12 de fevereiro de 2012

A Literatura Chinesa hoje

Fora os contos chineses que minha mãe desde cedo nos apresentou em casa, a literatura chinesa para mim sempre se caracterizou pelos relatos de escritores residentes no ocidente, que mais falavam da repressão nos tempos de Mao e das diferenças entre orientais e ocidentais. 

Por exemplo, quem não se lembra da leitura de Cisnes Selvagens, de Jung Chang, que inclusive esteve no Brasil para lançar o livro na Casa de Cultura Laura Alvim - eu fui lá! Ou do Clube da Felicidade e da Sorte, de Amy Tan, que inclusive virou filme? Mostram uma China de outro tempo. 

Com As Boas Mulheres da China, de Xinran, passamos a ter relatos de uma China mais contemporânea em contraste com sua herança cultural e histórica, uma China que os jornais e os livros não mostravam. Já podíamos notar uma variante na literatura chinesa que nos chegava. É claro que podemos falar de muitos outros títulos, mas estes mencionados acho que se destacam pelo alcance de grande público em todo o mundo. 

Confesso que tenho uma grande resistência aos chineses - os contos conhecidos na infância eram terríveis e o fato de comerem cachorro e outros bichos também não me deixaram escolha. A resistência permanece, mas li recentemente e recomendei aqui o romance A Cozinha da Revolução, de Ma Jian, que mostra a China após o período Mao. Do mesmo autor foi publicado Pequim em Coma, que ainda não li. 

Agora chega uma outra China com o lançamento de Os Anos de Fartura - China 2013, de Chan Koonchung - proibido na China, claro! A nova China, senhora da economia mundial, a superpotência...do consumo. A China desigual lembra qualquer país em desenvolvimento, seu abismo está na assustadora  produção de bens de consumo e uma abismo que separa aqueles que podem consumir daqueles que não possuem direito ao consumo. Já vimos isso antes também na literatura indiana recente, flagrante por exemplo no livro O Tigre Branco, de Aravind Adiga. 

Ainda não li a China 2013, é meu próximo na lista de leitura, mas  aposto no autor e no livro. Em breve aqui no Lector in Fabula.


Para enriquecer esta leitura, recomendo:

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