projeto de turbina eólica, o protagonista de Solar está obcecado pela traição de Patrice, sua quinta e jovem mulher. Apesar de ele mesmo lhe ter sido assiduamente infiel, não consegue compreender como pôde ser trocado por um pedreiro brutamontes e semianalfabeto. 


5 de outubro de 2010

Em busca de novas formas textuais...


A literatura tem se manifestado de diferentes formas, em meios que a contemporaneidade oferece. Formas visuais, eletrônicas, auditivas. Experimentações literárias atravessam o tempo. Tento encontrar uma ou outra iniciativas e trazê-las para o leitor. Tal como novas formas, ou meios, surge um novo leitor. E como reagimos ao texto falado, não sendo deficientes visuais?  Experimentem Confessionário Urbano e tragam suas impressões. Ou participem, como propõem a autora.

Alta Temporada de Leitura (3)

Chega às livraria Os Íntimos, de Inês Pedrosa, autora do sucesso Fazes-Me Falta.

4 de outubro de 2010

1 de outubro de 2010

Literatura Argentina (3)


Um mistério, um personagem que parte, vai embora e depois de 30 anos ressurge.Texto esplendoroso deste escritor argentino. Belo texto, excelente tradução e uma capa linda...tipicamente argentina. Se recomendo a leitura? De olhos fechados!

Texto da Companhia das Letras:
Reunindo alguns dos personagens que o leitor já conhece de outros livros de Juan José Saer, O grande é uma peça-chave na composição que o escritor argentino construiu livro a livro sobre um mesmo tema de fundo: o tempo que passa. Há pouco mais de trinta anos, sem anunciar sua partida a ninguém, Willi Gutiérrez simplesmente se evaporou do cenário de sua juventude. Os amigos souberam que ele fora viver na Itália, onde se tornara roteirista de cinema. Da mesma forma inesperada, um dia ele se materializa em Rincón, cidadezinha próxima de Santa Fe: compra uma casa, localiza os antigos amigos e convida a todos para um churrasco no domingo seguinte. O grande é composto por sete capítulos, correspondentes aos dias da semana. Começa numa terça-feira e acaba na segunda-feira posterior à grande reunião de domingo. O último capítulo, interrompido pela morte do autor, só tem uma frase, mas sabe-se que Saer planejara que ele fosse muito curto - um arremate para as indagações de longo fôlego que culminaram no churrasco de domingo.