20 de agosto de 2011

Sábado: Dia de Livraria

Sábado costumava ser o dia dos suplementos literários dos jornais JB e O Globo, lembram? Domingo ficava com a Folha de São Paulo e o Estadão, ainda o The New York Times com sua revista de críticas maravilhosa, referência para muitos editores brasileiros. Hoje, essa realidade mudou, notícia sobre livros se faz todos os dias, o JB impresso não mais existe, tão pouco o Caderno Ideias, o Prosa e Verso ainda resiste, os jornais de São Paulo mantém a qualidade. Mas uma lacuna passou a existir: mesmo todos os canais de divulgação do livro não são suficientes - mais em qualidade do que em número - para divulgar ao leitor a quantidade de bons livros lançados no mercado brasileiro. Talvez o preenchimento dessa lacuna seja um sonho. Talvez. Escrevo isso a propósito do livro que encontrei na Livraria Timbre, e cuja leitura está chegando ao fim. Tenho uma resistência natural à literatura chinesa - prefiro a literatura japonesa - mas A Cozinha da Revolução, de Ma Jian, que a Editora Record traduziu foi uma surpresa...agradável! O romance apresenta dois personagens: o escritor profissional e o doador de sangue profissional. Em seus diálogos e ficções, surge a China num período "moderno" e mais personagens cujas vidas retratam o país num momento particular, em geral pouco contado nos livros de história. O que mais gostei foi da metanarrativa que foca no processo da criação literária, por exemplo o trecho:

"O escritor diz para si mesmo: Ela não tinha imaginação. Apoiava-se em sua fila de casos amorosos para encontrar material para suas histórias lacrimogêneas. Os críticos alegavam que ela era uma grande escritora, diziam que seus livros eram inspirados. Para atingir sucesso como autor hoje em dia, é preciso ter uma vida problemática. Quanto mais alguém sofre, mais venderá seus livros." (p.154)

A leitura de Ma Jian me remete à outra questão: a existência das livrarias. As boas livrarias, que se preocupam em trazer livros e autores de qualidade para os seus clientes, são o verdadeiro canal de promoção do livro, são elas que estão na linha de frente pelo livro - as editoras sabem disso. Em suas vitrines e prateleiras sentimos o termômetro da literatura. É lá que está preenchida a lacuna da divulgação. Se não fosse pela livraria, eu não saberia da existência de A Cozinha da Revolução e outros livros e autores que já descobri pela vida. Ainda bem que as livrarias não morreram, e não morrerão. Se não fosse por elas, estaríamos órfãos de informação, pois livreiros ainda existem, graças aos deuses. Mesmo com a vida corrida, tento ao menos reservar os sábados para dar um pulinho lá, nas livrarias, e namorar os livros e ser encantada pelos seus livreiros. Por isso digo: Sábado é Dia de Livraria! 

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