10 de fevereiro de 2012

Histórias de Livreiros (2)

Livros e pessoas...
Ao entrar dou-lhe com um sorriso
- "Bom dia!"
- ...
- Penso comigo mesma, pois se a palavra é prata, o silêncio é de ouro, "não dormiu comigo, mas tudo bem."
Ao sair dou-lhe com um sorriso
-"Bom dia!"
- ...

Reparei que de uns tempos para cá as pessoas já não se cumprimentam mais. Não que eu seja uma figura de importância, mas a educação vale para todos. Tenho vontade de dizer, da mesma forma como dizem os espanhóis, "vá com Deus e o Diabo que te carregue!" Mas não há de se guardar rancor.

Outros cumprimentam, como deve ser o protocolo, e desatam a falar da vida, da sogra, dos filhos, da economia, da vida passada, opaaa, quando chega no assunto política é melhor procurar o que fazer e pedir licença ao cliente, pois o final poderá ser trágico. Se não tiver como se desvencilhar, lembre-se sempre de fazer a cara de paisagem, por mais absurdo que seja aquilo que o cliente diz.

Outro dia, um rapaz entrou e queria saber tudo sobre arte contemporânea estrangeira: européia e americana. Hummm. Conheço bem o acervo da livraria, que naquele momento estava desfalcado, afinal, assim ficamos após o Natal, todo livreiro sabe disso. Tive que consultar um a um os artistas e mostrar o estoque zerado para que o jovem não pensasse que era má vontade. Depois de uma hora de consulta, agradeceu. Ufa! Mas pelo lado positivo, sempre há, tive uma aula de arte contemporânea grátis :o)

Tem aquele cliente que acha que sabe de tudo, quer dar aulas para a gente, aquele fazendeiro que vem de vez em quando à cidade e precisa demonstrar que não perdeu o saber. Sabe de uma coisa, esse, em geral, perdeu toda a educação. Tenho visto isso aos montes. Nossos antigos clientes acabam ficando tão íntimos, que também perdem a linha conosco. Mas somos discretos e vestimos a mesma cara de paisagem de sempre. Tudo pela causa!

Apesar dos pesares, digo sempre aos meus colegas de livros, seja de qual livraria for: "levantem suas mãos para os céus, podia ser muito pior. Imaginem as moças que precisam vender roupas, sapatos, devem cortar um dobrado!"

Mas pensando bem, podiam reeditar o Livro de Etiquetas de Amy Vanderbilt, deve haver lá um capítulo dedicado a como se comportar em livrarias. Se não houver, deveriam escrever!

Na próxima semana tem+

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